Cristais sônicos: uma elegante tecnologia acústica

Antes de falarmos sobre os Cristais Sônicos, é importante contextualizar o ambiente que fez com que esta solução acústica tomasse corpo:

Você sabia que o ruído é responsável pelo estresse, problemas de sono, poluição sonora, incômodo e outros problemas de saúde graves? E se te dissesse que mais de 210 milhões de pessoas na Europa estão expostas a níveis de ruído rodoviário perigosos? E que tal 50.000 pessoas mortas por ataques cardíacos associados ao ruído, podendo este número chegar a 200.000 pessoas segundo uma pesquisa holandesa? Estão estimados custos de 42 bilhões de euros anuais na Europa por conta da poluição sonora.

Então como reverter isso para viver tranquilamente?

Estudos atualmente apontam para a solução utilizando cristais sônicos que são cilindros dispostos a distâncias diferentes um em relação ao outro, criando uma barreira acústica com vista livre no meio mas que permite atenuar as frequências mais incômodas do ruído gerado. Os fenômenos de difração e reflexão são combinados em algoritmos que fazem a distribuição destes cilindros em um espaço físico que oferece uma vantagem imensa em relação às barreiras acústicas tradicionais. No método tradicional há reflexão de um lado e de outro da rodovia através de barreiras pesadas e altas, o que gera altos níveis de ruído dentro da rodovia e impedem a passagem de qualquer pessoa, animal ou mesmo ar pela barreira. Isso degenera a paisagem da região e os fluxos de ar não permitem resfriamento da rodovia. São soluções complexas de se projetar mas que oferecem vantagens notórias. O fato é que, para se utilizar largamente os cristais sônicos, muito estudo a respeito de difração em cilindros e algoritmos de otimização são necessários para atingir uma maturidade ao utilizar tal tipo de tecnologia.

Quem projeta esse tipo de solução necessita de conhecimentos avançados de difração, processamento de sinais para avaliar o comportamento físico destes cristais em laboratório e também precisa ter boas noções de engenharia ambiental. Quem sabe profissionais ligados à engenharia civil tenham bom diferencial ao se tratar de projeto de rodovias que podem receber tais soluções. Ademais, o engenheiro acústico é o profissional ideal para resolver tal questão.

Innovation & Research FOCUS, edição 92
Baseado na Fonte: http://bit.ly/29jKnlZ

 

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Entrevista: Entenda o que é Plataforma BIM e como a acústica se beneficia dela

Para entender como funciona a integração de projetos na construção civil pela Plataforma BIM, o Portal Acústica convidou o estudante de engenharia civil Alexandre Eliseu da Silva para responder algumas perguntas. O quase Eng. Alexandre é estagiário da empresa UP PLANEJAR EMPREENDIMENTOS e trabalha na área de orçamentação em plataforma BIM utilizando modelagem 3D, além de já ter sido intercambista na Austrália, onde começou a desenvolver esse interesse.

Alexandre, em primeiro lugar queríamos entender o que é exatamente a plataforma BIM?

O BIM é uma ferramenta que permite a união de informações, controle de processos e interpretações em softwares com modelagem 3D. Ou seja, através da compatibilização de dados, projetos e planejamentos, que abrangem toda construção civil, a ferramenta tenta alcançar, ao máximo, o modo com o qual a construção será realizada.

As evoluções dos softwares têm intensificado a inserção da plataforma BIM no mercado, o qual tem como objetivo facilitar e integrar a concepção de projetos em uma construção. BIM não está vinculado apenas a um software. Building Information Modeling, como todos conhecem, é um processo que tem início desde a concepção do projeto, enquanto ainda são coletadas informações cruciais para o desenvolvimento da ideia até a operação do produto final.

Podemos defini-lo como uma plataforma, devido à maneira com a qual as informações são interligadas entre os responsáveis pelo projeto. Posteriormente, na modelagem utilizando os softwares específicos de cada especialidade, são definidas relações paramétricas que irão facilitar qualquer alteração do modelo em tempo real.

