Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído – Poluição sonora é coisa séria!

Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído, International Noise Awareness Day (INAD), foi criado em 1996, nos Estados Unidos, pela League for the Hard of Hearing, hoje Center for Hearing and Comunication, para promover o evento mundial de conscientização, com diversas atividades e entre elas, 60 segundos de silêncio, a fim de demonstrar o impacto do ruído na vida cotidiana da população. Neste no ano de 2018 será no dia 25 de Abril.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a poluição sonora é o segundo maior agente poluidor ambiental, depois da poluição do ar. A poluição sonora é fator prejudicial à saúde pública. Então participe deste movimento e faça sua parte contra a poluição sonora que nos tira o sono e nos causa estresse.

ProAcústica reserva algumas atrações para este dia e convida você a participar! Nós do Portal Acústica somos totalmente a favor desta ideia e incentivamos toda a comunidade a lutar contra a poluição sonora.

Saiba mais sobre o INAD SP 2018!

Programação

NOTA: Todas as atividades serão em espaço público e gratuitas

A | #chegadebarulho
Intervenção urbana no Edifício Sede FIESP
Galeria de Arte Digital: 24/04/18 (das 22 às 6h) e 25/04/18 (das 19 às 6h)
Telão LED no pavimento térreo: 25/04/18 – ao longo de todo o dia

B | Estação de medição do nível de ruído
Projeção em tempo real via vídeo wall e ao longo de todo o dia na calçada do Edifício Sede FIESP

C | Manifesto do Silêncio
14h25 -14h26 – 60 segundos de silêncio

D | Lançamento Mapa de Ruído Urbano Projeto Piloto SP

Fonte: Proacústica

Onde fazer um curso de acústica no Brasil?

É fato que cada vez mais se pesquisa acústica no Brasil. Nas últimas décadas a preocupação de pesquisadores e empresas com a qualidade acústica de ambientes e com a saúde auditiva da população aumentou. Levando a abertura de um novo mercado de trabalho e capacitando novos profissionais nessa área. Mas onde estes profissionais estão se formando no Brasil? Quais cursos de graduação e pós-graduação já existentem? O que se está pesquisando atualmente em termos de poluição sonora e em termos de qualidade de vida relacionada à audição? Falaremos nesse artigo sobre alguns ramos da acústica, e sobre os cursos de acústica nos quais os profissionais brasileiros estão se formando. Veremos os cursos de graduação e pós-graduação em acústica no Brasil e o que eles oferecem.

Curso de acústica é multidisciplinar

A acústica é tida como uma área multidisciplinar onde o Engenheiro Acústico é o profissional capacitado que engloba conhecimentos principalmente da área de engenharia elétrica e mecânica, com bastante de computação e matemática. Em termos multidisciplinares, digamos que o profissional em acústica pode atuar nas áreas de engenharia, biociências, geociências e artes. Ou seja, a engenharia acústica possui uma gama gigantesca aplicações. Isso exige bastante especialização que em geral é oferecida por cursos regulares de graduação e pós-graduação, com ampla necessidade de cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Veja na figura abaixo as áreas de atuação que requerem conhecimentos em acústica.

Áreas da Acustica

 

Graduação em acústica no Brasil

Em 2009 surgiu na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. O primeiro, e até então único, curso de Engenharia Acústica do Brasil. O curso de acústica conta com uma abrangência de várias disciplinas. As principais linhas de estudo na graduação de Engenharia Acústica estão atreladas à engenharia civil. Entre elas:

  • acústica de salas,
  • acústica nas edificações,
  • controle de ruído de máquinas e equipamentos prediais.

Já as linhas de pesquisa ligadas à engenharia elétrica contemplam:

  • eletroacústica,
  • design de caixas acústicas,
  • processamento digital de sinais.

As linhas ligadas à engenharia mecânica incluem:

  • controle de vibrações,
  • controle de ruído industrial,
  • projeto de máquinas e componentes.

Outros tópicos ligados à qualidade de vida, engenharia ambiental e artes incluem:

  • psicoacústica,
  • acústica subjetiva,
  • fonoaudiologia,
  • acústica ambiental,
  • acústica musical,
  • áudio.

Maiores informações sobre o curso de graduação em engenharia acústica da UFSM podem ser obtidas no site do curso.

Curiosidade: Após a criação do primeiro curso de engenharia acústica brasileiro, foi possível articular junto ao CREA a inclusão da profissão “Engenheiro(a) Acústico(a)” entre às profissões cadastradas pelo conselho, até então inexistente no Brasil.

Apesar da baixa disponibilidade de cursos de graduação em acústica, já há diversos cursos de mestrado e doutorado strictu sensu no Brasil. Alguns possuem um viés mais profissionalizante mas em geral abordam a pesquisa básica e não aplicada. Abaixo iremos citar alguns dos principais centros de pesquisa e ensino que trabalham com acústica no país.

