Como medir e resolver o ruído em edificações

O ruído é coisa séria…

Entre décadas de observação o corpo social brasileiro expandiu de 51,9
milhões para 169, 8 milhões de pessoas dos anos 50 até o início do século (segundo
dados do IBGE de 2000). Contudo, o segmento de construção
e arquitetura têm participação de forma incisiva na geração de empregos e movimentação de diversas áreas de bens de produção e serviços.

Diante de inúmeras eventualidades e incertezas que oscilam em função da
situação macroeconômica atual do país, é necessário que os setores de pesquisas e
design, em conjunto com as construtoras, possam investir mais em pesquisa e dar uma reviravolta no ruído em edificações. Assim, são necessárias análises qualitativas e quantitativas sobre técnicas e aplicações de materiais que permitam prever e tratar o ruído produzido pelo crescimento progressivo das áreas urbanas e vias de tráfego.

Casas, prédios e hospitais que foram construídos em locais onde há vibração e barulho excessivo demandam atenção especial. Em geral, zonas industriais, aeroporto, rodovias, e outros locais de alto fluxo causam remanejamentos inviáveis e por vezes precisam ser controlados localmente.

Quando a poluição sonora supera os limites estabelecidos em áreas habitadas,  torna-se obrigatória a presença e consultoria do profissional com formação em Engenharia Acústica ou o Engenheiro Civil/Mecânico/Arquiteto com especialização em Acústica. Áreas vigiadas por órgãos de fiscalização que seguem requisitos normativos ou ainda fiscalizadas por reclamações dos vizinhos são as que precisam se adequar. Então, antes mesmo de colocar um negócio em funcionamento, veja o zoneamento e os limites de ruído da região. Isso pode ser fundamental na sua análise de viabilidade do negócio antes mesmo de construir. Consulte também se o profissional contratado possui registro no CREA.

Do ponto de vista físico

O termo “ruído” possui algumas percepções subjetivas, podendo ser explicado
como o som sem harmonia ou simplesmente barulho indesejável. Esse som está sujeito aos mecanismos de reflexão, difração, transmissão, absorção e refração. O mesmo acontece com a luz que também se comporta como uma onda. Dessa forma, no ponto de vista do som, podemos perceber que cada material vai interagir com o som de uma forma, sendo que ao receber uma frente de onda pode haver todos os mecanismos ao mesmo tempo.

O som possui características quantitativas, sendo um fenômeno físico que é avaliado de forma mais intuitiva em dB (decibel), por ter uma resposta logaritmica que nos é difícil de interpretar em termos de amplitude. Por sua vez, a frequência (Hz) e a fase variam no tempo e espaço, de forma que observamos mecanismos interessantes como o efeito doppler.

Como medir

Na aferição do ambiente que é alvo de perturbação, usa-se o instrumento de
medição que recebe o nome de sonômetro. O sonômetro capta o nível da pressão
sonora por um transdutor durante alguns instantes de tempo, em intervalos fixos e vai integrando as respostas de pressão (somando) e tirando médias. Pode-se avaliar em diferentes tempos de integração e com isso ter médias que retratam uma característica de uma fonte sonora específica durante certa duração. Em geral, para medidas de controle ambiental usam-se integrações em tempos espaçados como durante vários minutos até um dia inteiro. É comum utilizarmos medições e integrações temporais nos períodos diurno, vespertino e noturno, de acordo com a normativa utilizada. O tempo de
medição e intervalo entre cada tomada de pressão deve ser escolhido de forma a permitir a caracterização do ruído em questão.

Na norma brasileira, a medição segue o procedimento da NBR-10151 que dá origem a um laudo. O sonômetro classe 1 devidamente calibrado é necessário na maioria dos casos, sendo aceitável o classe 2 em avaliações menos criteriosas. Com o auxílio de softwares de mapeamento acústico é possível planificar curvas de igual pressão sonora, e assim prever o ruído em outras áreas não medidas. Assim, de posse do laudo e do modelo computacional o especialista pode dar início ao projeto acústico do empreendimento.

E o projetista Acústico?

O profissional e projetista em acústica aborda medidas cautelosas para atenuar o problema de perturbação sonora. Em geral eles consideram variáveis que apresentem oscilações estatísticas previsíveis para evitar surpresas em projetos de áreas residenciais e comerciais. Soluções que não contrariem a estética arquitetônica e que agrade o gosto do cliente final são sempre preferíveis. Na dúvida, antes de construir consulte profissionais qualificado e veja as possibilidades.

Sob a expectativa dessas tais análises minuciosas que envolvem bastante cálculo, é provável executar medidas corretivas e flexíveis, de modo que, o objetivo seja manter o planejamento de custos dentro dos padrões razoáveis para o cliente.

A análise sempre será parcial, entretanto especializada. Mas devemos atentar para a ética, visto que algumas entidades de classe como o CAU estão em luta constante contra os “profissionais” que aceitam a propina, chamada elegantemente de “RT”, ou reserva técnica que é paga pela empresa do material ao especificador.

Uma solução acústica é sem dúvida o diferencial para o mercado imobiliário
competitivo que temos hoje e que está mal das pernas tendo em vista que clientes buscam por bom desempenho e qualidade de vida além de baixo custo. É a sustentabilidade que usamos somente para os fins ambientais, mas que na verdade deve ser financeira também. Portanto, valorize o trabalho especializado e saiba que um projeto bem feito economiza e muito o retrabalho, os custos e a incomodação de fazer reformas.

Agora, você está procurando por um conteúdo mais técnico sobre acústica em edificações? Comece com o nosso Guia de Acústica em Edificações Habitacionais. É só baixar clicando aqui e adquirindo o e-book gratuito.