Quando é gerado um elemento em um software dentro do plano BIM, esse irá possuir todas as informações necessárias para sua real concepção e aplicação, razão pela qual, há a necessidade da modelagem de maneira específica, com muito mais complexidade e obtendo todos os parâmetros do material e não só da geometria. Esse processo irá evitar qualquer problema integrado à falta de informações, visto que a modelagem é feita a partir das próprias informações. Ainda podemos definir o BIM como uma ferramenta de gerenciamento, a qual será utilizada durante toda vida útil da obra.”

Você falou que “BIM não está vinculado apenas a um software”. Então, quais softwares podem contar com essa plataforma?

Empresas com foco em design de softwares têm mostrado um crescente interesse na adequação de seu trabalho ao mundo BIM. Alguns softwares mais conhecidos pelos usuários dessa plataforma são o ArchiCAD, mais antigo programa vinculado a plataforma, e o Revit, software amplamente difundido por tratar-se de um programa da empresa Autodesk. Há outros softwares como o Bentley Architecture, o qual é construído sobre a plataforma Microstation (CAD), e Vectorworks, da Nemetschek, programa em BIM, também com modelagem em 3D, porém não tão disseminado quanto os anteriores. Esses são conhecidos por serem intuitivos e cada um deles possuem suas respectivas vantagens e desvantagens.

Há também alguns softwares voltados para a visualização de projeto, os quais, além de facilitar uma análise da obra, podem detectar incompatibilidades e gerar uma maior organização do projeto.

A atual evolução é ainda mais visível quando notamos que esses geram e exportam arquivos em extensão IFC (Industry Foundation Classes), criado pelo grupo Building Smart. Esse formato de arquivo para dados em arquitetura aberta possui uma linguagem simplificada e está sendo cada vez mais implantada em softwares para troca de modelos entre plataformas. Um desses exemplos é o Eberick V10, lançado recentemente, já possui a opção de exportação em .ifc, o que facilitará a integração no universo BIM.

E o Autocad? Este software mais usado pelos engenheiros civis não participa da plataforma?

O AutoCad é apenas uma substituição de folhas vegetais, lápis e canetas. O BIM visa maior facilidade de visualização, acúmulo de informação, e tratamento de especificidades, ou seja, o AutoCad não se enquadra nos conceitos da plataforma e apesar de ser um software muito usado não faz parte dela.

No meio de tantos softwares que facilitam a área de construção civil, qual seria o diferencial e a importância desta tecnologia?

Incompatibilidades, atrasos, alterações de projeto, despesas que não estavam previstas são alguns dos problemas recorrentes oriundos da falta de informação e integração entre todas as partes de um projeto. A falta de detalhes e conhecimentos tende a extinção com o avanço do BIM, o qual tenta proporcionar maior precisão e acúmulo de dados para uma completa modelagem e adequada operação, tudo realizado em um menor tempo.

Como todas as áreas, inclusive a acústica, pode se adequar a essa nova realidade virtual? Dê-nos um exemplo de como compatibilizar um projeto acústico com um hidrossanitário?

Como é observado atualmente, ainda é um desafio encontrar pessoas que tenham experiências significativas com a plataforma BIM, complicando essa inserção nas diversas áreas que poderiam aderir esse conceito. O conhecimento está se disseminando e a internet tornou-se um dos melhores meios para pessoa adequar-se a esse progresso.

A engenharia acústica é um dos maiores beneficiados quanto à evolução da maneira de pensar em projetos. Projetistas estarão cientes das necessidades e utilizarão o BIM para conseguir suprir essas questões, coletando informações e adequando os modelos à inclusão de projetos acústicos. Não haverá remediações devido à falta de conhecimento na concepção de projeto, tornando um projeto acústico mais preciso e barato do que seria nos casos de má elaboração ou falta desses específicos projetos. O BIM proporcionará a inserção de todas as informações, fazendo com que todos os projetos trabalhem da melhor maneira possível, extinguindo incompatibilidades e quaisquer problemas.

