Você sabe o que é levitação acústica?

Fazer objetos levitarem somente com o som parece ficção científica, mas não é. A levitação acústica é uma área pesquisada há algumas décadas com pequenas partículas, mas somente nos últimos anos está tendo resultados positivos com massas maiores. Diversos centros de pesquisas pelo mundo estão, cada vez mais, trabalhando com a levitação acústica. Enquanto estive no ICSV 24 (International Congress on Sound and Vibration)  tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com o Prof. Dr. Marco Aurélio Brizzotti Andrade que é professor da USP no instituto de física. Ele concedeu uma entrevista, a qual trago aqui pra vocês. Prof. Marco falou um pouco sobre a experiência dele na área de levitação acústica e de sua visão sobre a educação e pesquisa no Brasil. Mas antes vamos ver melhor como funciona a levitação acústica.

Afinal, o que é a Levitação acústica?

Um dos primeiros levitadores acústicos foi descrito na literatura científica em 1933 por pesquisadores alemães. O levitador acústico é composto de duas partes, um emissor de onda sonora e um refletor. O emissor, semelhante a um alto-falante, emite uma onda que irá encontrar o refletor e ela será refletida. Nisso haverá uma superposição de ondas, da incidente com a refletida, gerando uma onda estacionária. Esta última possui diversos nós e anti-nós de pressão. Assim que entra a “mágica”, existe um fenômeno chamado força de radiação acústica que empurra a partícula para o nó, podendo assim vencermos a força gravitacional e levitar o objeto. O princípio por trás da flutuação das partículas continua similar para a maioria dos levitadores atuais.

O problema é que ao gerar a ressonância o transdutor e o refletor precisam ficar separados por uma distância específica. O valor precisa ser um múltiplo de meio comprimento de onda. Essa regulação torna difícil o transporte de partículas, pois qualquer movimento de uma das partes do equipamento interrompe a ressonância e, consequentemente, a levitação.

Como a levitação acústica funciona?

A ideia dos pesquisadores foi desenvolver um levitador não ressonante. Para isso eles criaram um ressonador pequeno, onde somente uma pequena fração das ondas é refletida novamente por ele.

A inovação está no fato de que é necessário poucas reflexões entre o transdutor e refletor para que uma onda estacionária seja formada. Assim não há mais a obrigação de se fixar com precisão a distância entre as duas partes do equipamento. Ou seja, eles podem se afastar ou se aproximar, o número de nós da onda estacionária muda. Permitindo a levitação de várias partículas ao mesmo tempo. Com essa inovação já é possível levitar esferas de 50 mm de diâmetro e objetos curvos de 160 mm.

Conheça a opinião de quem trabalha no assunto

Além da levitação acústica conversamos um pouco sobre como está a pesquisa no Brasil. Algumas áreas da acústica já se encontram em níveis internacionais mas boa parte delas ainda deixa a desejar. Para nos elevarmos à níveis internacionais devemos incentivar a pesquisa e o estudo desde a base educacional (ensino fundamental/médio). Essa busca não é somente na escola, hoje em dia deve-se sempre pesquisar além, como em artigos, livros e na internet. Você pode ver a entrevista completa com o Prof. Marco logo abaixo.

Agradeço imensamente ao Prof. Marco por dividir o seu conhecimento na área de levitação acústica. Acredito que essa área será largamente explorada no mercado de trabalho em um futuro próximo. Mas para isso dependeremos de profissionais capacitados no Brasil para desenvolverem pesquisas na área. Keep going! Lot of work to do yet!

 

O que é Ruído de Fachada e Classe de Ruído

Quando falamos de fachadas de edificações está cada vez mais comum falarmos das diversas formas de ruído que chegam nessa fachada e de como podemos trabalhar da melhor maneira para diminuirmos a transmissão desse ruído para dentro dos recintos. Para isso é importante sabermos como realizar uma medição adequada, quais normas são recomendadas, e em qual classes de ruído essa edificação se encontra.

Antes de falarmos sobre questões de medição e classe de ruído é importante comentar que cada vez mais as cidades estão criando seus mapas de ruído com o objetivo de determinar valores de ruído urbano e de como esse afeta a cidade em si e seus habitantes. Resultados de mapas de ruído estão diretamente ligados aos valores imobiliários, pois é preferível vivermos em uma região da cidade com baixos valores de ruído do que em ambientes com altos valores de ruído e também à saúde das pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o ruido urbano é um problema de saúde pública, que pode ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição, zumbido e também problemas extra-auditivos como problemas cardiovasculares, insônia e desconforto. Mas como podemos classificar se estamos vivendo em um ambiente ruidoso ou não?

Classes de ruído

Para falarmos de fachadas de uma edificação, temos a NBR 15.575-4 que  determina  os sistemas de vedação vertical externa (fachadas). As fachadas são as  paredes de separação do recinto para com o ambiente exterior. Tais fachadas devem garantir um desempenho acústico adequado em termos do ruído aéreo, ocasionado pelo tráfego de carros, motos, caminhões, aviões, trens, drones, etc. O desempenho acústico mínimo exigido em norma é função do ruído exterior, no entorno da edificação. Para isso, vamos deixar claro que uma fachada geralmente é  constituída por uma parede, com suas diversas morfologias (sacadas, parapeitos, etc) e por uma esquadria. A esquadria em geral é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Para um bom isolamento acústico, a esquadria acústica deve ter uma atenção especial durante o projeto da edificação, para evitar frustrações futuras. Em especial o calculo de isolamento acústico deve ser realizado considerando a classe de ruído.

A NBR 15.575 determina diferentes classes de ruído, e para cada classe de ruído foram determinados valores de desempenho mínimo, intermediário e superior. Podemos observar abaixo as diferentes classes de ruído que a norma menciona, para o parâmetro de medição D2m,nT,w (diferença padronizada de nível ponderada à 2m de distância da fachada).