Agora se você quiser um conteúdo mais avançado, recomendamos o e-book O Guia das Janelas Acústicas para Fachadas Residencias, no qual mostramos os 6 passos para projetar uma fachada atendendo à norma de desempenho NBR15.575 e com isso selecionando a janela acústica que atenda o desempenho desejado com o menor custo. —– -Clique AQUI e adquira agora! — 

 

Esse artigo teve colaboração de Fernando Ferreira.

Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído – Poluição sonora é coisa séria!

Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído, International Noise Awareness Day (INAD), foi criado em 1996, nos Estados Unidos, pela League for the Hard of Hearing, hoje Center for Hearing and Comunication, para promover o evento mundial de conscientização, com diversas atividades e entre elas, 60 segundos de silêncio, a fim de demonstrar o impacto do ruído na vida cotidiana da população. Neste no ano de 2018 será no dia 25 de Abril.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a poluição sonora é o segundo maior agente poluidor ambiental, depois da poluição do ar. A poluição sonora é fator prejudicial à saúde pública. Então participe deste movimento e faça sua parte contra a poluição sonora que nos tira o sono e nos causa estresse.

ProAcústica reserva algumas atrações para este dia e convida você a participar! Nós do Portal Acústica somos totalmente a favor desta ideia e incentivamos toda a comunidade a lutar contra a poluição sonora.

Saiba mais sobre o INAD SP 2018!

Programação

NOTA: Todas as atividades serão em espaço público e gratuitas

A | #chegadebarulho
Intervenção urbana no Edifício Sede FIESP
Galeria de Arte Digital: 24/04/18 (das 22 às 6h) e 25/04/18 (das 19 às 6h)
Telão LED no pavimento térreo: 25/04/18 – ao longo de todo o dia

B | Estação de medição do nível de ruído
Projeção em tempo real via vídeo wall e ao longo de todo o dia na calçada do Edifício Sede FIESP

C | Manifesto do Silêncio
14h25 -14h26 – 60 segundos de silêncio

D | Lançamento Mapa de Ruído Urbano Projeto Piloto SP

Fonte: Proacústica

Material acústico projetável – Ressonador de Helmholtz

Existem uma gama de materiais acústicos para tratamento acústico que são utilizados para basicamente três finalidades: condicionamento acústico, isolamento acústico e controle de ruído. Para um profissional iniciante ou com pouco conhecimento na área é um difícil saber diferenciar a finalidade dos diversos materiais existentes no mercado. Um dos materiais acústicos pouco explorados em sua potencialidade são os ressonador de Helmholtz. Assim como os ressonador de membrana, o ressonador é um material acústico que atua em baixas frequências com absorção sonora restrita a uma faixa de frequência limitada. Isso significa que eles devem ser projetados para atuar em condições específicas que exigem absorção mas também apresentam dificuldades extras, como por exemplo grandes gradientes de temperatura, ambientes agressivos ou restrições de espaço físico. Falaremos sobre as particularidades do Ressonador de Helmholtz, como ele funciona e quais são suas características físicas e aplicações.

O que é um ressonador?

Na grécia antiga os teatros públicos que eram ao ar livre já apresentavam este elemento mesmo que de maneira rudimentar. Vasos eram colocados de cabeça para baixo no chão e entreabertos no palco de madeira dos teatro ou ainda nos degraus do auditório. Tais vasos, descritos por Marcus Vitruvius Pollio, nos anos 25 antes de cristo, vibravam em uma frequência específica de acordo com as dimensões do vaso, seu volume interno e tamanho do pescoço, de forma a vibrar o palco e com isso amplificar o som. A frequência de vibração era em geral de 100 a 300 Hz, que coincide com a frequência fundamental da voz humana. Com isso, conseguia-se uma sensação de poder na voz, que também foi descrita como perfeição acústica por Marcus. Vide este artigo.

Muito tempo depois, em 1860, Hermann von Helmholtz demonstrou as variedades de tons que se conseguia gerar com um vaso o qual chamou de resonador. Um exemplo do ressonador de Helmholtz é o som criado quando alguém assopra pelo gargalo de uma garrafa vazia. O ressonador é um sistema clássico de controle passivo de ruído muito utilizado hoje em dia em dutos, mufflers, sistemas de ventilação, aeronaves, escritórios e auditórios.

Em geral o ressonador é constituído de uma cavidade, ou volume de ar, conectado a um sistema acústico o qual se deseja a absorção de determinada faixa estreita de frequências. Tal volume de ar age como uma mola que é comprimida e rarefeita ao receber ondas sonoras de pressão pela entrada do ressonador. O gargalo, ou pescoço na entrada do ressonador pode ter comprimento variável e com isso alterar a inertância do sistema, ou seja, a massa de ar que vibra na boca do ressonador. Juntos o volume e o gargalo, forma-se um sistema massa mola que é amplamente modelado e equacionado nos estudos mecânicos.

Aplicações modernas

Nos dias de hoje uma das aplicações mais significativas dos ressonadores é na entrada dos dutos de um motor turbofan de uma aeronave comercial e em silenciadores de carros. No caso de aeronaves. próximo às pás de uma hélice do motor estão localizados ressonadores compostos por uma chapa perfurada sobre uma cavidade em formato de colméia. A profundidade da cavidade praticamente determina a frequência de ressonância do sistema para uma condição sem escoamento de ar rasante sobre a placa perfurada. E a taxa de perfuração por célula pode determinar também inertância do sistema. Veja na figura abaixo uma amostra de ressonador de profundidade variável criado pela NASA para experimentos em uma bancada de testes. O objetivo dos pesquisadores é desenvolver um resonador de banda larga com alto poder de absorção sonora em uma ampla faixa de frequências, que seja compacto e que seja facilmente projetável.

Essa não é uma tarefa fácil, considerando que a entrada de uma turbina de aeronave está exposta à variações de temperatura, escoamento de ar sobre a placa perfurada e diversas frequências de ressonância do duto principal do motor, os chamados modos acústicos do duto.