 

Pós-Graduação em acústica no Brasil

Ainda não existe no Brasil um programa de pós-graduação especificamente em Engenharia Acústica, mas já existem diversos programas atrelados a outros cursos com enfase em acústica.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica:  oferce disciplinas nss áreas de saúde auditiva, acústica submarina, acústica veicular, materiais porosos, controle de ruído e vibrações, métodos numéricos, ruído em comunidades e psicoacústica. É considerado o melhor curso do Brasil, sendo conceito 7 no CAPES.

  • Universidade Federal de Santa Maria

Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção: oferece linhas de pesquisa ligadas às áreas de acústica de salas, psicoacústica e qualidade sonora.

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil: oferece disciplinas ligadas às áreas de acústica ambiental e acústica arquitetônica .

  • Universidade de São Paulo

Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Física na área de levitação acústica. Para saber mais sobre levitação acústica leia esse outro artigo, clicando aqui. E pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica na áreas de processamento digital de sinais.

  • Universidade Estadual de Campinas

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil  e pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade  nas áreas de acústica de salas, conforto acústico, ruído ambiental, avaliação e desempenho acústico de edificações, processamento de sinais, controle ativo de ruído, reprodução espacial sonora.

  • Universidade Federal do Pará

Possui Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica nas áreas de  acústica de salas, vibrações mecânicas, processamento digital de sinais e acústica nas edificações.

Além desses cursos citados há outros centros de pesquisas localizados na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília e Universidade de Viçosa. Essa lista não é exaustiva, devemos dizer. É cada vez mais importante haver cursos de graduação, pós-graduação e especialização referentes à engenharia acústica, pois somente assim aumentará número de profissionais capacitados no mercado de trabalho. No nosso dia a dia observamos aberrações de interpretação de dados por pessoas sem formação e sem conhecimento técnico no assunto. Por isso é tão importante a formação, o que traz qualidade de vida à população.

Já deixamos aqui o convite para você inscrever-se agora no único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil  que será oferecido presencialmente no Rio de Janeiro e utilizará um software inovador e gratuito de predição da poluição sonora por fontes industriais.

Curso de Modelagem Acústica Ambiental

Programa:
1 – Conceitos básicos de propagação sonora
2 – Tipos de fontes sonoras
3 – Cálculos em dB
4 – Normativas ambientais em acústica
5 – Métodos de cálculo de propagação sonora
6 – Introdução ao iNoise
7 – Prática de modelagem de ruído
8 – Introdução aos métodos inovativos de mapeamento com drones e map at work
9 – Introdução ao Ruído ocupacional
10 – Requisitos para desempenho acústico em edificações residenciais
Local: 3R Brasil Tecnologia Ambiental, Cultura, Serviços e Comercio Ltda
Av. Rio Branco, 156 – 23º andar – sala 2323,
Centro – Rio de Janeiro
Data: 15/03/2018 (Única oportunidade)
Modalidade: Presencial
Duração: 5h, sendo 2h práticas e 3h teóricas.
Observação: trazer notebook
Professores: Rogério Regazzi e Pablo Serrano. Especialistas com notório saber no tema.
Investimento por aluno: R$1970,00 a vista ou 12x no cartão de crédito com juros (2,5% por parcela) via pag seguro ou paypal.

Mais informações sobre o iNoise e ferramentas inovadoras em controle de ruído em https://www.ambienciacustica.com/

Adquira seu curso agora enviando e-mail para contato@portalacustica.info e garanta sua vaga. Somente 5 vagas.

Janelas antirruído e projeto acústico de fachadas

Muitas vezes, na hora de lazer ou de trabalho, acabamos nos deparando com um vizinho com música alta, com o ruído do tráfego de veículos ou até mesmo de pessoas conversando na rua. Geralmente, só sentimos esse incômodo quando ele é tido em excesso. Mas esse ruído urbano é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, podendo ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição e também problemas extra-auditivos, como cardiovasculares, insônia e desconforto. Por causa disso, cada vez mais, a questão do ruído urbano está levando órgãos públicos e empresas a repensarem questões de acústica ambiental (urbana) e questões de isolamento acústico em edificações.

Com a preocupação da saúde e do bem estar da população foi criada, no Brasil, a NBR 15.575, que determina valores mínimos de isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações. Ela também determina o Rw, que é o índice de redução sonora ponderado, o principal parâmetro para a determinação do isolamento sonoro. Na maioria das vezes, o maior cuidado que precisamos ter é com as paredes externas, pois é a partir dessas que se tem os ruídos vindos do exterior e que nos incomodam tanto. Com um tratamento adequado da parede externa, principalmente das esquadrias, esse problema pode ser solucionado.

Sabemos que uma parede é composta por diversas morfologias e que junto à essa temos a esquadria que, em geral, é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Por isso as esquadrias merecem um cuidado especial na hora do projeto. No ramo de construção civil brasileira é comum utilizarmos janelas simples, mas em um projeto com um bom isolamento acústico isso não é suficiente. Já existem no mercado uma gama de tipos de janelas antirruído, sendo essas dominadas por janelas duplas. Porém, antes de falarmos sobre este assunto, devemos entender como funciona, de forma básica, a transmissão de uma onda sonora em uma esquadria e uma parede.