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O quadro nos mostra que existem três tipos de classe de ruído. Se tivermos uma habitação em uma área de ruído intenso ( Classe III)o desempenho mínimo da fachada deve apresentar no mínimo ou maior que D2m,nT,w = 30 dB.

Vale comentar aqui que além de medirmos o D2m,nT,w, podemos estimá-lo matematicamente a partir das propriedades dos diferentes elementos do sistema construtivo da fachada. As uniões e as geometrias  afetam a transmissão sonora. Além disso, podemos realizar simulações com softwares específicos para determinar se o sistema projetado atende ou não ao requisito da norma. Há um artigo no nosso blog falando sobre o SonArchitect uma ferramenta usada para esse fim, clique aqui para ler.

Como avaliar o desempenho da fachada?

Primeiro ressalto que para realizar uma medição de perda de transmissão sonora de fachada não é uma tarefa fácil. Para as medições serem feitas de forma adequada, exige-se um conhecimento prévio do assunto, além dos equipamentos adequados. Um profissional capacitado, geralmente sendo um Engenheiro Acústico, ou também um Engenheiro Mecânico ou Engenheiro Civil especializado com mestrado são os profissionais ideais para avaliar o atendimento da norma de desempenho.

A NBR 15.575 indica dois diferentes métodos de medição, o método de controle e o método de engenharia. A precisão do método de controle é inferior, gerando maiores incertezas nos resultados. Por isso, recomenda-se a realização das medições pelo método de engenharia.

A metodologia de medição é especificada pelas normas ISO 140-5 (de engenharia) e ISO 10.052:2004 (simplificado). Ela é baseada na emissão de ruído do ambiente exterior em direção à fachada por uma fonte sonora controlada (alto-falante). A medição dos níveis de pressão sonora é avaliada em bandas de frequência no exterior da residência, a uma distância de 2 metros da fachada, e no recinto receptor, dentro do ambiente. Veja na figura abaixo o indivíduo na janela do primeiro andar colocando o sonômetro a 2 metros de distância da fachada.

A diferença entre esses níveis irá nos dar a Diferença padronizada de níveis (D2m,nT), considerando os efeitos de absorção do recinto receptor. É interessante observar que os erros metrológicos podem chegar a até 3 dB para esse índice conforme o método, segundo o IPT. Após a medição, o resultado pode ser convertido em um número único, através do procedimento existente na ISO 717-1. Assim, a diferença padronizada de nível ponderado é obtida (D2m,nT,w). Esse é o valor que deve ser comparado com o estabelecido na norma NBR 15575-4, de acordo com a classe de ruído. O resultado da medição dá como conclusão do laudo o desempenho acústico de fachada daquela edificação naquelas condições.

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Além disso, está cada vez mais comum cidades possuírem seus mapas de ruído. Um mapa de ruído é importante pois influencia diretamente na valorização (ou desvalorização) de um imóvel. O ruído é um indicador da qualidade acústica de uma habitação, pois o cliente sempre irá optar por viver em um ambiente com mais conforto.

Um mapa de ruído pode ser útil para diagnosticar os problemas de uma região e se a norma NBR 10.151 de ruído em comunidades está realmente sendo eficaz. A NBR 10.151 estabelece os limites máximos de ruído de acordo com o zoneamento da região. Além disso, ela propõe um método de medição de acústica ambiental e indica quais critérios os equipamentos de medição devem atender.

Inovações tecnológicas em acústica ambiental

Além da forma de medição que mencionamos, já existem maneiras inovadoras de realizar um mapa de ruído, usando como por exemplo sensores IoT (Internet of Things) para criar modelos 3D de mais alta fidelidade, que podem capturar a dimensão dos edifícios com precisão de cerca de 5 cm. Você pode saber mais sobre Novos métodos de medição e modelagem de ruído ambiental, aliados à saúde ocupacional em um webinar exclusivo do Portal Acústica clicando aqui. E o mais interessante é que esses dados podem abastecer enormes data centers onde será possível realizar análises de Big Data para acionar alarmes, mecanismos de fiscalização ou até prever comportamentos e aplicar multas.

Devemos estar atentos às diferentes inovação tecnológicas para o cálculo do ruído de fachada, e cabe às construtoras e grandes ndústrias se adequarem a essas diferentes formas de medição para se prevenirem de problemas com a sociedade civil. O perfil dos profissionais necessários para esse tipo de trabalho está se mudando rapidamente. Portanto, para garantir a tranquilidade e saúde da população os órgãos públicos também devem fazer a sua parte, o que consequentemente vai gerar mecanismos mais fortes de fiscalização e por fim mais mobilização das empresas para investir em qualidade de vida.

 

 

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

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Como os drones auxiliam o controle ambiental

Quando a maioria das pessoas pensa em drones, provavelmente associa a uma diversão, ou para fazer boas imagens aéreas. Mas tem muita gente usando eles para aplicações mais refinadas que demandam tecnologia avançada. Esses pequenos brinquedos na verdade podem ser grandes aliados no agronegócio, cinema, aplicações industriais, mas também para a engenharia civil e ambiental. Neste artigo quero explorar um pouco o tema ao usar os drones para realizar mapeamentos que sirvam como base para o controle ambiental. Inclusive esse controle pode incluir parâmetros como térmicos e acústicos.

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Criei um interesse especial sobre esse tema depois de participar o maior Forum de aviação do mundo, o AIAA Aviation Forum, realizado em Denver, onde apresentei um trabalho sobre medição acústica para materiais acústicos em aeronaves no congresso de aeroacústica, o AIAA/CEAS. E esse gosto me levou a estudar mais o tema que compartilho aqui com vocês.

Pablo no congresso AIAA

Pablo Serrano no congresso AIAA/CEAS (Não reparem o penteado…)

Uso de drones em engenharia

Uma empresa russa chamada Geoscan desenvolveu um software chamado Photoscan, que permite coletar diversas imagens aéreas de um drone, referenciar elas através de satélites e com isso gerar mapas tridimensionais de qualidade. Veja o video abaixo.

