Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído – Poluição sonora é coisa séria!

Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído, International Noise Awareness Day (INAD), foi criado em 1996, nos Estados Unidos, pela League for the Hard of Hearing, hoje Center for Hearing and Comunication, para promover o evento mundial de conscientização, com diversas atividades e entre elas, 60 segundos de silêncio, a fim de demonstrar o impacto do ruído na vida cotidiana da população. Neste no ano de 2018 será no dia 25 de Abril.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a poluição sonora é o segundo maior agente poluidor ambiental, depois da poluição do ar. A poluição sonora é fator prejudicial à saúde pública. Então participe deste movimento e faça sua parte contra a poluição sonora que nos tira o sono e nos causa estresse.

ProAcústica reserva algumas atrações para este dia e convida você a participar! Nós do Portal Acústica somos totalmente a favor desta ideia e incentivamos toda a comunidade a lutar contra a poluição sonora.

Saiba mais sobre o INAD SP 2018!

Programação

NOTA: Todas as atividades serão em espaço público e gratuitas

A | #chegadebarulho
Intervenção urbana no Edifício Sede FIESP
Galeria de Arte Digital: 24/04/18 (das 22 às 6h) e 25/04/18 (das 19 às 6h)
Telão LED no pavimento térreo: 25/04/18 – ao longo de todo o dia

B | Estação de medição do nível de ruído
Projeção em tempo real via vídeo wall e ao longo de todo o dia na calçada do Edifício Sede FIESP

C | Manifesto do Silêncio
14h25 -14h26 – 60 segundos de silêncio

D | Lançamento Mapa de Ruído Urbano Projeto Piloto SP

Fonte: Proacústica

Onde fazer um curso de acústica no Brasil?

É fato que cada vez mais se pesquisa acústica no Brasil. Nas últimas décadas a preocupação de pesquisadores e empresas com a qualidade acústica de ambientes e com a saúde auditiva da população aumentou. Levando a abertura de um novo mercado de trabalho e capacitando novos profissionais nessa área. Mas onde estes profissionais estão se formando no Brasil? Quais cursos de graduação e pós-graduação já existentem? O que se está pesquisando atualmente em termos de poluição sonora e em termos de qualidade de vida relacionada à audição? Falaremos nesse artigo sobre alguns ramos da acústica, e sobre os cursos de acústica nos quais os profissionais brasileiros estão se formando. Veremos os cursos de graduação e pós-graduação em acústica no Brasil e o que eles oferecem.

Curso de acústica é multidisciplinar

A acústica é tida como uma área multidisciplinar onde o Engenheiro Acústico é o profissional capacitado que engloba conhecimentos principalmente da área de engenharia elétrica e mecânica, com bastante de computação e matemática. Em termos multidisciplinares, digamos que o profissional em acústica pode atuar nas áreas de engenharia, biociências, geociências e artes. Ou seja, a engenharia acústica possui uma gama gigantesca aplicações. Isso exige bastante especialização que em geral é oferecida por cursos regulares de graduação e pós-graduação, com ampla necessidade de cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Veja na figura abaixo as áreas de atuação que requerem conhecimentos em acústica.

Áreas da Acustica

 

Graduação em acústica no Brasil

Em 2009 surgiu na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. O primeiro, e até então único, curso de Engenharia Acústica do Brasil. O curso de acústica conta com uma abrangência de várias disciplinas. As principais linhas de estudo na graduação de Engenharia Acústica estão atreladas à engenharia civil. Entre elas:

  • acústica de salas,
  • acústica nas edificações,
  • controle de ruído de máquinas e equipamentos prediais.

Já as linhas de pesquisa ligadas à engenharia elétrica contemplam:

  • eletroacústica,
  • design de caixas acústicas,
  • processamento digital de sinais.

As linhas ligadas à engenharia mecânica incluem:

  • controle de vibrações,
  • controle de ruído industrial,
  • projeto de máquinas e componentes.

Outros tópicos ligados à qualidade de vida, engenharia ambiental e artes incluem:

  • psicoacústica,
  • acústica subjetiva,
  • fonoaudiologia,
  • acústica ambiental,
  • acústica musical,
  • áudio.

Maiores informações sobre o curso de graduação em engenharia acústica da UFSM podem ser obtidas no site do curso.

Curiosidade: Após a criação do primeiro curso de engenharia acústica brasileiro, foi possível articular junto ao CREA a inclusão da profissão “Engenheiro(a) Acústico(a)” entre às profissões cadastradas pelo conselho, até então inexistente no Brasil.