Por exemplo, quando utilizado o REVIT, elementos, ao serem modelados, são agrupados em diferentes famílias. Neste, e em alguns outros softwares da plataforma, existe uma função denominada “clash detection”, a qual tenta evidenciar quais locais ocorreram erros na modelagem ou no projeto, como um cano atravessando uma viga. Assim, quando há esses choques que poderiam ocasionar futuras preocupações, alguns softwares em BIM avisam essas incompatibilidades, as quais podem ser solucionadas com devida antecedência.

O mesmo pode ser observado em um projeto acústico, que teriam incompatibilidades evidenciadas com maior facilidade. Se uma solução acústica projetada é incompatível com qualquer outro elemento de outro projeto e for, devidamente, modelado em software BIM, esse irá ratificar a existência desses problemas e, assim, poderá ser adotada soluções mais adequadas.

Plataforma BIM

Por enquanto, só vimos vantagens com a plataforma. Existe alguma desvantagem ou dificuldade em relação a essa plataforma?

A maior dificuldade dessa plataforma reside no termo “interoperabilidade”, o qual é definido como a comunicação que os softwares em BIM terão entre si. Há muito conflito de interesses das empresas com relação à utilização dessa plataforma, pois criar esse tipo de conectividade facilita a migração de softwares e, consequentemente, a possível perda de usuários para outras empresas.

A resposta para isso surgiu com o formato IFC que tenta integrar softwares, fazendo com que modelos possam ser utilizados em diferentes softwares. Contudo, há uma significativa perda de informação nessa transição, são gerados elementos mais genéricos, com significativa perda de propriedades/funcionalidade e ainda há erros em detalhamentos quando realizada essa mudança, os quais não podem ser corrigidos devido à restrição para qualquer alteração de elementos, perdendo um pouco as características BIM.

Já fazem dois anos que ouvimos pela primeira vez do BIM. No entanto, ainda parece que os profissionais da construção civil ainda não se atualizaram para utilizar a plataforma. Você saberia me dizer por que ainda há tanta inércia quanto à mudança para o BIM?

Um dos maiores problemas na implementação dessa plataforma é a inércia que muitos engenheiros civis e arquitetos possuem em manter-se naquilo que já tem domínio. O medo de tentar experimentar esse avanço devido às barreiras que podem encontrar no caminho criam uma aversão ao que poderia ser um projeto mais preciso, rápido e barato. O AutoCAD, software mais disseminado na construção civil, é extremamente abrangente, pois há a possibilidade de trabalhar com linhas, pontos e classificá-los da maneira como desejar. Mas em BIM, você sabe exatamente o que será desenhado e pode atribuir todas as informações necessárias àquele elemento, como por exemplo, no REVIT Architecture, pode-se definir uma família de parede e atribuir quaisquer componentes em sua estrutura (tijolo, chapisco, reboco, outros tratamentos, pintura). A partir desse detalhamento são gerados todos os quantitativos e detalhes de planta necessários.

Quando utilizados em uma área como a de orçamentação, o AutoCAD já está um pouco retrógado. Nos softwares em CAD, os quantitativos seriam realizados a partir de linhas, áreas e outras dimensões, o que ocasionaria perda de tempo no processo e grande possibilidade de erros. Com o uso da plataforma, tudo é mais rápido e interativo já que a modelagem é, predominantemente, realizada em 2D e, automaticamente, está modelada em 3D. Para fins de quantitativos, quando atribuído a uma parede uma respectiva especificação, como, por exemplo, uma pintura acrílica, o software Revit seria capaz de contabilizar quantos m² de tinta seriam necessários para a execução de tal serviço.

Você acha que os profissionais estão prontos para se atualizar? Onde podemos encontrar cursos de utilização da plataforma BIM?

Não há como comprovar que os engenheiros e arquitetos estão, ou não, prontos para essa evolução, porém é nítido que essa atualização será imposta contra eles nos próximos anos. Aqueles já cientes desse aprimoramento, e procurando evoluir, serão beneficiados nessa corrida.