Imagine agora poder utilizar tais imagens para fazer a gestão de obras em andamento. Uma possibilidade é a entrada neste mapa virtual ultra realístico para realizar inspeções usando realidade virtual, o que não é nada do outro mundo hoje em dia.

Existem diversas aplicações dos drones, e vou listar algumas aplicáveis à engenharia ambiental, mecânica, elétrica e civil abaixo:

  • Mapeamento térmico para inspeção de tubulações utilizando câmeras térmicas
  • Elaboração de modelos 3D para museus e arquivo
  • Controle e gestão de obras
  • Monitoramento de desmatamento
  • Monitoramento de dispersão de gases poluentes
  • Monitoramento de vazamentos de poluentes em águas
  • Inspeção de parques eólicos
  • Inspeção de linhas de transmissão de energia
  • Fiscalização do plano diretor por invasão de áreas
  • Acompanhamento de ocupação do solo

Enfim, o que gostaríamos de salientar, é que os modelos tridimensionais podem ser utilizados como arquivos de alta fidelidade, com precisão de cerca de 5 cm dependendo da tecnologia, para elaboração de modelos de engenharia. Quando digo modelos, podemos pensar em um cálculo matemático usando parâmetros físicos para descrever o comportamento de um fenômeno. Por exemplo a dispersão de um gás em uma cidade, de acordo com a direção do vento, densidade e relevo. Outro parâmetro que depende fortemente do relevo e da absorção dos materiais é o som.

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Modelos de propagação sonora

A propagação sonora em ambientes abertos, por vezes é realizada em softwares, como o iNoise, que simplificam ao máximo o relevo e as propriedades acústicas de absorção dos materiais, e permitem realizar cálculos rápidos dos níveis de pressão sonora. Entretanto, se realizamos algumas medições em pontos específicos e criarmos um modelo, esse será praticamente estático.

Para se ter mais qualidade de detalhes do relevo, os drones permitem realizar medições em intervalos regulares de tempo. E com isso ter mapas atualizados e com alta qualidade, que permitem atualizar o mapa de ruído periodicamente. Se aliarmos a posição de cada medidor de nível de pressão sonora que está realizando uma medição contínua, com as coordenadas de GPS das ortofotos geradas pelas imagens do drone, podemos ter um mapa acústico em tempo real! Isso é incrível e praticamente inconcebível para muitas pessoas, visto o custo computacional. Entretanto, essa pode ser uma solução muito interessante para monitoramento de explosões, de eventos esportivos ou culturais com duração reduzida e que causam um impacto ambiental considerável.

Como fazer isso

Primeiramente é necessário dispor de um drone que tenha capacidade de carregar uma câmera adequada à aplicação. Por exemplo, se o objetivo é determinar a periculosidade em uma chaminé, pode-se utilizar uma câmera térmica que inclusive pode ser colocada em um drone durante a noite para verificar a temperatura e inspecionar rachaduras nas paredes da chaminé.

Depois é necessário um software de processamento de imagens para geração das ortofotos. O Photoscan é uma das alternativas, e o Drone Deploy é outra. Depois de possuir as ortophotos é necessário um software de modelagem acústica, por exemplo o iNoise, que importa os arquivos do relevo e realiza os cálculos de propagação ao inserir as fontes sonoras. Os dados das fontes sonoras podem ser adquiridos em tempo real de uma estação de monitoramento ambiental, ou ainda podem vir de medições realizadas por um profissional que foi à campo.

O site Ambiência Acústica apresenta mais detalhes em termos de legislação e de como isso é realizado considerando fatores importantes como a insalubridade. Essa questão de segurança do trabalho é de extrema importância visto a enorme quantidade de processos trabalhistas advindos da falta de projeto, controle e manutenção de infra-estruturas que abrigam diversos funcionários, os quais estão expostos a agentes de risco.

Outra referência interessante é o projeto BlueAeroVision que trás mais detalhes sobre as diversas aplicações do uso de drones na engenharia. Vale a pena conferir, portanto veja o video abaixo.

 

Se você se interessou e quer saber mais. Nós do Portal Acústica vamos fazer um webinar, neste dia 10/01/2018 às 20h de Brasília, entrevistando o MEng. Rogério Regazzi, que é especialista no tema. Vamos abordar as tecnologias e aplicações, explorando a questão de saúde ocupacional e de controle ambiental.

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Metamateriais acústicos – verdade ou ficção?

O que são e para que servem os metamateriais

Quando falamos sobre metafísica, muitos pensam que é um assunto bastante complexo e teórico. Entretanto, com metamateriais, o assunto é bem palpável e real. Tanto que nos últimos 5 anos a comunidade discutindo e pesquisando esse assunto têm crescido consideravelmente. Por metamateriais entendemos qualquer arranjo físico de um material no qual podemos ter controle sobre as propriedades físicas desejadas. Isso significa, que aplicações de engenharia avançada podem escolher as propriedades requeridas e com isso fabricar metamateriais para atender a esses requisitos. Ou seja, na óptica, precisamos de certa refletividade, certa distância focal, ou ainda outro parâmetro mais avançado.

Agora na acústica, podemos controlar desde parâmetros macroscópicos quando microscópicos. Por exemplo, imagine poder controlar a densidade, resistividade ao fluxo, porosidade, comprimentos característicos térmico e viscoso, ou ainda a tortuosidade e a quantidade de poros abertos e fechados? Além disso, essa tecnologia permite criar materiais porosos compósitos em camadas ou compósitos com propriedades superiores. Uma maneira popular de medir as propriedades macroscópicas do material acústico é usando um tubo de impedância, conforme a figura abaixo.

Tubo de Impedância - Laboratório de Le Mans, FR

Tubo de Impedância – Laboratório de Le Mans, FR

Conversamos com um pesquisador brasileiro em Leuven, Bélgica, sobre o tema durante o SAPEM, simpósio realizado em Le Mans em dezembro de 2017. Noé Geraldo Filho nos conta sua visão sobre o tema.

O quão bom pode ser um metamaterial acústico?