Tecnologias que envolvem ressonadores

As tecnologias mais modernas de condicionamento acústico baseadas nos princípios dos ressonadores de Helmholtz envolvem basicamente:

  • Chapas microperfuradas (MPPs – Micro perfurated plates)
  • Ressonadores com cavidades curvas
  • Ressonadores com microtubos

As MPPs apresentam chapas com perfurações da ordem de 0,2 a 0,8 mm com baixas áreas abertas (1 a 5%) as quais promovem absorções em amplas faixas de frequência. Os ressonadores com cavidades curvas apresentam a possibilidade de conseguir reduzir o espaço disponível para aplicação do material acústico e atingir baixas frequências de ressonância. Já os ressonadores com microtubos apresentam a facilidade de modelagem da inertância do sistema em regimes lineares de excitação sonora (baixos Niveis de Pressão Sonora – NPS) e com isso melhor previsão do comportamnto.

Tendências e conclusões

Acreditamos que para obter um material acústico projetável seja necessária uma mescla das tecnologias apontadas acima. Ao se valer de métodos de manufatura avançada baseados em fotolitografia é possível conseguir ressonadores de banda larga. Preferencialmente os ressonadores devem atuar em baixas frequências, com dimensões aceitáveis e que sejam altamente previsíveis quanto à sua impedância acústica. As aplicações deste material acústico projetável pode ir além do mercado aeroespacial, passando por drones, aviação pessoal, automotivo e arquitetônico, entretanto o custo será fator determinante. Considera-se que tais projetos são de alto risco para a indústria, mas o problema do ruído das aeronaves em áreas residenciais só tende a piorar se não formos para modelos elétricos de baixo ruído. No caso da indústria automotiva, Elon Musk apresenta modelos e perspectivas muito claras para um futuro elétrico, mas ainda assim, dispositivos acústicos serão necessários para atuar em diferentes faixas de frequência que podem ser até mais incômodas devido às características subjetivas as quais o ruído elétrico nos causa. Além disso, estudos recentes ainda não publicados mostram a maior qualidade acústica proporcionada por ressonadores de Helmholtz em divisórias de escritórios open office frente a outros revestimentos acústicos. Ainda há muito mais nos esperando quanto a isso…

Espero que você tenha gostado do artigo. Esperamos seus comentários e pode nos solicitar os artigos nos quais nos baseamos para elaborar este. Não se esqueça de visitar o nosso site principal www.portalacustica.info para baixar os nossos e-books introdutórios sobre acústica.

 

 

Parede acústica – Qual devo escolher?

 

Ter uma vida agitada em grandes centros urbanos pode ser estressante principalmente por causa do ruído urbano. Cada vez mais se procuram métodos para o controle desse ruído tão incômodo que traz estresse e problemas cardiovasculares. Visando o conforto e a saúde da população em 2013 foi publicada a norma NBR 15.575 através da ABNT. A norma determina valores mínimos de desempenho quanto ao isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações.

Porém, como devo construir uma parede acústica adequada? Qual a morfologia ideal dessa parede acústica? Existe diferença entre o isolamento acústico de uma parede interna e de uma parede externa? Pretendo falar aqui sobe essas dúvidas que estão surgindo devido às recentes mudanças nesse ramo de materiais acústicos para construção civil.

Tipos de paredes e requisitos exigidos pela NBR 15.575

A NBR 15.575 classifica o desempenho acústico em partições verticais de fachadas e partições verticais internas, ou seja, as paredes acústicas externas e as paredes acústicas internas. Lembrando que também temos o isolamento acústico entre andares e que podemos classificar a propagação do som em aérea e de impacto.

Paredes acústicas internas

As paredes acústicas internas são paredes que separam as diferentes unidades habitacionais autônomas, ou ainda paredes dentro de uma mesma unidade. Para garantir desempenho adequado de isolamento acústico ao ruído aéreo devemos ter em mente o padrão pretendido pela construção. Podemos montar a parede com diversas morfologias, mas é comum a montagem de duas formas diferentes:

  •  Massivas: Alvenaria (bloco de concreto, cerâmico ou de gesso), concreto pré- moldado ou moldado “in loco”. Seu desempenho de isolamento ao ruído aéreo em partições verticais internas (Dnt,w) depende fundamentalmente da sua densidade superficial, ou seja, massa por metro quadrado – kg/m2.
  • Leves: Sistemas drywall ou steel frame. Seu desempenho de isolamento ao ruído aéreo depende de sua composição (número de placas, perfis, banda acústica perimétrica, etc). A espessura da cavidade e presença de material absorvente na cavidade contribuem para o desempenho acústico e devem ser projetadas para minimizar custos e para atender aos requisitos de projeto.

Além disso, é opcional a aplicação de revestimento de gesso, de argamassa ou de cerâmica para dar acabamento. Esses são os revestimentos mais comuns na construção civil brasileira, mas em sistemas de steel frame se usam as placas cimentícias e OSB. A escolha da morfologia da parede acústica interna (composição de materiais) deve seguir às exigências de isolamento acústico dados na NBR 15.575 conforme a tabela abaixo.

D2mntw parede interna

É importante ressaltar aqui que os métodos construtivos adotados até então no Brasil dificilmente atingem os níveis intermediários e superiores isolamento acústico (colunas mais à direita). Algumas construtoras tiveram que variar a morfologia das paredes para se adequar ao desempenho térmico e acústico e com isso alcançar desempenhos mensuráveis e previsíveis.

Paredes acústicas externas

As paredes acústicas externas separam dormitórios do exterior e devem garantir um desempenho adequado de isolamento acústico ao ruído aéreo. Por ruído aéreo entendemos o som da televisão, caixa de som, e outros que não vibram o piso e paredes de maneira significativa. O desempenho mínimo de uma fachada varia em função do ruído exterior no entorno do empreendimento. Os sistemas de vedações verticais externas são em geral compostos pelos seguintes elementos:

  • Parede: Diversas morfologias.
  • Esquadrias: É o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Para saber mais sobre como ter uma esquadria adequada para a sua obra, adquira agora: O guia de janelas acústicas para fachadas residenciais.
  • Instalações: são dutos de ar condicionado, saídas de ventilação, chaminés, etc.