Há diversos cursos on-line e pode-se encontrar diversos vídeos ensinando detalhadamente como projetar nesses softwares, gratuitamente. Outros meios para esse desenvolvimento são os cursos presenciais, os quais estão em número crescente. Motivo pelo qual, meu amigo e eu, estamos iniciando um curso completo e 100% presencial para modelagem em REVIT.

Com essa ferramenta que integra todos os projetos, apresentando um diferencial único, fiquei convencida da importância da plataforma BIM. Mas quanto a você, Alexandre, realmente acredita que a plataforma BIM tenha futuro na construção civil?

Projetos com muito mais informação, com problemas minimizados, e sem alterações em obra. É evidente que haverá diminuição de custos e maior adequação ao conforto exigido pelos compradores. Os engenheiros e arquitetos terão mais facilidade de visualização e irão criar um produto diversificado com mais facilidade e precisão. A plataforma é usada para acumular informações pertinentes e sanar qualquer incompatibilidade entre projetos. BIM, a meu ver, é o futuro.

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Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
Pablo Giordani Serrano – MEng. Mecânico especializado em acústica

 

 

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Inteligibilidade, como medi-la?

No nosso dia a dia volta e meia somos incompreendidos. A informação passa e por distração acabamos não dando toda atenção a ela. Isso muitas vezes é culpa de uma acústica pobre do ambiente. Então como melhorar essa questão?

Na área da acústica, existem certos índices que caracterizam e qualificam um ambiente de acordo com sua finalidade. Para lugares como auditórios, nos quais a palavra falada deve ser bem entendida pela plateia, um dos parâmetros que qualifica a inteligibilidade da sala é o STI (Índice de Transmissão da Fala). O STI (Speech Transmission Index) conhecido em português por Índice de Transmissão da Fala, um parâmetro acústico que descreve a inteligibilidade do discurso no ambiente e depende do tempo de reverberação e do ruído de fundo basicamente.

O STI pode variar de 0 (péssima inteligibilidade), a 1 (perfeita inteligibilidade). Sua classificação acontece de acordo com a norma IEC 60268-16 (2011), seguindo os valores da tabela abaixo.

 

STI
Valores Qualidade do discurso
0,00 a 0,30 Ruim
0,30 a 0,45 Pobre
0,45 a 0,60 Razoável
0,60 a 0,75 Bom
0,75 a 1,00 Excelente

 

Quanto maior o tempo de reverberação, menor o STI. Isto acontece porque as reflexões fazem com que o som vivifique o ambiente. Ou seja, quando a palavra falada permanece muito tempo no ambiente, devido às muitas reflexões, as palavras seguintes são interpostas e não são claramente reconhecidas pelos ouvintes que recebem diversas sílabas ao mesmo tempo em seus ouvidos. Assim, um esforço maior é requerido do ouvinte para que a informação seja entendida. Esta pobre inteligibilidade faz com que o meio não cumpra sua função de levar a informação nítida e clara do palestrante, orador ou ministro de louvor à plateia. No entanto, quando o tempo de reverberação é curto, a inteligibilidade do discurso aumenta. Um ambiente mais “seco” é mais propício a propagação e mais confortável na identificação do discurso.

A presença de ruído de fundo diminui significantemente o STI. Quando duas fontes sonoras competem entre si, nossa concentração perde o foco, pois a atenção se divide entre duas informações sonoras distintas. Muito mais concentração e energia precisa ser gasta para focar no entendimento do discurso, e consequentemente a inteligibilidade diminui. Em termos matemáticos, para o som de discurso ter um valor muito bom, ele deve estar 15 dB acima do ruído de fundo.

A medição do STI pode acontecer por testes acústicos subjetivos e/ou objetivos. Quando o teste é subjetivo, pessoas fazem o papel de locutores, e leem palavras em voz alta, que são então escritas pelos ouvintes sentados em certos locais a se avaliar a inteligibilidade. Quanto maior a quantidade e frequência de acertos dos ouvintes, maior a inteligibilidade do local, considerando pessoas com aquela língua nativa utilizada no teste.