Na figura abaixo podemos observar que há três efeitos diferentes para uma onda sonora que incide em um aparato. Ela pode ser tanto refletida de volta ao ambiente, dissipada em forma de vibração ao longo da estrutura ou transmitira para o outro lado da parede.

Propagação sonora em uma parede

A nossa preocupação principal é fazer com que a onda incidente, que pode ser o ruído urbano, seja o mínimo transmitido possível para dentro da sua casa ou apartamento. Para isso temos de trabalhar com materiais especiais para ter um bom isolamento sonoro.

JANELAS SIMPLES

É comum em projetos brasileiros utilizar janelas simples, devido ao custo-benefício. Essas janelas são compostas por vidros com uma espessura de 4 à 8 mm e é comum a esquadria ser composta por alumínio, madeira ou PVC. É normal uma janela simples possuir um Rw entre 19~21 dB o que não acaba atendendo aos requisitos mínimos da NBR 15.575.  Algumas pesquisas mostram que deve-se esperar uma perda de desempenho de cerca de 5 dB, em média, entre o resultado obtido no laboratório e o do campo, mas podemos calcular através da norma EN 12354.

JANELAS DUPLAS

Para um bom desempenho de isolamento sonoro em edificações é comum utilizarmos janelas duplas. O objetivo é oferecer uma maior resistência à passagem da onda sonora pelo material (sendo a janela de vidro por exemplo). Para realizar esse isso, uma janela dupla deve ser composta de duas camadas de vidro e entre elas geralmente deixamos uma camada de ar, pois conforme a onda vai passando na estrutura vidro-ar-vidro ela perde mais energia do que passando por uma estrutura vidro-vidro, devido à troca de energias com os diferentes meios. Temos no mercado as janelas de vidro duplo, com espessuras variando de entre 6 e 10 mm, as quais possuem um Rw entre 32~37 dB, sendo esses valores satisfatórios para uma obra em locais de ruído não muito intenso.

Vidro duplo

Existem também opções de janelas com vidro triplo e quádruplo, porém, devemos analisar sempre o custo-benefício do projeto e para isso o indicado é realizar um estudo de impacto ambiental nos arredores do local para determinarmos valores de ruído externo. Desta forma saberemos qual é a janela mais adequada para o projeto.

JANELAS DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Janelas com controle ativo de ruído são produtos de inovações tecnológicas, mas ainda não muito utilizados no mercado. Elas têm como funcionamento o princípio de ondas destrutiva,  podendo ser a onda 1, uma onda provinda do ambiente externo (ruído) no qual haverá um dispositivo eletrônico junto a janela que irá reconhecer o ruído incidente e o mesmo irá reproduzir uma onda 2, de fase invertida, o que acarretará no cancelamento da onda. Essa parece ser uma ideia que acabaria com o problema do ruído externo, porém, o princípio de controle ativo de ruído em estruturas como janelas possuem algumas limitações na faixa de frequência e ainda não possuem resultados satisfatórios como os de isolamento de uma janela de vidro duplo. Mas essa é uma área que está sendo estudada e no futuro podemos ter bons materiais no mercado.

Também estão sendo estudadas as janelas ventiladas. O Brasil é um país tropical e parece interessante termos um sistema com uma ventilação natural do ambiente. Da mesma forma, como no controle ativo, essas janelas estão em fase de estudos, pois como irão proporcionar uma ventilação, suas esquadrias deixarão frestas, o que não seria adequado para ter um bom isolamento sonoro. Você pode saber assistindo o webinar de inovações tecnológicas clicando aqui.

Dicas importantes na escolha de uma janela adequada

Há diversos cuidados que devemos ter ao adquirir uma janela para um projeto. As janelas são formadas por vários elementos (vidro, esquadria, sistema de fechamento e vedações), em que cada um deles tem papel importante no desempenho final do produto. Devido a esta complexidade, é recomendável que os fabricantes forneçam ensaios de laboratório, a fim de comprovar seu isolamento acústico. Para além disso, o mais adequado para os fabricantes quando mostrarem seus produtos é que esses resultados venham em forma de banda de frequência, para que na hora da compra o cliente possa ter o conhecimento em quais há um maior isolamento.

Também devemos levar em consideração alguns cuidados para que a janela seja instalada de forma adequada para se ter uma melhor qualidade. O principal cuidado no momento da instalação é para que não fiquem frestas entre a esquadria e a parede. Isso vai impedir a passagem do som por meio de vibração estrutural dessas frestas.

Para maiores informações sobre como realizar medições, qual janela adequada para a sua obra ou maiores cuidados na compra e na instalação da sua janela, deve-se procurar um especialista em isolamento acústico em edificações, bem como um Engenheiro Acústico ou um Engenheiro Civil, ou ainda, um técnico em edificações que tenha entendimento no assunto.

Além disso, é necessário ter o conhecimento sobre elementos construtivos, como quais tipos de vidro e de esquadrias são mais adequados para o seu projeto e também conhecimentos técnicos como a importância da lei da massa, da lei das frestas, de como realizar uma medição adequada em laboratório e in loco, seguindo as devidas normas internacionais. Para isso estaremos lançando nos próximos dias um e-book que é um Manual de Janelas Antirruído, não deixe de conferir esse material completo nos próximos dias.