As exigências da NBR 15.575 levaram as construtoras e fabricantes de materiais a repensarem a morfologia das paredes, para atingir o desempenho quanto ao isolamento acústico necessário. Está cada vez mais comum utilizar light steel frame e wood frame, assim como é feito na Europa e Estados Unidos. Essas paredes leves possuem uma estrutura de aço ou madeira com reforços e contraventamentos. Por serem revestidas com placas em ambos os lados, também são classificadas como paredes duplas. Veja um exemplo abaixo.

paredes

Os requisitos para paredes externas podem ser observados na tabela a seguir. Vale  lembrar que para avaliar as paredes externas é necessário medir o ruído externo a 2 metros da fachada. Para mais informações sobre ruído de fachada leia o nosso artigo clicando aqui.

1

O desempenho exigido varia conforme a localização da edificação, podendo variar o desempenho mínimo entre 20 dB e 30 dB. Em morfologias como as mostradas anteriormente, as paredes de light steel frame podem possuir um Rw em torno de 43~47 dB. Lembrando que há diferença entre os índices de D2m,nT,w, Rw e D,nT,w , e esses valores devem ser calculados pelo projetista acústico ou medidos in-loco ou em laboratório. As paredes de wood steel frame possuem um Rw  em torno de 35~38dB para morfologias semelhantes a mostrada na figura acima.

Dicas e conclusões importantes

As exigências da NBR 15.575 levaram as construtoras e os fabricantes de materiais de construção a se adequarem. Por isso é importante que o profissional do ramo busque informações e se adeque às exigências normativas. É sempre importante a consulta com um Engenheiro Acústico ou um profissional qualificado, pois cada vez mais os clientes estão ficando exigentes sobre as condições do isolamento acústico em edificações.

Além de todo o conhecimento teórico sobre paredes acústicas é crucial cuidados na hora da construção da mesma. Cuidados com a montagem das esquadrias evitam frestas por onde o som pode passar. Cuidado na construção da parede para evitar juntas com massa mais fraca também degradam o desempenho. Uma atenção especial às esquadrias que serão utilizadas é essencial, pois essas são o ponto fraco do isolamento acústico de uma parede.

 

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Onde fazer um curso de acústica no Brasil?

É fato que cada vez mais se pesquisa acústica no Brasil. Nas últimas décadas a preocupação de pesquisadores e empresas com a qualidade acústica de ambientes e com a saúde auditiva da população aumentou. Levando a abertura de um novo mercado de trabalho e capacitando novos profissionais nessa área. Mas onde estes profissionais estão se formando no Brasil? Quais cursos de graduação e pós-graduação já existentem? O que se está pesquisando atualmente em termos de poluição sonora e em termos de qualidade de vida relacionada à audição? Falaremos nesse artigo sobre alguns ramos da acústica, e sobre os cursos de acústica nos quais os profissionais brasileiros estão se formando. Veremos os cursos de graduação e pós-graduação em acústica no Brasil e o que eles oferecem.

Curso de acústica é multidisciplinar

A acústica é tida como uma área multidisciplinar onde o Engenheiro Acústico é o profissional capacitado que engloba conhecimentos principalmente da área de engenharia elétrica e mecânica, com bastante de computação e matemática. Em termos multidisciplinares, digamos que o profissional em acústica pode atuar nas áreas de engenharia, biociências, geociências e artes. Ou seja, a engenharia acústica possui uma gama gigantesca aplicações. Isso exige bastante especialização que em geral é oferecida por cursos regulares de graduação e pós-graduação, com ampla necessidade de cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Veja na figura abaixo as áreas de atuação que requerem conhecimentos em acústica.

Áreas da Acustica

 

Graduação em acústica no Brasil

Em 2009 surgiu na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. O primeiro, e até então único, curso de Engenharia Acústica do Brasil. O curso de acústica conta com uma abrangência de várias disciplinas. As principais linhas de estudo na graduação de Engenharia Acústica estão atreladas à engenharia civil. Entre elas:

  • acústica de salas,
  • acústica nas edificações,
  • controle de ruído de máquinas e equipamentos prediais.

Já as linhas de pesquisa ligadas à engenharia elétrica contemplam:

  • eletroacústica,
  • design de caixas acústicas,
  • processamento digital de sinais.

As linhas ligadas à engenharia mecânica incluem:

  • controle de vibrações,
  • controle de ruído industrial,
  • projeto de máquinas e componentes.

Outros tópicos ligados à qualidade de vida, engenharia ambiental e artes incluem:

  • psicoacústica,
  • acústica subjetiva,
  • fonoaudiologia,
  • acústica ambiental,
  • acústica musical,
  • áudio.

Maiores informações sobre o curso de graduação em engenharia acústica da UFSM podem ser obtidas no site do curso.

Curiosidade: Após a criação do primeiro curso de engenharia acústica brasileiro, foi possível articular junto ao CREA a inclusão da profissão “Engenheiro(a) Acústico(a)” entre às profissões cadastradas pelo conselho, até então inexistente no Brasil.

Apesar da baixa disponibilidade de cursos de graduação em acústica, já há diversos cursos de mestrado e doutorado strictu sensu no Brasil. Alguns possuem um viés mais profissionalizante mas em geral abordam a pesquisa básica e não aplicada. Abaixo iremos citar alguns dos principais centros de pesquisa e ensino que trabalham com acústica no país.