Veja agora o que é possível de realizar com um metamaterial acústico de forma a manter ou reduzir o peso de uma estrutura e ainda assim garantir a absorção sonora de forma que a transmissibilidade sonora seja altamente reduzida. Lembramos que isso é de grande interesse da indústria da construção civil. Isso porque precisamos continuar construindo a um baixo custo, de forma a reciclar materiais e utilizar o mínimo de material evitando disperdícios. Confira no video abaixo.

Problemas e perspectivas

Algumas outras curiosidades em relação à caracterização tanto mecânica quanto acústica dos materiais acústicos porosos e poroelásticos é que os métodos utilizados para determinação dos parâmetros acima citados são diversos. Isso causa divergência entre resultados obtidos com as mesmas amostras em diferentes laboratórios e centros de pesquisa. Um material de difícil caracterizar é a melamina. Esse material atualmente é a base das espumas utilizadas em estúdios, boates e restaurantes no Brasil e no mundo, visto a sua alta absorção sonora e incombustibilidade. Ou seja, é requisito de segurança que hoje não se abre mão em locais de grande circulação de pessoas. Os pesquisadores que estiveram na Denorms Traning School 3, apresentaram um estudo incluindo diversas análises estatísticas e que conta com mais de 15 autores e 9 instituições de pesquisa. A conclusão é que um método padronizado é mais do que necessário para a caracterização mecânica de materiais porosos, incluindo parâmetros como o módulo de Young e o coeficiente de poisson. Esses valores são críticos para o projeto de componentes mecânicos para a indústria automotiva, aeroespacial e médica.

Veja os comentários de Pablo Serrano sobre o tema nesse video abaixo, onde ele discute essa questão, incluindo a problemática dos atuais métodos de obtenção do coeficiente de absorção sonora em ambiente difuso usando câmaras reverberantes.

Se você gostou deste tema, por favor baixe o nosso guia de softwares em acústica clicando aqui e fique por dentro dos webinars que organizamos regularmente. Eles permitem o constante contato de nossa comunidade apaixonada por acústica e a troca de experiências entre os profissionais do ramo. Fica abaixo o convite para o webinar sobre acústica em igrejas com o Arq. Cristhian Nascimento, profissional de acústica e iluminação e palestrante do TEDx.

ProAcústica, o que é e o que faz essa associação?

Acústica é um nicho de mercado bastante interessante com muita potencialidade e profissionais em formação. Prova disso é a criação recente da ProAcústica em 2012 e lançamento em 2011. A ProAcústica Associação Brasileira para a Qualidade Acústica é um entidade sem fins lucrativos que tem por finalidade congregar empresas e profissionais, dispostos a alavancar o desenvolvimento da Acústica Aplicada no Brasil, campo que abrange também a Ciência das Vibrações. Atualmente a associação conta com cerca de 70 associados, entre eles fundadores, efetivos e beneméritos. São tanto empresas quanto pessoas físicas que atuam no mercado de acústica no Brasil. A missão da ProAcústica é “promover e divulgar para a sociedade a importância da boa técnica, da qualidade acústica nas edificações e no meio ambiente, como fator de bem-estar e saúde.” Uma missão que se assemelha com a do Portal Acústica que é “entregar à sociedade informação relevante sobre tecnologias, produtos, serviços e profissionais de acústica, visando auxiliar o mercado consumidor e estimular parcerias.”

ProAcustica

A diretoria da ProAcústica reelegeu como presidente executivo Edison Claro de Moraes para o Biênio 2018 e 2019, uma pessoa muito influente e engajada com a causa da acústica no Brasil. A diretoria ficou assim:

Diretoria Executiva
Presidente Executivo | Edison Claro de Moraes
Vice-Presidente Administrativo Financeiro | Alberto Safra
Vice-Presidente de Atividades Técnicas | Marcos Cesar de Barros Holtz
Vice-Presidente de Comunicação e Marketing | Luciano Nakad Marcolino
Vice-Presidente de Relações com o Mercado | Carlos Gabriel Caruy
Vice-Presidente de Recursos Associativos | José Carlos Giner

Conselho Administrativo
Presidente | Omair Roberto Zorzi
Vice-Presidente | Fernando Medeiros Alcoragi
Conselheiro 1 (efetivo) | Juan de Frias Pierrard
Conselheiro 2 (efetivo) | Cândida de Almeida Maciel
Conselheiro 3 (efetivo) | Débora Miranda Barretto
Conselheiro 4 (suplente) | Davi Akkerman
Conselheiro 5 (suplente) | Rafael Schmitt
Conselheiro 6 (suplente) | Marcelo de Godoy

Entre as diversas ações da ProAcústica, podemos citar os comitês técnicos de Acústica ambiental e o de Acústica nas Edificações. Ambos com forte influência nos campos técnicos e políticos, visando a integração e discussão de temas ligados ao assunto para melhoria da técnica, consolidação de métodos, discussão de normativas do setor, etc. Os comitês são fóruns abertos aos associados que permitem avanços no setor. Cada comitê criou grupos de trabalho (GTs) para dar andamento a tópicos específicos. Há portanto, os GTs de:

  • GT Mapa de ruídos
  • GT Acústica de escolas
  • GT Pisos e Mantas
  • GT Salas Especiais

O fruto destes grupos de trabalho são padronizações quanto a ensaios dos materiais, questão de calibração dos equipamentos, melhores métodos a aplicar, necessidades do setor em termos de legislação e outros. Convém salientar que as normas brasileiras em acústica estão passando por uma reformulação muito importante, que oferece diversos benefícios à sociedade. E tais comitês técnicos têm sido de grande importância neste processo.

Prova disso é a disponibilização da nova versão da NBR 10.152, dia 24/11/2017, com o título: Acústica — Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações. Essa norma é fruto do trabalho do CB-002 de Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT. Em relação à versão anterior, existem diversas melhorias. Assim como vem sendo realizado com a NBR 10.151, nomeada como: Acústica — Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em ambientes externos às edificações. Essas melhorias estão atualizando o Brasil em termos de normativas, e tornando o mercado mais bem preparado para lidar com o tema. Países desenvolvidos já passaram por uma extensiva modificação de suas normas, para atenderem e serem harmônica em relação às normas internacionais.