 

Gostou do conteúdo? Quer saber o passo a passo para escolher a melhor janela antirruído fazendo um projeto acústico de fachada? Se inscreva no workshop gratuito.

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

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Metamateriais acústicos – verdade ou ficção?

O que são e para que servem os metamateriais

Quando falamos sobre metafísica, muitos pensam que é um assunto bastante complexo e teórico. Entretanto, com metamateriais, o assunto é bem palpável e real. Tanto que nos últimos 5 anos a comunidade discutindo e pesquisando esse assunto têm crescido consideravelmente. Por metamateriais entendemos qualquer arranjo físico de um material no qual podemos ter controle sobre as propriedades físicas desejadas. Isso significa, que aplicações de engenharia avançada podem escolher as propriedades requeridas e com isso fabricar metamateriais para atender a esses requisitos. Ou seja, na óptica, precisamos de certa refletividade, certa distância focal, ou ainda outro parâmetro mais avançado.

Agora na acústica, podemos controlar desde parâmetros macroscópicos quando microscópicos. Por exemplo, imagine poder controlar a densidade, resistividade ao fluxo, porosidade, comprimentos característicos térmico e viscoso, ou ainda a tortuosidade e a quantidade de poros abertos e fechados? Além disso, essa tecnologia permite criar materiais porosos compósitos em camadas ou compósitos com propriedades superiores. Uma maneira popular de medir as propriedades macroscópicas do material acústico é usando um tubo de impedância, conforme a figura abaixo.

Tubo de Impedância - Laboratório de Le Mans, FR

Tubo de Impedância – Laboratório de Le Mans, FR

Conversamos com um pesquisador brasileiro em Leuven, Bélgica, sobre o tema durante o SAPEM, simpósio realizado em Le Mans em dezembro de 2017. Noé Geraldo Filho nos conta sua visão sobre o tema.

O quão bom pode ser um metamaterial acústico?

Veja agora o que é possível de realizar com um metamaterial acústico de forma a manter ou reduzir o peso de uma estrutura e ainda assim garantir a absorção sonora de forma que a transmissibilidade sonora seja altamente reduzida. Lembramos que isso é de grande interesse da indústria da construção civil. Isso porque precisamos continuar construindo a um baixo custo, de forma a reciclar materiais e utilizar o mínimo de material evitando disperdícios. Confira no video abaixo.

Problemas e perspectivas

Algumas outras curiosidades em relação à caracterização tanto mecânica quanto acústica dos materiais acústicos porosos e poroelásticos é que os métodos utilizados para determinação dos parâmetros acima citados são diversos. Isso causa divergência entre resultados obtidos com as mesmas amostras em diferentes laboratórios e centros de pesquisa. Um material de difícil caracterizar é a melamina. Esse material atualmente é a base das espumas utilizadas em estúdios, boates e restaurantes no Brasil e no mundo, visto a sua alta absorção sonora e incombustibilidade. Ou seja, é requisito de segurança que hoje não se abre mão em locais de grande circulação de pessoas. Os pesquisadores que estiveram na Denorms Traning School 3, apresentaram um estudo incluindo diversas análises estatísticas e que conta com mais de 15 autores e 9 instituições de pesquisa. A conclusão é que um método padronizado é mais do que necessário para a caracterização mecânica de materiais porosos, incluindo parâmetros como o módulo de Young e o coeficiente de poisson. Esses valores são críticos para o projeto de componentes mecânicos para a indústria automotiva, aeroespacial e médica.

Veja os comentários de Pablo Serrano sobre o tema nesse video abaixo, onde ele discute essa questão, incluindo a problemática dos atuais métodos de obtenção do coeficiente de absorção sonora em ambiente difuso usando câmaras reverberantes.

Se você gostou deste tema, por favor baixe o nosso guia de softwares em acústica clicando aqui e fique por dentro dos webinars que organizamos regularmente. Eles permitem o constante contato de nossa comunidade apaixonada por acústica e a troca de experiências entre os profissionais do ramo. Fica abaixo o convite para o webinar sobre acústica em igrejas com o Arq. Cristhian Nascimento, profissional de acústica e iluminação e palestrante do TEDx.

ProAcústica, o que é e o que faz essa associação?

Acústica é um nicho de mercado bastante interessante com muita potencialidade e profissionais em formação. Prova disso é a criação recente da ProAcústica em 2012 e lançamento em 2011. A ProAcústica Associação Brasileira para a Qualidade Acústica é um entidade sem fins lucrativos que tem por finalidade congregar empresas e profissionais, dispostos a alavancar o desenvolvimento da Acústica Aplicada no Brasil, campo que abrange também a Ciência das Vibrações. Atualmente a associação conta com cerca de 70 associados, entre eles fundadores, efetivos e beneméritos. São tanto empresas quanto pessoas físicas que atuam no mercado de acústica no Brasil. A missão da ProAcústica é “promover e divulgar para a sociedade a importância da boa técnica, da qualidade acústica nas edificações e no meio ambiente, como fator de bem-estar e saúde.” Uma missão que se assemelha com a do Portal Acústica que é “entregar à sociedade informação relevante sobre tecnologias, produtos, serviços e profissionais de acústica, visando auxiliar o mercado consumidor e estimular parcerias.”