 

Pós-Graduação em acústica no Brasil

Ainda não existe no Brasil um programa de pós-graduação especificamente em Engenharia Acústica, mas já existem diversos programas atrelados a outros cursos com enfase em acústica.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica:  oferce disciplinas nss áreas de saúde auditiva, acústica submarina, acústica veicular, materiais porosos, controle de ruído e vibrações, métodos numéricos, ruído em comunidades e psicoacústica. É considerado o melhor curso do Brasil, sendo conceito 7 no CAPES.

  • Universidade Federal de Santa Maria

Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção: oferece linhas de pesquisa ligadas às áreas de acústica de salas, psicoacústica e qualidade sonora.

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil: oferece disciplinas ligadas às áreas de acústica ambiental e acústica arquitetônica .

  • Universidade de São Paulo

Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Física na área de levitação acústica. Para saber mais sobre levitação acústica leia esse outro artigo, clicando aqui. E pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica na áreas de processamento digital de sinais.

  • Universidade Estadual de Campinas

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil  e pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade  nas áreas de acústica de salas, conforto acústico, ruído ambiental, avaliação e desempenho acústico de edificações, processamento de sinais, controle ativo de ruído, reprodução espacial sonora.

  • Universidade Federal do Pará

Possui Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica nas áreas de  acústica de salas, vibrações mecânicas, processamento digital de sinais e acústica nas edificações.

Além desses cursos citados há outros centros de pesquisas localizados na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília e Universidade de Viçosa. Essa lista não é exaustiva, devemos dizer. É cada vez mais importante haver cursos de graduação, pós-graduação e especialização referentes à engenharia acústica, pois somente assim aumentará número de profissionais capacitados no mercado de trabalho. No nosso dia a dia observamos aberrações de interpretação de dados por pessoas sem formação e sem conhecimento técnico no assunto. Por isso é tão importante a formação, o que traz qualidade de vida à população.

Já deixamos aqui o convite para você inscrever-se agora no único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil  que será oferecido presencialmente no Rio de Janeiro e utilizará um software inovador e gratuito de predição da poluição sonora por fontes industriais.

Curso de Modelagem Acústica Ambiental

Programa:
1 – Conceitos básicos de propagação sonora
2 – Tipos de fontes sonoras
3 – Cálculos em dB
4 – Normativas ambientais em acústica
5 – Métodos de cálculo de propagação sonora
6 – Introdução ao iNoise
7 – Prática de modelagem de ruído
8 – Introdução aos métodos inovativos de mapeamento com drones e map at work
9 – Introdução ao Ruído ocupacional
10 – Requisitos para desempenho acústico em edificações residenciais
Local: 3R Brasil Tecnologia Ambiental, Cultura, Serviços e Comercio Ltda
Av. Rio Branco, 156 – 23º andar – sala 2323,
Centro – Rio de Janeiro
Data: 15/03/2018 (Única oportunidade)
Modalidade: Presencial
Duração: 5h, sendo 2h práticas e 3h teóricas.
Observação: trazer notebook
Professores: Rogério Regazzi e Pablo Serrano. Especialistas com notório saber no tema.
Investimento por aluno: R$1970,00 a vista ou 12x no cartão de crédito com juros (2,5% por parcela) via pag seguro ou paypal.

Mais informações sobre o iNoise e ferramentas inovadoras em controle de ruído em https://www.ambienciacustica.com/

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Workshop com multinacional alemã para os especialistas em acústica

WorkshopsA Knauf AMF, especialista em forros e revestimentos acústicos e arquitetônicos, estará pela primeira vez na Expo Revestir, que acontece em março deste ano. A grande surpresa será um workshop focado em acústica, sustentabilidade e design dos produtos da linha HERADESIGN, exclusivo aos especialistas em acústica. A data marcada é 12 de março, um dia antes da Feira iniciar, das 15h às 17h30, no Showroom da Knauf AMF (Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111).

A empresa vai aproveitar a presença de profissionais da Knauf AMF da Alemanha e da Áustria e o arquiteto austríaco, Klaus Nageler, Gerente de Produto e de Pesquisa e Desenvolvimento da linha Heradesign, vai ministrar o workshop em inglês (sem tradução simultânea).

Para ficar ainda melhor, ao término do workshop, a Knauf AMF oferecerá aos participantes um happy hour de confraternização. É ou não é aquela oportunidade que você não pode perder?

Mas atenção, as vagas são limitadas e a presença precisa ser confirmada com a Isadora pelo e-mail: foresto.isadora@knaufamf.com.

Sobre a Knauf

knauf
A Knauf é um dos principais fabricantes mundiais de materiais de isolamento modernos, sistemas de secagem, emplastros e acessórios, sistemas de isolamento térmico, tintas, pavimentos, sistemas de chão e equipamentos e ferramentas de construção. Com 150 instalações de produção e organizações de vendas em mais de 60 países, 26 mil funcionários em todo o mundo e vendas de 6,27 bilhões de euros (em 2013), o Grupo Knauf é, sem dúvida, um dos grandes players do mercado – na Europa, EUA, América do Sul, Rússia, Ásia, África e Austrália.

Workshop: Heradesign: Acústica, sustentabilidade e design
Preletor: Arqº Klaus Nageler
Local: Showroom da Knauf AMF

Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111 (estacionamento no local)

Data: 12 de março de 2018
Horário: Das 15h00 às 17h30
Idioma: Inglês (sem tradução simultânea)

Sobre a Expo Revestir

A Feira, que é sinônimo de negócios, inspiração, tendências, tecnologia e inovação, acontece nos dias 13 a 16 de março, das 10h às 19h, no Transamérica Expo Center (próximo à ponte Transamérica da via marginal ao Rio Pinheiros, zona sul da Capital de São Paulo). Mais informações, além do cadastro para o evento, podem ser feitos no site: www.exporevestir.com.br.