Já para testes objetivos, é verificado o quanto uma voz é mascarada pelo ruído de fundo e pela reverberação do ambiente. Isso pode ser medido em diversas relações entre o nível da voz e do ruído de fundo e para diversos tempo de reverberação. São achados então os melhores valores para cada sala, auditório, centro de convenções ou igrejas.

Assim, para caracterizar uma sala ou auditório em termos da inteligibilidade do discurso, existem parâmetros acústicos, entre eles podemos destacar o STI. O STI, Índice de Transmissão da Fala, pode ser medido subjetivamente ou objetivamente e dependerá do ruído de fundo e do tempo de reverberação do espaço avaliado, sendo que seus valores seguem a norma IEC 60268-16 (2011). Portanto, atente a essa questão ao projetar e construir um espaço onde se deseja melhor entendimento.

 

Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
Pablo Giordani Serrano – MEng. Mecânico especializado em acústica

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Materiais acústicos, o que são?

Como vimos no post publicado aqui no blog Tempo de Reverberação Ideal, o planejamento de tempo de reverberação para o ambiente depende do tamanho e propósito do local. Para controlar o tempo de reverberação e melhorar a qualidade sonora através do tratamento acústico podemos estrategicamente posicionar materiais acústicos de absorção, reflexão e difusão.

Como o som se comporta ao atingir os materiais acústicos?

Quando o som atinge uma superfície, uma parte da energia sonora é absorvida pelo material, a outra é refletido de volta reforçando o som no ambiente gerador de som e o restante da sua energia é transmitida para o outro ambiente. Para o tratamento acústico interno, são consideradas as energias refletidas e absorvidas. É muito importante entender essa distribuição de energia sonora porque a partir do seu entendimento e o posicionamento certo de materiais acústicos, podemos adequar um espaço a sua qualidade sonora.

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Os materiais de reflexão têm o objetivo de ampliar o som produzido deixando o ambiente mais vivo. Assim sendo, o tempo de reverberação fica mais longo com o som preenchendo o ambiente. As superfícies normalmente já são reflexivas por sua rigidez e dureza, como paredes de alvenaria ou pisos cerâmicos, fazendo com que grande parte da energia incidente seja refletida. Como já é comum o uso de materiais rígidos e duros na construção civil, para controlar o tempo de reverberação normalmente utilizam-se os materiais acústicos de absorção.

Os materiais de absorção, ao contrário aos de reflexão, têm função de deixar o som do ambiente mais seco, isto é, diminuir o número de reflexões através da absorção de energia sonora. Assim sendo, o tempo de reverberação fica mais curto dependendo da capacidade de absorção do material e da metragem de área aplicada. Como são materiais porosos ou fibrosos, geralmente os materiais acústicos de absorção são flexíveis. Eles contêm em seu interior espaços de ar que quando há passagem do som em seu interior fazem que o som se “perca” lá dentro. Existem diversos desenhos e cores e também formas para materiais como estes, podendo ser encontrados em formato de espuma acústica ou forro de absorção.

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Difusão é quando o som ao encontrar uma superfície, o som refletido é redirecionado para um melhor espalhamento sonoro no ambiente. Este fenômeno não altera o tempo de reverberação do ambiente, mas tem função fundamental na qualidade sonora. Os difusores são materiais acústicos reflexivos muito importantes em ambientes em que o som deve ser ouvido o mais uniformemente possível seja em uma palestra, apresentação musical ou mesmo em home theaters. Com diferenças de níveis em sua forma, ele consegue espalhar melhor o som no recinto.

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O uso de materiais acústicos é imprescindível para um bom projeto. Cada material tem uma característica para controlar a acústica do ambiente seja absorvendo, refletindo ou difundindo a energia sonora. Dependendo do tipo de ambiente, estes fenômenos bem administrados promovem a qualidade sonora.

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Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
Pablo Giordani Serrano – MEng. Mecânico especializado em acústica

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Contrapiso flutuante: chega de ruído!