Apesar da baixa disponibilidade de cursos de graduação em acústica, já há diversos cursos de mestrado e doutorado strictu sensu no Brasil. Alguns possuem um viés mais profissionalizante mas em geral abordam a pesquisa básica e não aplicada. Abaixo iremos citar alguns dos principais centros de pesquisa e ensino que trabalham com acústica no país.

 

Pós-Graduação em acústica no Brasil

Ainda não existe no Brasil um programa de pós-graduação especificamente em Engenharia Acústica, mas já existem diversos programas atrelados a outros cursos com enfase em acústica.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica:  oferce disciplinas nss áreas de saúde auditiva, acústica submarina, acústica veicular, materiais porosos, controle de ruído e vibrações, métodos numéricos, ruído em comunidades e psicoacústica. É considerado o melhor curso do Brasil, sendo conceito 7 no CAPES.

  • Universidade Federal de Santa Maria

Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção: oferece linhas de pesquisa ligadas às áreas de acústica de salas, psicoacústica e qualidade sonora.

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil: oferece disciplinas ligadas às áreas de acústica ambiental e acústica arquitetônica .

  • Universidade de São Paulo

Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Física na área de levitação acústica. Para saber mais sobre levitação acústica leia esse outro artigo, clicando aqui. E pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica na áreas de processamento digital de sinais.

  • Universidade Estadual de Campinas

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil  e pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade  nas áreas de acústica de salas, conforto acústico, ruído ambiental, avaliação e desempenho acústico de edificações, processamento de sinais, controle ativo de ruído, reprodução espacial sonora.

  • Universidade Federal do Pará

Possui Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica nas áreas de  acústica de salas, vibrações mecânicas, processamento digital de sinais e acústica nas edificações.

Além desses cursos citados há outros centros de pesquisas localizados na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília e Universidade de Viçosa. Essa lista não é exaustiva, devemos dizer. É cada vez mais importante haver cursos de graduação, pós-graduação e especialização referentes à engenharia acústica, pois somente assim aumentará número de profissionais capacitados no mercado de trabalho. No nosso dia a dia observamos aberrações de interpretação de dados por pessoas sem formação e sem conhecimento técnico no assunto. Por isso é tão importante a formação, o que traz qualidade de vida à população.

Já deixamos aqui o convite para você inscrever-se agora no único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil  que será oferecido presencialmente no Rio de Janeiro e utilizará um software inovador e gratuito de predição da poluição sonora por fontes industriais.

Curso de Modelagem Acústica Ambiental

Programa:
1 – Conceitos básicos de propagação sonora
2 – Tipos de fontes sonoras
3 – Cálculos em dB
4 – Normativas ambientais em acústica
5 – Métodos de cálculo de propagação sonora
6 – Introdução ao iNoise
7 – Prática de modelagem de ruído
8 – Introdução aos métodos inovativos de mapeamento com drones e map at work
9 – Introdução ao Ruído ocupacional
10 – Requisitos para desempenho acústico em edificações residenciais
Local: 3R Brasil Tecnologia Ambiental, Cultura, Serviços e Comercio Ltda
Av. Rio Branco, 156 – 23º andar – sala 2323,
Centro – Rio de Janeiro
Data: 15/03/2018 (Única oportunidade)
Modalidade: Presencial
Duração: 5h, sendo 2h práticas e 3h teóricas.
Observação: trazer notebook
Professores: Rogério Regazzi e Pablo Serrano. Especialistas com notório saber no tema.
Investimento por aluno: R$1970,00 a vista ou 12x no cartão de crédito com juros (2,5% por parcela) via pag seguro ou paypal.

Mais informações sobre o iNoise e ferramentas inovadoras em controle de ruído em https://www.ambienciacustica.com/

Adquira seu curso agora enviando e-mail para contato@portalacustica.info e garanta sua vaga. Somente 5 vagas.

Workshop com multinacional alemã para os especialistas em acústica

WorkshopsA Knauf AMF, especialista em forros e revestimentos acústicos e arquitetônicos, estará pela primeira vez na Expo Revestir, que acontece em março deste ano. A grande surpresa será um workshop focado em acústica, sustentabilidade e design dos produtos da linha HERADESIGN, exclusivo aos especialistas em acústica. A data marcada é 12 de março, um dia antes da Feira iniciar, das 15h às 17h30, no Showroom da Knauf AMF (Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111).