Janelas antirruído e projeto acústico de fachadas

Muitas vezes, na hora de lazer ou de trabalho, acabamos nos deparando com um vizinho com música alta, com o ruído do tráfego de veículos ou até mesmo de pessoas conversando na rua. Geralmente, só sentimos esse incômodo quando ele é tido em excesso. Mas esse ruído urbano é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, podendo ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição e também problemas extra-auditivos, como cardiovasculares, insônia e desconforto. Por causa disso, cada vez mais, a questão do ruído urbano está levando órgãos públicos e empresas a repensarem questões de acústica ambiental (urbana) e questões de isolamento acústico em edificações.

Com a preocupação da saúde e do bem estar da população foi criada, no Brasil, a NBR 15.575, que determina valores mínimos de isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações. Ela também determina o Rw, que é o índice de redução sonora ponderado, o principal parâmetro para a determinação do isolamento sonoro. Na maioria das vezes, o maior cuidado que precisamos ter é com as paredes externas, pois é a partir dessas que se tem os ruídos vindos do exterior e que nos incomodam tanto. Com um tratamento adequado da parede externa, principalmente das esquadrias, esse problema pode ser solucionado.

Sabemos que uma parede é composta por diversas morfologias e que junto à essa temos a esquadria que, em geral, é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Por isso as esquadrias merecem um cuidado especial na hora do projeto. No ramo de construção civil brasileira é comum utilizarmos janelas simples, mas em um projeto com um bom isolamento acústico isso não é suficiente. Já existem no mercado uma gama de tipos de janelas antirruído, sendo essas dominadas por janelas duplas. Porém, antes de falarmos sobre este assunto, devemos entender como funciona, de forma básica, a transmissão de uma onda sonora em uma esquadria e uma parede.

Na figura abaixo podemos observar que há três efeitos diferentes para uma onda sonora que incide em um aparato. Ela pode ser tanto refletida de volta ao ambiente, dissipada em forma de vibração ao longo da estrutura ou transmitira para o outro lado da parede.

Propagação sonora em uma parede

A nossa preocupação principal é fazer com que a onda incidente, que pode ser o ruído urbano, seja o mínimo transmitido possível para dentro da sua casa ou apartamento. Para isso temos de trabalhar com materiais especiais para ter um bom isolamento sonoro.

JANELAS SIMPLES

É comum em projetos brasileiros utilizar janelas simples, devido ao custo-benefício. Essas janelas são compostas por vidros com uma espessura de 4 à 8 mm e é comum a esquadria ser composta por alumínio, madeira ou PVC. É normal uma janela simples possuir um Rw entre 19~21 dB o que não acaba atendendo aos requisitos mínimos da NBR 15.575.  Algumas pesquisas mostram que deve-se esperar uma perda de desempenho de cerca de 5 dB, em média, entre o resultado obtido no laboratório e o do campo, mas podemos calcular através da norma EN 12354.

JANELAS DUPLAS

Para um bom desempenho de isolamento sonoro em edificações é comum utilizarmos janelas duplas. O objetivo é oferecer uma maior resistência à passagem da onda sonora pelo material (sendo a janela de vidro por exemplo). Para realizar esse isso, uma janela dupla deve ser composta de duas camadas de vidro e entre elas geralmente deixamos uma camada de ar, pois conforme a onda vai passando na estrutura vidro-ar-vidro ela perde mais energia do que passando por uma estrutura vidro-vidro, devido à troca de energias com os diferentes meios. Temos no mercado as janelas de vidro duplo, com espessuras variando de entre 6 e 10 mm, as quais possuem um Rw entre 32~37 dB, sendo esses valores satisfatórios para uma obra em locais de ruído não muito intenso.

Vidro duplo

Existem também opções de janelas com vidro triplo e quádruplo, porém, devemos analisar sempre o custo-benefício do projeto e para isso o indicado é realizar um estudo de impacto ambiental nos arredores do local para determinarmos valores de ruído externo. Desta forma saberemos qual é a janela mais adequada para o projeto.

JANELAS DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Janelas com controle ativo de ruído são produtos de inovações tecnológicas, mas ainda não muito utilizados no mercado. Elas têm como funcionamento o princípio de ondas destrutiva,  podendo ser a onda 1, uma onda provinda do ambiente externo (ruído) no qual haverá um dispositivo eletrônico junto a janela que irá reconhecer o ruído incidente e o mesmo irá reproduzir uma onda 2, de fase invertida, o que acarretará no cancelamento da onda. Essa parece ser uma ideia que acabaria com o problema do ruído externo, porém, o princípio de controle ativo de ruído em estruturas como janelas possuem algumas limitações na faixa de frequência e ainda não possuem resultados satisfatórios como os de isolamento de uma janela de vidro duplo. Mas essa é uma área que está sendo estudada e no futuro podemos ter bons materiais no mercado.

Também estão sendo estudadas as janelas ventiladas. O Brasil é um país tropical e parece interessante termos um sistema com uma ventilação natural do ambiente. Da mesma forma, como no controle ativo, essas janelas estão em fase de estudos, pois como irão proporcionar uma ventilação, suas esquadrias deixarão frestas, o que não seria adequado para ter um bom isolamento sonoro. Você pode saber assistindo o webinar de inovações tecnológicas clicando aqui.

Dicas importantes na escolha de uma janela adequada

Há diversos cuidados que devemos ter ao adquirir uma janela para um projeto. As janelas são formadas por vários elementos (vidro, esquadria, sistema de fechamento e vedações), em que cada um deles tem papel importante no desempenho final do produto. Devido a esta complexidade, é recomendável que os fabricantes forneçam ensaios de laboratório, a fim de comprovar seu isolamento acústico. Para além disso, o mais adequado para os fabricantes quando mostrarem seus produtos é que esses resultados venham em forma de banda de frequência, para que na hora da compra o cliente possa ter o conhecimento em quais há um maior isolamento.