ProAcustica

A diretoria da ProAcústica reelegeu como presidente executivo Edison Claro de Moraes para o Biênio 2018 e 2019, uma pessoa muito influente e engajada com a causa da acústica no Brasil. A diretoria ficou assim:

Diretoria Executiva
Presidente Executivo | Edison Claro de Moraes
Vice-Presidente Administrativo Financeiro | Alberto Safra
Vice-Presidente de Atividades Técnicas | Marcos Cesar de Barros Holtz
Vice-Presidente de Comunicação e Marketing | Luciano Nakad Marcolino
Vice-Presidente de Relações com o Mercado | Carlos Gabriel Caruy
Vice-Presidente de Recursos Associativos | José Carlos Giner

Conselho Administrativo
Presidente | Omair Roberto Zorzi
Vice-Presidente | Fernando Medeiros Alcoragi
Conselheiro 1 (efetivo) | Juan de Frias Pierrard
Conselheiro 2 (efetivo) | Cândida de Almeida Maciel
Conselheiro 3 (efetivo) | Débora Miranda Barretto
Conselheiro 4 (suplente) | Davi Akkerman
Conselheiro 5 (suplente) | Rafael Schmitt
Conselheiro 6 (suplente) | Marcelo de Godoy

Entre as diversas ações da ProAcústica, podemos citar os comitês técnicos de Acústica ambiental e o de Acústica nas Edificações. Ambos com forte influência nos campos técnicos e políticos, visando a integração e discussão de temas ligados ao assunto para melhoria da técnica, consolidação de métodos, discussão de normativas do setor, etc. Os comitês são fóruns abertos aos associados que permitem avanços no setor. Cada comitê criou grupos de trabalho (GTs) para dar andamento a tópicos específicos. Há portanto, os GTs de:

  • GT Mapa de ruídos
  • GT Acústica de escolas
  • GT Pisos e Mantas
  • GT Salas Especiais

O fruto destes grupos de trabalho são padronizações quanto a ensaios dos materiais, questão de calibração dos equipamentos, melhores métodos a aplicar, necessidades do setor em termos de legislação e outros. Convém salientar que as normas brasileiras em acústica estão passando por uma reformulação muito importante, que oferece diversos benefícios à sociedade. E tais comitês técnicos têm sido de grande importância neste processo.

Prova disso é a disponibilização da nova versão da NBR 10.152, dia 24/11/2017, com o título: Acústica — Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações. Essa norma é fruto do trabalho do CB-002 de Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT. Em relação à versão anterior, existem diversas melhorias. Assim como vem sendo realizado com a NBR 10.151, nomeada como: Acústica — Medição e avaliação de níveis de pressão sonora em ambientes externos às edificações. Essas melhorias estão atualizando o Brasil em termos de normativas, e tornando o mercado mais bem preparado para lidar com o tema. Países desenvolvidos já passaram por uma extensiva modificação de suas normas, para atenderem e serem harmônica em relação às normas internacionais.

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Recentemente houve uma reunião na ProAcústica para discussão do Mapa de Ruído de São Paulo. O grupo de especialistas acústicos têm se reunido com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para discutirem ações conjuntas na elaboração do mapa de ruído, buscando harmonizar os aspectos técnicos por meio de estudos de casos reais e recentes. Esses serão a base para as melhores práticas em mapeamento de um futuro “Projeto Piloto” adaptando modelos internacionais de mapeamento sonoro à realidade de São Paulo. O desafio é constituir uma rede de ação e gestão integrada para compartilhamento de dados e processos e desenvolver uma linguagem metodológica comum para aplicação após regulamentação da Lei. Um processo complexo que envolve checagem de dados e verificação do grau de atualização das informações para obter um retrato fidedigno dos impactos sonoros do ambiente urbano de São Paulo. Na minha visão uma ação que deve aplicar tecnologias de Big Data para garantir históricos em grandes bases de dados que permitam acompanhamento contínuo e que deixa lastros para eventuais processos jurídicos que envolvam ruído.

Vejamos como irá se desenrolar essa carruagem, mas ao menos a ProAcústica está presente e atuante para auxiliar neste processo, junto com outras entidades, como a Sociedade Brasileira de Acústica (SOBRAC).

Gostou do tema? Deixe seu comentário para nós, ficaríamos muito felizes em ajudar.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.

Acústica de salas e teatros – o Palácio da Música Catalã

O Palácio da Música Catalã, em Barcelona (Espanha), é um magnífico patrimônio cultural tombado pela UNESCO.

Ele foi construído por Lluís Domènech i Montaner, que o finalizou no ano de 1908. É um marco para o movimento de arte Modernista da região da Catalunha e um excelente objeto de estudo para acústica de salas.

Estive lá no teatro para apreciar um espetáculo de dança flamenca, que realmente foi incrível. Infelizmente não pude filmar o espetáculo mas conseguir gravar um video para mostrar um pouco da arquitetura do local. Como sempre gosto de comentar sobre a acústica, sendo que esse local realmente é primoroso em termos decorativos e sonoros. Veja o que falo sobre o assunto abaixo:

Ah, como citei no video, segue o link para você se inscrever e ganhar todos os webinares gravados na sua caixa de e-mail.