O barulho ocasionado por passos, arrastar de móveis e quicar de bolas, hoje em dia, é motivo de contenda entre vizinhos. Embora haja necessidade de um regulamento de boa convivência, a verdade é que o vizinho barulhento tem menos culpa do que você pensa. O projeto do edifício pode ser melhor planejado com um sistema de piso acústico para que problemas como ruídos de impacto sejam evitados. Exemplo desse tipo de piso é o contrapiso flutuante em laje de alvenaria, encontrados na maioria dos prédios residenciais no Brasil.

O que é, e como funciona o contrapiso flutuante?

Muitos confundem o ruído de impacto com ruído aéreo. Mesmo que ambos incomodem, eles são transmitidos e tratados de maneira diferente. O ruído aéreo é produzido no ar chegando às paredes e piso e então transmitido para outros apartamentos. Já o ruído de impacto é o som abrupto gerado no contato de superfícies, que se propaga pela estrutura. Tendo o martelo como exemplo, pega-se o martelo, lança-o no ar com um impulso. Ao encontrar uma superfície, gera um som de impacto: instantâneo, forte e de curta duração. Esse som se espalha pela estrutura com muito mais facilidade que o som aéreo de uma televisão, por exemplo. Só se soluciona o ruído de impacto amortecendo ou isolando a estrutura, que acaba por dissipar a vibração e consequentemente o som transmitido.

O material tipicamente usado deve ser resiliente, ou melhor, mole e que recupere sua forma (tipo uma mola). Além disso, ele deve estar disposto em um sistema sanduíche, chamado massa-mola-massa. No sistema sanduíche, o som sai de um recinto para outro atravessando várias camadas, com diferentes espessuras e pesos, preferencialmente. No caso da construção civil, o sistema sanduíche típico, compõe-se de laje, material resiliente e contrapiso com acabamento final. Na composição, laje e contrapiso fazem a função de massa por serem pesados, ou melhor densos, e por isso refletem grande parte do som de volta a origem. A “mola” é representada pelo material resiliente que amortece as vibrações entre uma “massa” e outra, visto que materiais duros vibram razoavelmente. Compare bater em uma vara de metal e em uma de madeira. Veja que a de metal, que é mais densa, acaba por dissipar menos energia, e com isso vibra por mais tempo! Essa diferença de materiais em um sistema massa-mola-massa faz com que o som gerado no ambiente perca muita força ao ser transmitido ao vizinho, atendendo assim a política de boa vizinhança.

Os materiais resilientes na aplicação do contrapiso flutuante, se apresentam através de uma manta acústica. Esse tapete acústico pode ser ecológico, ou como diriam, uma manta sustentável; reaproveitando a borracha de pneus ou garrafas PET.

Algumas Soluções Sustentáveis

Empresas desenvolvem novas possibilidades para pneus usados, retirando-os do meio ambiente e transformando-os em produtos inovadores. Como a borracha é um material amortecedor, as mantas acústicas de pneus ótimos na atenuação acústica de ruído de impacto.

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Existem alguns fornecedores concorrentes no mercado oferecendo mantas acústicas também ecologicamente corretas e de poliéster. A garrafa PET é transformada em lã e é usada tanto no isolamento acústico aéreo, quanto no combate ao ruído de impacto. Ela é de fácil instalação atendendo aos ouvidos mais exigentes, além de ser totalmente reciclável e ter vida útil elevada.

 

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Desempenho Acústico Superior

A norma NBR 15575, que fala sobre o desempenho de edificações habitacionais, está em vigor desde 2013. Ela exige um desempenho mínimo de pisos quanto ao ruído de impacto e deve ser cobrada pelo residente da unidade habitacional. Se você tiver dúvida quanto ao desempenho do seu apartamento, contrate um profissional da área de acústica que pode medir e conferir se o ruído de impacto está dentro dos valores da norma. Caso o piso não atenda às exigências da norma, o profissional pode fornecer provas (laudo técnico) para que o cliente possa negociar com a construtora o atendimento do desempenho mínimo. No entanto, se em seu apartamento, salto alto, arrastar de móveis e bolas quicando incomodam você, as vezes o custo de um isolamento acústico é proibitivo. Não necessariamente o som vem do apartamento de cima, e trocar o piso do vizinho as vezes é inviável. Portanto, aconselhamos procurar um imóvel de qualidade acústica superior! Ou seja, que tenha sido testado pela construtora, e o perito em acústica tenha medido e atestado o desempenho do piso. Se a construção não se encaixa na recente norma de desempenho NBR 15.575, você pode reivindicar seus direitos a construtora, mas a solução para seus problemas pode ser onerosa e levar tempo.