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Recentemente houve uma reunião na ProAcústica para discussão do Mapa de Ruído de São Paulo. O grupo de especialistas acústicos têm se reunido com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para discutirem ações conjuntas na elaboração do mapa de ruído, buscando harmonizar os aspectos técnicos por meio de estudos de casos reais e recentes. Esses serão a base para as melhores práticas em mapeamento de um futuro “Projeto Piloto” adaptando modelos internacionais de mapeamento sonoro à realidade de São Paulo. O desafio é constituir uma rede de ação e gestão integrada para compartilhamento de dados e processos e desenvolver uma linguagem metodológica comum para aplicação após regulamentação da Lei. Um processo complexo que envolve checagem de dados e verificação do grau de atualização das informações para obter um retrato fidedigno dos impactos sonoros do ambiente urbano de São Paulo. Na minha visão uma ação que deve aplicar tecnologias de Big Data para garantir históricos em grandes bases de dados que permitam acompanhamento contínuo e que deixa lastros para eventuais processos jurídicos que envolvam ruído.

Vejamos como irá se desenrolar essa carruagem, mas ao menos a ProAcústica está presente e atuante para auxiliar neste processo, junto com outras entidades, como a Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC).

Gostou do tema? Deixe seu comentário para nós, ficaríamos muito felizes em ajudar.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.

Acústica para auditórios – Quais problemas contornar?

Existem projetos acústicos complexos, como salas de concerto multiuso e teatros. Entretanto, em geral temos visto a multiplicação de auditórios de 50 a 200 pessoas com o objetivo de treinamento corporativo. Muitos destes ambientes possuem dimensões pequenas a médias, onde o objetivo principal é otimizar o espaço ao máximo. Entretanto, o projeto de auditórios destes ambientes é por vezes negligenciado devido a falta de entendimento dos conceitos básicos de acústica. Como consequência, as pessoas acabam por contratar sistemas de som, ou mesmo uma consultoria para resolver os problemas acústicos em um estágio já avançado da obra, o que encarece a obra, visto que fica complicado consertar o que deveria já ter nascido bem.
Portanto, nossos objetivo neste artigo é identificar os principais problemas encontrados nos projetos de acústica para auditórios. Para assim, prever o aparecimento de tais problemas, e caso necessário, você já tenha conhecimento das principais métricas para avaliar a qualidade acústica de um auditório antes dele sair do papel. Vamos lá!

Defeitos acústicos em auditórios

Entre os principais problemas relatados em auditórios de pequeno a médio porte, vamos citar alguns que estão relacionados à homogeneidade do som no ambiente, à capacidade do auditório em absorver o som do ambiente, e outros estão ligados a inteligibilidade da voz.

Focalização

Nesta figura abaixo podemos ver alguns raios acústicos de uma fonte pontual em um palco. Conforme o som bate em uma parede côncava ao fundo, assim como a luz, eles formam um ponto focal. Esse defeito pode causar bastante desconforto em algumas posições de audição, e deve ser evitado quando detectado. Veja que os teatros e auditórios em formato de ferradura podem vir a apresentar esse problema.

exemplo de ponto focal

Exemplo de ponto focal

Falta ou excesso de absorção

No que tange a quantidade de absorção sonora, podemos partir de uma avaliação bem básica usando a fórmula de Sabine. Essa fórmula considera alguns elementos do ambiente como áreas de cada superfície (paredes, piso e forro) além do volume da sala e absorção média dos materiais acústicos. A fórmula fornece um valor razoável como um chute inicial para determinar o tempo de reverberação. O tempo de reverberação ideal para cada sala varia de acordo com o volume de cada auditório. E em outras aplicações, como música em teatros, em geral o tempo de reverberação ideal é mais alto do que em auditórios. Diversos estudos foram feitos em auditórios reais e em geral o tempo de reverberação para auditórios deve ser da ordem de 0,8 a 1,2 segundos. Isso porque uma sala muito seca (pouca reverberação) não nos dá uma sensação de intimidade. Já uma reverberação muito longa pode vir a confundir o ouvinte, que pode ouvir uma sílaba que sai diretamente da boca do orador, juntamente com outra sílaba emitida anteriormente, fundindo ambas. Ao ouvir duas sílabas juntas em níveis parecidos, pode ser que a pessoa caracterize o som como “embolado”, o que causa desconforto. Esse defeito é decorrente da absorção.
LB Home Auditório Artefacto - Bahia, Brasil.

Inteligibilidade

Em termos de inteligibilidade, temos que ter em mente que podemos estar falando de nível ou de cobertura, ou seja, caso o ouvinte esteja muito distante, pode ser necessário o uso de um sistema de som. Por outro lado, caso haja falta de cobertura sonora em algumas frequências, pode ser difícil distinguir sílabas similares.
Entretanto, devido a característica de absorção dos materiais e sua distribuição, podemos ter locais com diferente distribuição do conteúdo de frequência do som. O interessante é medir os parâmetros ao obter respostas impulsivas da sala. Veja um video que explica um pouco disso neste artigo aqui. Existem parâmetros técnicos e quantitativos que permitem avaliar esse aspecto de inteligibilidade. Entre eles podemos citar:

  • A articulação das consoantes, ALCons
  • O índice de transmissão da fala, STI

Sendo que indiretamente o tempo de reverberação pode ser considerado um parâmetro de inteligibilidade. Exploramos mais sobre esse tema neste post aqui. Se você quiser se aprofundar um pouco mais aconselhamos a dissertação da Profa. Gabriela Kurtz Oliveira que pode ser vista aqui.

Gostou do tema? Deixe seu comentário para nós, ficaríamos muito felizes em ajudar.

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O que é Aeroacústica e quem trabalha nessa fascinante área?