O arquiteto Lluís Domènech i Montaner utilizou azulejos no teto para criar uma estrutura difusora que espalha o som e com isso evita o flutter echo, um defeito acústico muito conhecido devido ao paralelismo de paredes. Devido à boa distribuição de público e de cadeiras estofadas, o tempo de reverberação permanece controlado. Como o teatro é utilizado para peças teatrais e para música moderna, o tempo de reverberação um pouco mais baixo é benéfico. Já para música sinfônica o ideal é um tempo de reverberação mais alto, sendo que depende muito do volume do local e de quanto cada material utilizado:
1 – absorve,
2 – reflete,
3 – difunde.

O que dá o diferencial realmente é a questão da difusão, transmitindo uma sensação de espacialidade e boa distribuição. Além disso, os materiais acústicos que revestem as poltronas auxiliam na absorção do som, o que é deveras importante e permite grande flexibilidade no projeto acústico do arquiteto. Se você é arquieto, considere utilizar poltronas com os coeficientes de absorção conhecidos para alterar as propriedades da sua sala e com isso ajustar a acústica em termos do tempo de reverberação. Outros parâmetros podem ser avaliados neste tipo de projeto, como C80, EDT e D50. Posso explicar mais sobre esses conceitos em outro post. Muito da determinação destes parâmetros pode ser feito através de um modelo computacional do teatro. As ferramentas mais conhecidas do mercado são o Odeon, que é o mais completo, o EASE, que trabalha bem com projeto eletroacústico, e o CATT Acoustics, que é mais simplificado mas resolve a maioria dos casos com geometrias mais fáceis de trabalhar.

Veja só como diversos detalhes podem influenciar na melhora da acústica de salas, seja a estrutura física do ambiente ou detalhes nos materiais utilizados nos móveis.

Se você gostou desse conteúdo, compartilhe com seus amigos e deixe um comentário aqui abaixo! Será ótimo iniciarmos uma discussão sobre esse assunto.

Querendo saber mais sobre acústica e vibrações? Observe que um dos maiores problemas brasileiros é a falta de projetos de controle de ruído ocasionado por equipamentos prediais e pelo arrastar de móveis ou salto alto em edifícios residenciais. Que tal se inscrever no nosso webinar exclusivo sobre como controlar a vibração em edificações com o especialista Moysés Zindeluk e se preparar para atender todas as normas brasileiras de desempenho acústico?

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Quando virá o Uber com taxi aéreo intermunicipal?

Estive discutindo bastante sobre carros voadores e o futuro da indústria aeroespacial nos últimos dias com os colegas de trabalho. Ainda mais porque um deles foi contratado pela Lilium para trabalhar em um projeto que já está bastante adiantado, com um protótipo que já realizou alguns voos. Meu objetivo neste artigo é discutir as implicações relacionadas ao ruído ao se falar de novos projetos de aviação pessoal e de drones.

Atualmente existem empresas construindo protótipos e falando muito sério em lançar modelos de transporte de 2 passageiros no mercado. A maioria das alternativas trabalha com 2 ou mais propulsores que podem mecânicos ou elétricos. Uma grande vantagem dos novos conceitos é a possibilidade de fazer decolagens verticais, não sendo necessária qualquer infra-estrutura de rodovias. Entretanto, ao adquirir certa altitude os carros voadores alteram a direção dos propulsores para realizar um voo mais rápido e eficiente na horizontal, como aviões comerciais. As velocidades de cruzeiro podem chegar a 300 km/h, o que é bastante interessante.

Empresas como a Aurora, em parceria com nossa querida Embraer e Uber pensam em um modelo compartilhado que permita ser locado. No primeiro momento haverá um piloto, mas a idéia é tornar um veículo automático a partir do momento que os passageiros estiverem mais seguros com a ideia de voar sem um piloto no comando. Mas eles não estão sozinhos nesta corrida tecnológica, tendo empresas de todo o mundo como DeLorean’s, Lilium, EHang, AeroMobil, Terrafugia, Joby Aviation com projetos de lançamento daqui a 5 ou 10 anos.
Veja esse video para aprender mais sobre o sistema de propulsão distribuída e para ver alguns destes protótipos. O artigo que usei como base é esse aqui.

 

Em termos de ruído para a aviação pessoal, nada está definido! A preocupação dos pesquisadores que trabalham comigo é em termos de certificação, visto que infra-estruturas completas serão necessárias para avaliar todos os requisitos de segurança, inclusive o ruído. Os mecanismos de certificação com certeza terão longos debates para realizar ensaios e estabelecer parâmetros que permitam credenciar empresas a atuar neste mercado.