Embora pareça plausível, a aplicação de forro de gesso acartonado não tem muita influência na redução de ruído de impacto. Isso acontece porque não é só o forro que vibra, mas todas as paredes. Com isso, o som pode vir de todos os lados, mesmo do apartamento de cima, ou de outro apartamento no andar baixo!

Resumindo

Antes de adquirir um apartamento, certifique-se com a construtora de este atende devidamente a Norma de desempenho acústico para edificações Habitacionais ( NBR 15575). Exija o laudo técnico, fornecido por um profissional especializado em acústica, que comprove que a norma esteja sendo atendida. Em caso negativo, pondere para saber se os possíveis e prováveis problemas com ruídos de impacto futuro serão críticos para você antes de comprar esta unidade habitacional.

 

Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
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Tempo de Reverberação Ideal

Você já foi numa partida de futebol e a energia daquele lugar contagiou a torcida a gritar sem medidas a cada quicar de bola ou apitar do juiz? Já foi a um teatro, fechou os olhos e escutou a música enchendo o ambiente e apreciou os detalhes da execução? Já cantou maravilhosamente para sua plateia mais fiel: a prateleira de xampus? Já sentou num sofá confortável rodeado por cortinas e seus pés calçados no tapete e manteve uma conversa horas a fio naquela sala perfeita para visitas?

Todas essas perguntas têm a ver com o nosso conforto e que cada lugar tem um propósito acústico. Este propósito vai depender de um parâmetro muito importante: o tempo de reverberação.

O tempo de reverberação é um parâmetro acústico muito importante que qualifica um ambiente de acordo com sua finalidade. Todos lugares que usam a comunicação como meio principal deveriam se preocupar com o tempo de reverberação ideal.

Mas afinal, o que é o tempo de reverberação e o que o faz ser ele o mais importante parâmetro acústico para ambientes?

Para os entendedores do assunto, tempo de reverberação é o tempo que a energia sonora permanece no ambiente depois que a fonte cessa sua emissão. Isto quer dizer que o som saído de sua boca dura no ambiente porque ele reflete várias vezes nas paredes, tetos e objetos, permanecendo naquele lugar mesmo depois de pronunciada a palavra. A cada reflexão ele vai diminuindo sua intensidade, pois deixa um pouco de energia em cada superfície. Ou seja, o som reverberante torna o local mais vivo e vibrante.

O tempo de reverberação depende de dois principais fatores: volume (tamanho) do ambiente e área de absorção. Quanto maior o volume, maior o tempo de reverberação, pois existe mais área de superfície que o som se refletirá. Quanto à absorção, quanto maior área de superfícies que absorvem energia, menos intenso o som será a cada reflexão e consequentemente, menor o tempo de reverberação.

Com um volume grande e pouca área de absorção, temos como exemplo um ginásio que em apitos, quicar de bolas e gritos de torcida preenchem o ambiente e atiçam seus ouvidos. Já um teatro, por exemplo, é uma ambiente com grande volume e que tem sua área de absorção tratada. Neste lugar, projetado para a apreciação de performances ao seu máximo, precisa-se de uma reverberação tal que a apresentação seja suave, limpa e macia. Por isso as cortinas, carpetes e outras superfícies absorventes são estrategicamente posicionadas em teatros, para que o som não seja estimulante e gritante como num ginásio, mas seja intenso o suficiente para envolver o público tanto na palavra falada, como na execução musical.