Um lindo dia de sol em Florianópolis, SC e mais de 40 pesquisadores de todo o mundo discutindo os rumos de uma fascinante área de conhecimento, a Aeroacústica. Foi assim no primeiro dia da Escola de Primavera de Aeroacústica, um evento que reuniu os mais gabaritados profissionais do mundo no Costão do Santinho entre os dias 23 e 26 de Outubro de 2017. Neste artigo você saberá do que se trata esse intrigante tema, e quais são os principais desafios da academia e da indústria que podem vir a movimentar o mercado.

Aeroacústica o estudo do som influenciado por escoamentos

Não é muito fácil observar os efeitos das condições ambientais na propagação de ondas sonoras, principalmente se o som é gerado por escoamentos de qualquer fluido, o qual pode gerar turbulência e com isso ruído. Vários efeitos são causados por variações de temperatura e de velocidade do ar, ainda mais se temos a interação entre uma estrutura rígida e sólida o que também pode causar forças aerodinâmicas e consequentemente ruído. Desta forma, esse campo de estudo é bastante complexo e desafiador. Muitos autores divergem quanto aos modelos criados para representar os fenômenos aeroacústicos em determinadas condições, e além disso, os experimentalistas divergem dos analíticos e dos numéricos, que são as tribos conhecidas por tomar diferentes abordagens aos problemas.

Para que serve a Aeroacústica?

Muitos problemas da indústria podem ser resolvidos aplicando simplificações em fórmulas matemáticas que representam o comportamento aeroacústico de uma determinada configuração. Para sermos mais específicos, hoje em dia os principais problemas estão ligados à indústria aeroespacial, de refrigeração e automotiva. Isso envolve em grande parte o desenvolvimento de aeronaves, trens, drones, dutos industriais, atenuadores, escapamentos, e outros. E no fim das contas o ruído ocasionado por esses meios de transporte ou equipamentos pode vir a interferir na nossa saúde auditiva ou na nossa qualidade de vida em comunidades. Portanto, o desafio dos profissionais desta área é gerar valor ao negócio, atendendo critérios de certificação e ao mesmo tempo balancear os prós e contras que uma adequação acústica pode proporcionar em outros critérios, como desempenho, consumo de combustível, poluição do ar e incômodo.

Quem são os profissionais da área?

Como essa área é bastante complexa, existem poucos profissionais no mundo que pesquisam e atuam efetivamente com aeroacústica. Se você pretende atuar em acústica, veja o depoimento do Denison Oliveira, profissional do ramo, neste video.

Uma excelente iniciativa foi reunir tais profissionais em Florianópolis para discutir o tema em alto nível. Uma parceria entre a UFSC e a KTH, duas instituições de ensino superior do Brasil e da Suécia respectivamente, trouxe quase 50 profissionais para formar a Escola de Primavera em Aeroacústica, que ocorreu dos dias 23 a 26 de Outubro em Florianópolis com o financiamento Sueco. Entre os envolvidos estão diversos acadêmicos que atuam com pesquisa e representantes da indústria nacional. No terceiro dia houve uma visita técnica ao Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC, o LVA, e uma mesa redonda coordenada pelo professor Julio Apolinário Cordioli, organizador do evento, para discussão dos rumos e desafios da indústria. Nos próximos parágrafos vou repassar algumas anotações que fiz ao traduzir a visão de cada participante desta mesa redonda e de alguns dos mais influentes pesquisadores, visto que tudo foi feito no idioma inglês. A minha intenção não é traduzir literalmente o que cada um falou, e aviso que possam haver más interpretações da minha parte. Entretanto, o objetivo é repassar à comunidade a importância do estudo nesta área.

RIG de Jato UFSC
Essa é a bancada de ensaios de ruído de jato construída no LVA em parceria com a EMBRAER para pesquisas dos efeitos de instalação e interações dos jatos com placas, simulando o efeito entre a saída de uma turbina e os flaps de uma aeronave.

Painel – Futuro da Aeroacústica e desafios da indústria

Eduardo Lobão – Embraer

O design de aeronaves é altamente multidisciplinar. Há muitos conflitos de necessidades das disciplinas de projetos e é um desafio incorporar variáveis de ruído que atendam tanto à certificação das aeronaves quanto às estratégias de negócio nas empresas grandes como a Embraer. Uma coisa é o incômodo das comunidades, e outra coisa é a certificação das aeronaves. Não podemos comparar as aeronaves usando somente essa métrica do EPNL, mas precisamos de melhores maneiras de prever esses valores, mesmo tendo uma variabilidade grande. Há maneiras de trabalhar com comunidades e como endereçar os problemas, mas precisamos separar as certificações individuais de cada aeronave disso. Quanto a análise estatística de Monte Carlo, pode ser algo bem interessante em termos de previsão, visto que estamos usando parâmetros estimados, e com isso temos que ter uma visão holística em relação aos resultados. Bases de dados de baixo custo são necessárias de forma que ferramentas empíricas sirvam para design nas primeiras etapas de concepção das aeronaves. Algumas tecnologias são baseadas em geometrias mais complexas de peças e novos sistemas de propulsão, mas tudo é muito incerto, com grandes projetos da NASA dando sinais de bons prognósticos para o futuro. O SILENCE project da Embraer é muito importante para mostrar os problemas às pessoas e como podemos colocar a comunidade científica em contato com a indústria para chegarmos a projetos de inovação e de alto impacto.

Fernando Catalano – USP

Quanto ao ruído aerodinâmico temos que ter em mente que tudo tem interdependências e impactos em consumo de combustível, emissão de gases, eficiência aerodinâmica e ruído. Os motores turbofan estão aumentando de tamanho, com uma tendência a termos nacelles (entrada do duto da turbina) cada vez mais curtas e finas. Devemos também manter as melhores práticas de redução de combustível e poluição, mas para isso precisamos pensar mais na fase de design da aeronave. A integração do pessoal de aerodinâmica e de ruído é fundamental para adquirir bons resultados, e isso está na agenda no momento. Os liners (materiais de revestimento de motores de aeronaves) são importantes para os novos designs de aeronaves na visão do professor da USP. Não há como “curar” um trem de pouso, mas podemos otimizar os efeitos de ruído na fase de concepção do produto. Enfim, a certificação de ruído das aeronaves pode ser crucial para se manter ou sair desse mercado de aeronaves.