Certamente as regulamentações da ANAC terão que ser reavaliadas e as atuais não serão completamente válidas para este cenário, visto que ou a aeronave é tratada como um avião ou um helicóptero nas RBAC (Regulamentos Brasileiros da Aviação Civil). Por exemplo, a RBAC 21 define questões relacionadas à Certificação de produto Aeronáutico, já a RBAC 36 define requisitos de ruído para aeronaves, e por fim a RBAC 161 define como são elaborados os Planos de Zoneamento de Ruído de Aeródromos PZR. Mas perceba que no caso dos carros voadores e dos drones, qualquer terraço ou campo pode vir a ser um local de pouso. Muito do conteúdo destes regulamentos são cópias quase que fiéis de documentos da FAA (Federal Aviation Administration) do departamento de transportes dos Estados Unidos.

Durante uma caminha em Kensington Gardens gravei um rápido video sobre esse tema. Acompanhe abaixo.

O fato é que todos esses meios de transporte, tripulados ou não tripulados,  são extremamente ruidosos, gerando ruídos tonais através das hélices, que são especialmente incômodos para nós humanos. Como a penalidade tonal passa pelo critério utilizado pelo profissional perito que realiza a medição, nas leis e normativas brasileiras essa questão não foi totalmente incorporada e com procedimento claro. Me corrijam se eu estiver errado, mas me parece que é necessário um amadurecimento técnico com relação aos estudos psicoacústicos relacionados aos efeitos do ruído de drones e de carros voadores nos humanos. Somente assim podemos aprimorar as normativas e regulamentos de certificação que se traduzirão em leis brasileiras, culminando na permissão o uso seguro e regulamentado deste tipo de transporte.

É claro que o ruído é somente um dos potenciais vilões desta história. Mas se primarmos somente pelo desempenho, economia de combustível, aerodinâmica e segurança na aviação pessoal; fatalmente estaremos desbalanceando a equação. O que pode potencialmente perigoso, ao colocar no mercado aeronaves ruidosas e que venham a gerar problemas a longo prazo, como estresse, irritabilidade e problemas do coração.

Enfim, gostaríamos de ouvir mais comentários sobre esse assunto de você. Comente e participe.

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Internoise 2017 – Acústica direto da China

O congresso internacional Internoise 2017 é um dos maiores do gênero e reúne os maiores profissionais do ramo. A foto acima é da palestrante Brigitte Schulter – famosa pelos estudos em paisagem sonora. Veja o nosso grande professor Samir falar sobre o congresso nesse video abaixo, diretamente com o nosso correspondente Edison Claro de Hong Kong…

Hong Kong é uma cidade grande e com muitos problemas similares à São Paulo, o que nos permite traçar um paralelo entre as duas realidades. Haja visto a grande poluição sonora causada por sistemas de transporte, e a grande densidade populacional devido à verticalização da cidade.

Além disso, o povo Chinês também gosta de uma batucada como nós Brasileiros. Os instrumentos são diferentes dos nossos, os chamados Taikos, que são uma classe de instrumentos musicais de percussão. Veja um pouco da apresentação neste curto video…

Dentre os brasileiros neste congresso, tivemos a presença dos representantes das duas sociedades brasileiras de acústica, a Débora Barretto e o Davi Akkerman, representando a SOBRAC e a ProAcústica respectivamente. Davi apresentou um artigo explicando a norma de desempenho de edificações NBR 15575 à comunidade internacional. Essa é uma oportunidade muito boa de mostrar nossas iniciativas e receber críticas não só sobre a norma, mas sobre a pesquisa que é realizada no nosso país. Veja o que eles falam para nós sobre o congresso no video abaixo…

Entre os palestrantes das Keynotes gostaria de citar o professor Xin Zhang que ministra na Hong Kong University of Science and Technology. Sou leitor dos seus artigos, que são focados em ruído aeronáutico. Xin fundou o Airbus Noise Technology Centre aqui na University of Southampton, UK, onde o Davi Akkerman estudou e onde atualmente eu estudo. O trabalho de Xin Zhang é focado em aeroacústica computacional e aerodinâmica e ele tem mais de 25 anos em pesquisa básica.

Aos pesquisadores que pretendem participar futuramente deste congresso, é importante saber sobre quais são os tópicos aceitos. Entre eles podemos citar:

  • Acústica em dutos
  • Paisagem sonora em arquitetura e urbanismo
  • Geração e modelagem de ruído rodoviário
  • Controle ativo
  • Absorção sonora
  • Modelagem, medição e mitigação
  • Métodos e aplicações em vibroacústica estocástica
  • Controle e gerenciamento de ruído em construções
  • Controle e transmissão de ruído em edificações
  • Mapeamento de ruído
  • Ruído industrial
  • Privacidade
  • Visualização e manipulação sonora
  • Ruído de rotores
  • Ruído aeroportuário
  • Ruído induzido por escoamentos em água e ar
  • Certificação green building
  • Vibração
  • Psicoacústica
  • Aeroacústica computacional

E ainda há outros temas correlatos em seções técnicas curtas com 4 a 5 artigos científicos. Veja, que essa experiência é muito gratificante para acadêmicos e também para os profissionais, onde ambos conseguem ficar a par das tecnologias mais modernas no mundo. Veja aqui o relato de um participante brasileiro explicando um pouco sobre a tecnologia piezoelétrica aplicada às janelas acústicas.