Um exemplo clássico que transforma qualquer um em cantor profissional (pelo menos nos sentimos assim) são os banheiros que apesar do seu volume pequeno possui cerca de 98% de superfícies refletoras. O “cantar no chuveiro” é tão prazeroso porque ele é reforçado pelos azulejos, ampliando a energia cantada e preenchendo o pequeno ambiente com reverberação. Para uma sala perfeita na recepção de visitas, temos um ambiente com volume pequeno e área de absorção grande por materiais fofos e porosos como tapetes, cortinas, sofás e poltronas que retêm energia garantindo intimidade acústica e menor reverberação, deixando à vontade seus amigos para aquela conversa de horas a fio.

Como se pôde perceber, não existe um tempo de reverberação universal que seja apropriado a todos os ambientes. O tempo de reverberação de uma sala de estar não cabe a um ginásio. A reverberação ideal vai depender do tipo de lugar e do volume do ambiente existindo uma norma sobre tratamento acústico em recintos fechados (NBR 12.179) para isso. Ao conhecer o volume do recinto em metros cúbicos e a finalidade do ambiente, se é estúdio, teatro ou até igrejas, obtém-se o tempo de reverberação ideal.

Para um projeto acústico, esse conhecimento é essencial, pois a partir dele cálculos de reverberação são feitos. Assim, como o volume é fixo, mudam-se os materiais das superfícies do local de acordo com sua absorção. Esse cálculo não é tão simples quanto parece, porque envolve toda uma gama de frequências do som grave ao agudo que deveriam ser atendidas em tempo de reverberação ótimo também. Portanto, se há pretensão de utilizar da acústica como um dos objetivos principais do recinto, melhor contratar um profissional da área que entenda do assunto.

Abram seus ouvidos. Ouçam o que está ao seu redor. Se você se sente incomodado, será que a razão é uma reverberação excessiva? Ou se você está palestrando um assunto muito interessante e a plateia não consegue se concentrar, será que a energia refletida no ambiente não é o suficiente para chamar a atenção? A comunicação necessita de uma acústica viável e ela está em todo lugar, basta ouvi-la.

 

Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
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Previna-se: Entenda o que a lei exige e evite futuros problemas que ruídos sonoros podem trazer junto aos vizinhos ou órgãos fiscalizadores.

Ambiente de qualidade para seus clientes

Destaque-se da concorrência: ofereça ao seu público uma experência acústica de qualidade. Quando as pessoas tem conforto, consomem mais e com satisfação. Cliente satisfeito consome, retorna e recomenda.

Para profissionais

Se você trabalha com acústica, ofertando soluções neste campo aos seus clientes, esse material será útil para você conhecer um pouco mais sobre o Portal Acústica e como se atualizar para oferecer as soluções mais atuais aos seus clientes.

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eBook: Guia do Controle de Ruído Industrial

 

Veja neste e-book o que é necessário para se prevenir e evitar correr os riscos que os ruídos podem causar a quem trabalha em uma indústria. Este material será útil para você adquirir os equipamentos necessários e implantar programas de controle de ruído em sua empresa.

Baixe agora o Guia do Controle de Ruído Industrial e tenha acesso aos conteúdos do Portal Acústica.

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Por que este Guia é importante?

A engenharia acústica é o ramo da engenharia que estuda os fenômenos sonoros e desenvolve projetos e ações de controle para eliminar ou reduzir riscos devido ao ruído. Veja neste e-book o que é necessário para se prevenir e evitar correr tais riscos.

Equipe saudável produz mais e melhor

A gestão do ruído industrial deve ser avaliada por todas as empresas que produzam níveis de pressão sonora elevados. O ambiente ruidoso, potencialmente insalubre, apresenta condições de risco ocupacional e pode levar a riscos de perdas econômicas. Nesses ambientes há degradação da saúde dos trabalhadores expostos, com a obrigação do pagamento do adicional de insalubridade por ruído. A empresa também fica exposta a ações na justiça de cunho trabalhista e previdenciário.

Para profissionais

Se você é trabalhador industrial ou técnico de segurança do trabalho, esse material será útil para você adquirir os equipamentos necessários e implantar programas de controle de ruído em sua empresa.

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