Também devemos levar em consideração alguns cuidados para que a janela seja instalada de forma adequada para se ter uma melhor qualidade. O principal cuidado no momento da instalação é para que não fiquem frestas entre a esquadria e a parede. Isso vai impedir a passagem do som por meio de vibração estrutural dessas frestas.

Para maiores informações sobre como realizar medições, qual janela adequada para a sua obra ou maiores cuidados na compra e na instalação da sua janela, deve-se procurar um especialista em isolamento acústico em edificações, bem como um Engenheiro Acústico ou um Engenheiro Civil, ou ainda, um técnico em edificações que tenha entendimento no assunto.

Além disso, é necessário ter o conhecimento sobre elementos construtivos, como quais tipos de vidro e de esquadrias são mais adequados para o seu projeto e também conhecimentos técnicos como a importância da lei da massa, da lei das frestas, de como realizar uma medição adequada em laboratório e in loco, seguindo as devidas normas internacionais. Para isso estaremos lançando nos próximos dias um e-book que é um Manual de Janelas Antirruído, não deixe de conferir esse material completo nos próximos dias.

 

Gostou do conteúdo? Quer saber o passo a passo para escolher a melhor janela antirruído fazendo um projeto acústico de fachada? Se inscreva no workshop gratuito.

Você sabe o que é levitação acústica?

Fazer objetos levitarem somente com o som parece ficção científica, mas não é. A levitação acústica é uma área pesquisada há algumas décadas com pequenas partículas, mas somente nos últimos anos está tendo resultados positivos com massas maiores. Diversos centros de pesquisas pelo mundo estão, cada vez mais, trabalhando com a levitação acústica. Enquanto estive no ICSV 24 (International Congress on Sound and Vibration)  tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com o Prof. Dr. Marco Aurélio Brizzotti Andrade que é professor da USP no instituto de física. Ele concedeu uma entrevista, a qual trago aqui pra vocês. Prof. Marco falou um pouco sobre a experiência dele na área de levitação acústica e de sua visão sobre a educação e pesquisa no Brasil. Mas antes vamos ver melhor como funciona a levitação acústica.

Afinal, o que é a Levitação acústica?

Um dos primeiros levitadores acústicos foi descrito na literatura científica em 1933 por pesquisadores alemães. O levitador acústico é composto de duas partes, um emissor de onda sonora e um refletor. O emissor, semelhante a um alto-falante, emite uma onda que irá encontrar o refletor e ela será refletida. Nisso haverá uma superposição de ondas, da incidente com a refletida, gerando uma onda estacionária. Esta última possui diversos nós e anti-nós de pressão. Assim que entra a “mágica”, existe um fenômeno chamado força de radiação acústica que empurra a partícula para o nó, podendo assim vencermos a força gravitacional e levitar o objeto. O princípio por trás da flutuação das partículas continua similar para a maioria dos levitadores atuais.

O problema é que ao gerar a ressonância o transdutor e o refletor precisam ficar separados por uma distância específica. O valor precisa ser um múltiplo de meio comprimento de onda. Essa regulação torna difícil o transporte de partículas, pois qualquer movimento de uma das partes do equipamento interrompe a ressonância e, consequentemente, a levitação.

Como a levitação acústica funciona?

A ideia dos pesquisadores foi desenvolver um levitador não ressonante. Para isso eles criaram um ressonador pequeno, onde somente uma pequena fração das ondas é refletida novamente por ele.

A inovação está no fato de que é necessário poucas reflexões entre o transdutor e refletor para que uma onda estacionária seja formada. Assim não há mais a obrigação de se fixar com precisão a distância entre as duas partes do equipamento. Ou seja, eles podem se afastar ou se aproximar, o número de nós da onda estacionária muda. Permitindo a levitação de várias partículas ao mesmo tempo. Com essa inovação já é possível levitar esferas de 50 mm de diâmetro e objetos curvos de 160 mm.

Conheça a opinião de quem trabalha no assunto

Além da levitação acústica conversamos um pouco sobre como está a pesquisa no Brasil. Algumas áreas da acústica já se encontram em níveis internacionais mas boa parte delas ainda deixa a desejar. Para nos elevarmos à níveis internacionais devemos incentivar a pesquisa e o estudo desde a base educacional (ensino fundamental/médio). Essa busca não é somente na escola, hoje em dia deve-se sempre pesquisar além, como em artigos, livros e na internet. Você pode ver a entrevista completa com o Prof. Marco logo abaixo.

Agradeço imensamente ao Prof. Marco por dividir o seu conhecimento na área de levitação acústica. Acredito que essa área será largamente explorada no mercado de trabalho em um futuro próximo. Mas para isso dependeremos de profissionais capacitados no Brasil para desenvolverem pesquisas na área. Keep going! Lot of work to do yet!

 

O que é Ruído de Fachada e Classe de Ruído

Quando falamos de fachadas de edificações está cada vez mais comum falarmos das diversas formas de ruído que chegam nessa fachada e de como podemos trabalhar da melhor maneira para diminuirmos a transmissão desse ruído para dentro dos recintos. Para isso é importante sabermos como realizar uma medição adequada, quais normas são recomendadas, e em qual classes de ruído essa edificação se encontra.

Antes de falarmos sobre questões de medição e classe de ruído é importante comentar que cada vez mais as cidades estão criando seus mapas de ruído com o objetivo de determinar valores de ruído urbano e de como esse afeta a cidade em si e seus habitantes. Resultados de mapas de ruído estão diretamente ligados aos valores imobiliários, pois é preferível vivermos em uma região da cidade com baixos valores de ruído do que em ambientes com altos valores de ruído e também à saúde das pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o ruido urbano é um problema de saúde pública, que pode ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição, zumbido e também problemas extra-auditivos como problemas cardiovasculares, insônia e desconforto. Mas como podemos classificar se estamos vivendo em um ambiente ruidoso ou não?