Veja que a tecnologia discutida acima é um tipo de controle ativo, que basicamente consiste em anular o som/vibração ao aplicar inteligentemente um processamento em um sinal vindo de um transdutor. Esse sinal é direcionado a um atuador, que causa cancelamento da vibração e consequentemente do ruído gerado pela vibração de uma membrana, chapa, ou outro sistema ressonante. Esse tema ainda está em fase de muita pesquisa básica, e com pouca aplicação em produtos nacionais de prateleira.

O que precisamos no Brasil é de incorporação de tecnologias como essa citada, para avançar em termos de inovação e qualidade de vida. Acredito que só assim, com incentivos governamentais à produção de tecnologia nacional e com parcerias sérias entre universidades e empresas de inovação nacionais, consigamos implementar tecnologia de ponta em bens de consumo para todos os cidadãos.

Um muito obrigado a todos os nossos correspondentes! Nós do Portal Acústica estamos muito felizes com a cooperação e por vocês levantarem a bandeira da Acústica em nosso país.

 

Se você gostou do assunto, por favor comente sobre a questão: O que podemos fazer para inovar em nosso país?

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Abraços e nos vemos do outro lado do Portal!

 

Ruído ambiental e Indústria 4.0

Qual é a diferença entre Sons e Ruídos? Sons são o objeto de estudo da acústica, sendo que os ruídos são sons interpretados como indesejáveis e que causam desconforto ao ser humano. Os ruídos são gerados pelo homem, através de atividades que possam envolver algum tipo de equipamento que emite os ruídos e interfere na paisagem sonora de uma região. O ruído pode ser industrial, rodoviário, ferroviário, aeroportuário, metroviário, ou até algazarras, entre outros.

Saber avaliar os ruídos em um grande centro urbano é fundamental para realizar um planejamento urbano adequado. Pode-se identificar onde é a melhor posição para a construção de um empreendimento imobiliário residencial, por exemplo. Lembrando que o planejamento prévio reduz custos e re-trabalhos, além de garantir mais eficiência. Em virtude disso, um manual gratuito foi elaborado pela Pro Acústica sobre Classes de Ruído. Esse manual visa auxiliar o profissional encarregado da caracterização da característica do ruído em uma área. Ele contém alguns mitos e verdades a respeito do assunto. Uma leitura essencial sobre o tema. Você pode conferir clicando aqui. Na minha visão o manual é informativo e dá pinceladas sobre a norma EN 12354, que normatiza o cálculo do desempenho acústico de um ambiente, baseado nos elementos construtivos de cada parede, teto e piso. Apesar de ser curto, o manual auxilia o entendimento do conceito de Classe de Ruído e foca no profissional de acústica, que é o principal responsável por identificar a Classe de ruído, e com isso definir os critérios mínimos de desempenho acústico de uma edificação. Vale ressaltar que os níveis máximos de ruído de fachada são dependentes desta classe de ruído em uma edificação, e a norma NBR 15.575 é que permite estabelecer o mínimo de desempenho necessário para garantir a qualidade da mesma.

No vídeo a seguir, Pablo Serrano, fundador do Portal Acústica, explica como a cidade de Manchester (UK) se planeja com base no ruído ambiental gerado:

Podemos também pensar na questão do planejamento urbano com base em novos conceitos de IoT (Internet of Things). Vejamos o caso dos mapas de ruído. Se tivermos sensores acústicos espalhados pela cidade, podemos utilizar comunicação sem fio para transmissão dos dados e consequente mapeamento em tempo real. Isso pode disparar gatilhos que identifiquem atividades poluidoras imediatamente. Caso esses equipamentos sejam integrados a atuadores, quem sabe seja até possível realizar mascaramentos de ruídos ao se valer de transdutores instalados em locais estratégicos da cidade.

Enfim, a IoT é somente um dos elementos da Indústria 4.0, que atualmente é conhecida como a revolução da comunicação e do conhecimento. Existem sistemas de baixo custo para implementação de sistemas eletrônicos com alto grau de conectividade e controle. Desta forma, precisamos pensar nossas cidades como Smart Cities, onde ela mesmo se auto diagnostica e atua de forma a autônoma. Se existem carros autônomos hoje em dia, as cidades autônomas são somente uma questão de escala. E isso não se restringe à acústica! Imagine sistemas detectores de odores, de fumaça, de luminosidade, precipitação, e outros interligados e arquivando imensas quantidades de dados. Esse é o grande desafio dos dias de hoje, conseguir projetar com base no passado, mas observando tendências e estimativas calculadas com base em dados de sensores reais. Não teremos mais arquitetos e urbanistas que decidem com base em achismos ou observações supérfuas, mas sim baseados em históricos e comportamentos da região. Isso permite avaliar impactos e elaborar planos de contingência mais acertados, por exemplo nos casos de evacuações de áreas em caso de desastres naturais.

Como conclusão, segue a dica de estudo sobre IoT, Big Data e Mapeamento de Ruído. Juntos, esses elementos são essenciais para os profissionais que atuarão neste mercado da Indústria 4.0 que logo estará recrutando mais profissionais.

 

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