Paul Murray – ISVR

Os liners devem trabalhar em frequências mais baixas, portanto, temos que ter certeza que nossos modelos funcionam bem e que podemos trabalhar em espaços diminutos e mais curtos tendo melhor eficiência. Precisamos avaliar todas as condições de antemão para prever o efeito dos liners. Baixo custo é essencial e as camadas limites devem ser melhor estudadas para entendermos como a skin friction velocity do escoamento se dá, e com isso para termos melhores previsões da impedância do material. Precisamos considerar modelos 3D na fase de projeto, e como os modos e a incidência do som afeta a eficiência dos materiais de tratamento acústico das aeronaves. Se irmos para estruturas de fibra de carbono, teremos um problema de como isolar o ruído interno nas aeronaves comerciais, principalmente para quem está na primeira classe e paga mais pela passagem. Então se as aeronaves ficarão mais leves, teremos que tratar melhor a questão de isolamento acústico nas cabines. Temos ideias em termos de cavidades curvas de materiais de tratamento acústico, mas a fabricação é difícil e melhores métodos de manufatura devem ser utilizados.

Hans Boden – KTH

Os aviões elétricos, assim como carros elétricos são algo inovativo e que merece atenção em termos das inovações e baixo ruído. O problema é a autonomia das baterias, mas em um futuro próximo isso será resolvido. A incomodação das pessoas quanto ao ruído foi avaliada nas residências na Europa, mas ainda não temos como usar essas informações para melhorar as métricas ou modelos preditivos em incômodo. o Prof. Fernando Catalano também concorda que é um tópico quente e que agora foi feito um comitê para discutir modelos elétricos de aeronaves.

Damiano Casalino – TU Delft

Tivemos problemas para reduzir ruído em trens de pouso, mas há muito o que fazer. Precisamos também falar em revestimentos para atenuar grandes faixas de frequência. O que podemos fazer também é otimizar cada segmento dos revestimentos para obter ótima atenuação do som em cada parte da nacelle, o que não é feito hoje em dia. Temos muitos riscos nesses tipos de projeto, principalmente na instalação de flaps próximo aos jatos, mas temos iniciativas de materiais de atenuação nos flaps que são uma ótima ideia. Os aviões ultrasônicos são algo novo que estão melhorando em termos do sonic boom, e pode ser uma ótima e rápida alternativa para voos sobre o mar. No entanto, as incertezas e a variabilidade dos dados experimentais em geral é ainda grande, não somente em relação ao ruído subsônico, podendo chegar a 7dB. Portanto temos que ter cuidado e reduzir essas incertezas. A métrica EPNL não está representando a audibilidade, portanto temos que reavaliar essa métrica. Outra coisa são as grandes simulações, que podemos usar para fins de educação e a indústria tem que promover a oportunidade das pessoas verem e estudarem isso.

Willian Wolf – UNICAMP

Ele questiona como investigar os problemas que temos em aeroacústica, visto que temos diversos problemas na indústria e que não são compartilhados na academia. Por exemplo, será que os métodos numéricos são realmente realizáveis? O quanto a indústria está disposta a pagar para ter melhores previsões de alta fidelidade em termos de ruído? Claro que temos mais capacidade computacional e técnicas conhecidas, mas precisamos saber onde estamos indo. Há possibilidade de usarmos machine learning em modelos reduzidos para aprender mais dos dados que temos? Enfim, precisamos de mais gente para trabalhar nesses tópicos, tanto na academia quanto na indústria.

Gwenael Gabard – Université du Maine

O que podemos tirar dos dados que já temos? Uma grande simulação dá muita informação, mas precisamos entender se aquilo é fisicamente possível. Precisamos portanto de parâmetros mais realistas da indústria para guiar os esforços de pesquisa e que, no fim das contas, realmente representem algo realizável e factível.

Guillaume Brés – Cascade

Precisamos de pesquisa aplicada, mas também de pesquisa básica da academia. Falamos muito de aplicações subsônicas, mas as aplicações militares são em geral supersônicas, e neste caso temos outros problemas de ruído muito maiores. Os pilotos de aeronaves militares precisam de capacetes para reduzir o ruído, e isso pode apresentar problemas de saúde também. É um desafio multidisciplinar e com muitas frentes, sendo que modelos com fidelidade podem ser necessários. O desafio está posto, mas precisamos de dados experimentais bem documentados para causar um bom impacto.

Luc Mongeau – McGill

Os desafios da indústria são guiados pelas certificações. Os procedimentos hoje adotados dão uma ideia do ruído, mas muitas fontes surgiram. Na certificação não se vê cada parte em separado, mas sim valores globais em condições de decolagem, cruzeiro e pouso, não sendo possível separar cada fonte de ruído. Precisamos rever as recomendações em termos dos níveis de certificação, conclui. Para tal, pesquisamos o ruído de várias aeronaves e com isso nos deram a possibilidade de usar uma “bola de cristal” e prever o futuro. Não queremos matar a indústria, mas precisamos de níveis que sejam desafiadores para irmos em frente. Estamos vendo novas aeronaves indo muito bem em relação aos critérios das certificações nos dias de hoje. Mas os procedimentos atuais usados na certificação são realmente adequados e estão servindo aos propósitos de reduzir o ruído nas comunidades próximas aos aeroportos? Se as condições e métodos estatístico evoluírem, podemos usar isso para avaliar de uma maneira geral o ruído.