Classes de ruído

Para falarmos de fachadas de uma edificação, temos a NBR 15.575-4 que  determina  os sistemas de vedação vertical externa (fachadas). As fachadas são as  paredes de separação do recinto para com o ambiente exterior. Tais fachadas devem garantir um desempenho acústico adequado em termos do ruído aéreo, ocasionado pelo tráfego de carros, motos, caminhões, aviões, trens, drones, etc. O desempenho acústico mínimo exigido em norma é função do ruído exterior, no entorno da edificação. Para isso, vamos deixar claro que uma fachada geralmente é  constituída por uma parede, com suas diversas morfologias (sacadas, parapeitos, etc) e por uma esquadria. A esquadria em geral é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Para um bom isolamento acústico, a esquadria acústica deve ter uma atenção especial durante o projeto da edificação, para evitar frustrações futuras. Em especial o calculo de isolamento acústico deve ser realizado considerando a classe de ruído.

A NBR 15.575 determina diferentes classes de ruído, e para cada classe de ruído foram determinados valores de desempenho mínimo, intermediário e superior. Podemos observar abaixo as diferentes classes de ruído que a norma menciona, para o parâmetro de medição D2m,nT,w (diferença padronizada de nível ponderada à 2m de distância da fachada).

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O quadro nos mostra que existem três tipos de classe de ruído. Se tivermos uma habitação em uma área de ruído intenso ( Classe III)o desempenho mínimo da fachada deve apresentar no mínimo ou maior que D2m,nT,w = 30 dB.

Vale comentar aqui que além de medirmos o D2m,nT,w, podemos estimá-lo matematicamente a partir das propriedades dos diferentes elementos do sistema construtivo da fachada. As uniões e as geometrias  afetam a transmissão sonora. Além disso, podemos realizar simulações com softwares específicos para determinar se o sistema projetado atende ou não ao requisito da norma. Há um artigo no nosso blog falando sobre o SonArchitect uma ferramenta usada para esse fim, clique aqui para ler.

Como avaliar o desempenho da fachada?

Primeiro ressalto que para realizar uma medição de perda de transmissão sonora de fachada não é uma tarefa fácil. Para as medições serem feitas de forma adequada, exige-se um conhecimento prévio do assunto, além dos equipamentos adequados. Um profissional capacitado, geralmente sendo um Engenheiro Acústico, ou também um Engenheiro Mecânico ou Engenheiro Civil especializado com mestrado são os profissionais ideais para avaliar o atendimento da norma de desempenho.

A NBR 15.575 indica dois diferentes métodos de medição, o método de controle e o método de engenharia. A precisão do método de controle é inferior, gerando maiores incertezas nos resultados. Por isso, recomenda-se a realização das medições pelo método de engenharia.

A metodologia de medição é especificada pelas normas ISO 140-5 (de engenharia) e ISO 10.052:2004 (simplificado). Ela é baseada na emissão de ruído do ambiente exterior em direção à fachada por uma fonte sonora controlada (alto-falante). A medição dos níveis de pressão sonora é avaliada em bandas de frequência no exterior da residência, a uma distância de 2 metros da fachada, e no recinto receptor, dentro do ambiente. Veja na figura abaixo o indivíduo na janela do primeiro andar colocando o sonômetro a 2 metros de distância da fachada.

A diferença entre esses níveis irá nos dar a Diferença padronizada de níveis (D2m,nT), considerando os efeitos de absorção do recinto receptor. É interessante observar que os erros metrológicos podem chegar a até 3 dB para esse índice conforme o método, segundo o IPT. Após a medição, o resultado pode ser convertido em um número único, através do procedimento existente na ISO 717-1. Assim, a diferença padronizada de nível ponderado é obtida (D2m,nT,w). Esse é o valor que deve ser comparado com o estabelecido na norma NBR 15575-4, de acordo com a classe de ruído. O resultado da medição dá como conclusão do laudo o desempenho acústico de fachada daquela edificação naquelas condições.

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Além disso, está cada vez mais comum cidades possuírem seus mapas de ruído. Um mapa de ruído é importante pois influencia diretamente na valorização (ou desvalorização) de um imóvel. O ruído é um indicador da qualidade acústica de uma habitação, pois o cliente sempre irá optar por viver em um ambiente com mais conforto.

Um mapa de ruído pode ser útil para diagnosticar os problemas de uma região e se a norma NBR 10.151 de ruído em comunidades está realmente sendo eficaz. A NBR 10.151 estabelece os limites máximos de ruído de acordo com o zoneamento da região. Além disso, ela propõe um método de medição de acústica ambiental e indica quais critérios os equipamentos de medição devem atender.

Inovações tecnológicas em acústica ambiental

Além da forma de medição que mencionamos, já existem maneiras inovadoras de realizar um mapa de ruído, usando como por exemplo sensores IoT (Internet of Things) para criar modelos 3D de mais alta fidelidade, que podem capturar a dimensão dos edifícios com precisão de cerca de 5 cm. Você pode saber mais sobre Novos métodos de medição e modelagem de ruído ambiental, aliados à saúde ocupacional em um webinar exclusivo do Portal Acústica clicando aqui. E o mais interessante é que esses dados podem abastecer enormes data centers onde será possível realizar análises de Big Data para acionar alarmes, mecanismos de fiscalização ou até prever comportamentos e aplicar multas.

Devemos estar atentos às diferentes inovação tecnológicas para o cálculo do ruído de fachada, e cabe às construtoras e grandes ndústrias se adequarem a essas diferentes formas de medição para se prevenirem de problemas com a sociedade civil. O perfil dos profissionais necessários para esse tipo de trabalho está se mudando rapidamente. Portanto, para garantir a tranquilidade e saúde da população os órgãos públicos também devem fazer a sua parte, o que consequentemente vai gerar mecanismos mais fortes de fiscalização e por fim mais mobilização das empresas para investir em qualidade de vida.

 

 

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

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