Concluindo

Na minha visão a indústria brasileira tem sido muito feliz em manter um bom relacionamento com a academia, mesmo havendo bastante segredo industrial. No entanto, a complexidade requerida hoje para se certificar uma aeronave é algo que não é para qualquer profissional. Essa área é extremamente complexa e pouquíssimos chegam no nível de discussão e de entendimento do assunto como esses profissionais. Então fica aqui meu agradecimento aos organizadores e pela oportunidade de cobertura do evento. Espero que tenhamos mais desafios com mais tipos distintos de aeronaves nos próximos anos e que seja possível criar conhecimento e inovação sem barreiras quanto ao uso do espaço aéreo, sempre respeitando os ouvidos e com isso a saúde e o bem estar.

Espero que tenham gostado e que continuem visitando o Portal Acústica. Se tiverem interesse em mais material sobre acústica, separamos um e-book sobre ferramentas computacionais para você se verificar quais pode utilizar em sua aplicação ou pesquisa. O download é gratuito ao clicar aqui ou na imagem abaixo.
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Acústica de salas e teatros – o Palácio da Música Catalã

O Palácio da Música Catalã, em Barcelona (Espanha), é um magnífico patrimônio cultural tombado pela UNESCO.

Ele foi construído por Lluís Domènech i Montaner, que o finalizou no ano de 1908. É um marco para o movimento de arte Modernista da região da Catalunha e um excelente objeto de estudo para acústica de salas.

Estive lá no teatro para apreciar um espetáculo de dança flamenca, que realmente foi incrível. Infelizmente não pude filmar o espetáculo mas conseguir gravar um video para mostrar um pouco da arquitetura do local. Como sempre gosto de comentar sobre a acústica, sendo que esse local realmente é primoroso em termos decorativos e sonoros. Veja o que falo sobre o assunto abaixo:

Ah, como citei no video, segue o link para você se inscrever e ganhar todos os webinares gravados na sua caixa de e-mail.

O arquiteto Lluís Domènech i Montaner utilizou azulejos no teto para criar uma estrutura difusora que espalha o som e com isso evita o flutter echo, um defeito acústico muito conhecido devido ao paralelismo de paredes. Devido à boa distribuição de público e de cadeiras estofadas, o tempo de reverberação permanece controlado. Como o teatro é utilizado para peças teatrais e para música moderna, o tempo de reverberação um pouco mais baixo é benéfico. Já para música sinfônica o ideal é um tempo de reverberação mais alto, sendo que depende muito do volume do local e de quanto cada material utilizado:
1 – absorve,
2 – reflete,
3 – difunde.

O que dá o diferencial realmente é a questão da difusão, transmitindo uma sensação de espacialidade e boa distribuição. Além disso, os materiais acústicos que revestem as poltronas auxiliam na absorção do som, o que é deveras importante e permite grande flexibilidade no projeto acústico do arquiteto. Se você é arquieto, considere utilizar poltronas com os coeficientes de absorção conhecidos para alterar as propriedades da sua sala e com isso ajustar a acústica em termos do tempo de reverberação. Outros parâmetros podem ser avaliados neste tipo de projeto, como C80, EDT e D50. Posso explicar mais sobre esses conceitos em outro post. Muito da determinação destes parâmetros pode ser feito através de um modelo computacional do teatro. As ferramentas mais conhecidas do mercado são o Odeon, que é o mais completo, o EASE, que trabalha bem com projeto eletroacústico, e o CATT Acoustics, que é mais simplificado mas resolve a maioria dos casos com geometrias mais fáceis de trabalhar.

Veja só como diversos detalhes podem influenciar na melhora da acústica de salas, seja a estrutura física do ambiente ou detalhes nos materiais utilizados nos móveis.

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Querendo saber mais sobre acústica e vibrações? Observe que um dos maiores problemas brasileiros é a falta de projetos de controle de ruído ocasionado por equipamentos prediais e pelo arrastar de móveis ou salto alto em edifícios residenciais. Que tal se inscrever no nosso webinar exclusivo sobre como controlar a vibração em edificações com o especialista Moysés Zindeluk e se preparar para atender todas as normas brasileiras de desempenho acústico?

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Resolva o problema de ruído em apartamentos – Webinar

Na semana que vem vamos trazer um especialista sobre vibração e ruído para atravessar o Portal Acústica e nos mostrar diversos estudos de caso para responder a seguinte pergunta:

Como controlar vibrações em edificações?

Esse é um problema um tanto comum na maioria dos apartamentos brasileiros, que são em sua maioria feitos de alvenaria. O concreto, por ser bastante rígido, apresenta alta velocidade de propagação das ondas e pouco amortecimento, causando propagação do ruído gerado por vibração. Essa vibração é de alta faixa de frequência se for gerada por um impacto, ou seja, uma curta duração de tempo de contato entre dois objetos, ou um choque inelástico. Neste caso, o mais comum em edifícios é o bendito salto alto ou o arrastar de móveis. Entretanto, algumas pessoas se encomodam com ruídos mais intermitentes e por vezes gerados por equipamentos prediais mal isolados da estrutura.

O consultor e especialista Moyses Zindeluk irá abordar esse tema e mostrar como podemos evitar esses problemas básicos mas que fazem toda a diferença na qualidade de uma edificação. Muitas construtoras ainda não tem experiência no assunto e por vezes só tomam conhecimento do problema em um estágio muito avançado do processo (após entregar o produto ao cliente final). Lembramos que o ideal seria realizar os ensaios de desempenho acústico do sistema instalado após um criterioso projeto que visa atender um certo nível de qualidade, de acordo com o padrão da obra.

Os clientes estão cada dia mais exigentes, e as normativas cada vez mais apertadas. Então, tanto as construtoras, quanto as empresas que fornecem insumos à construção civil devem estar preparados para não ficar atrás da concorrência. Além disso, um imóvel de qualidade é muito mais fácil de vender. E nesses tempos de melhoria gradual da economia, esse pode ser o diferencial entre uma construtora atenta e outra que está em vias de ir à falência.

Confira o webinar exclusivo do Portal Acústica dia 03 de Outubro às 11h, ao se inscrever através deste link aqui.

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