A empresa vai aproveitar a presença de profissionais da Knauf AMF da Alemanha e da Áustria e o arquiteto austríaco, Klaus Nageler, Gerente de Produto e de Pesquisa e Desenvolvimento da linha Heradesign, vai ministrar o workshop em inglês (sem tradução simultânea).

Para ficar ainda melhor, ao término do workshop, a Knauf AMF oferecerá aos participantes um happy hour de confraternização. É ou não é aquela oportunidade que você não pode perder?

Mas atenção, as vagas são limitadas e a presença precisa ser confirmada com a Isadora pelo e-mail: foresto.isadora@knaufamf.com.

Sobre a Knauf

knauf
A Knauf é um dos principais fabricantes mundiais de materiais de isolamento modernos, sistemas de secagem, emplastros e acessórios, sistemas de isolamento térmico, tintas, pavimentos, sistemas de chão e equipamentos e ferramentas de construção. Com 150 instalações de produção e organizações de vendas em mais de 60 países, 26 mil funcionários em todo o mundo e vendas de 6,27 bilhões de euros (em 2013), o Grupo Knauf é, sem dúvida, um dos grandes players do mercado – na Europa, EUA, América do Sul, Rússia, Ásia, África e Austrália.

Workshop: Heradesign: Acústica, sustentabilidade e design
Preletor: Arqº Klaus Nageler
Local: Showroom da Knauf AMF

Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111 (estacionamento no local)

Data: 12 de março de 2018
Horário: Das 15h00 às 17h30
Idioma: Inglês (sem tradução simultânea)

Sobre a Expo Revestir

A Feira, que é sinônimo de negócios, inspiração, tendências, tecnologia e inovação, acontece nos dias 13 a 16 de março, das 10h às 19h, no Transamérica Expo Center (próximo à ponte Transamérica da via marginal ao Rio Pinheiros, zona sul da Capital de São Paulo). Mais informações, além do cadastro para o evento, podem ser feitos no site: www.exporevestir.com.br.

Janelas antirruído e projeto acústico de fachadas

Muitas vezes, na hora de lazer ou de trabalho, acabamos nos deparando com um vizinho com música alta, com o ruído do tráfego de veículos ou até mesmo de pessoas conversando na rua. Geralmente, só sentimos esse incômodo quando ele é tido em excesso. Mas esse ruído urbano é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, podendo ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição e também problemas extra-auditivos, como cardiovasculares, insônia e desconforto. Por causa disso, cada vez mais, a questão do ruído urbano está levando órgãos públicos e empresas a repensarem questões de acústica ambiental (urbana) e questões de isolamento acústico em edificações.

Com a preocupação da saúde e do bem estar da população foi criada, no Brasil, a NBR 15.575, que determina valores mínimos de isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações. Ela também determina o Rw, que é o índice de redução sonora ponderado, o principal parâmetro para a determinação do isolamento sonoro. Na maioria das vezes, o maior cuidado que precisamos ter é com as paredes externas, pois é a partir dessas que se tem os ruídos vindos do exterior e que nos incomodam tanto. Com um tratamento adequado da parede externa, principalmente das esquadrias, esse problema pode ser solucionado.

Sabemos que uma parede é composta por diversas morfologias e que junto à essa temos a esquadria que, em geral, é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Por isso as esquadrias merecem um cuidado especial na hora do projeto. No ramo de construção civil brasileira é comum utilizarmos janelas simples, mas em um projeto com um bom isolamento acústico isso não é suficiente. Já existem no mercado uma gama de tipos de janelas antirruído, sendo essas dominadas por janelas duplas. Porém, antes de falarmos sobre este assunto, devemos entender como funciona, de forma básica, a transmissão de uma onda sonora em uma esquadria e uma parede.

Na figura abaixo podemos observar que há três efeitos diferentes para uma onda sonora que incide em um aparato. Ela pode ser tanto refletida de volta ao ambiente, dissipada em forma de vibração ao longo da estrutura ou transmitira para o outro lado da parede.

Propagação sonora em uma parede

A nossa preocupação principal é fazer com que a onda incidente, que pode ser o ruído urbano, seja o mínimo transmitido possível para dentro da sua casa ou apartamento. Para isso temos de trabalhar com materiais especiais para ter um bom isolamento sonoro.

JANELAS SIMPLES

É comum em projetos brasileiros utilizar janelas simples, devido ao custo-benefício. Essas janelas são compostas por vidros com uma espessura de 4 à 8 mm e é comum a esquadria ser composta por alumínio, madeira ou PVC. É normal uma janela simples possuir um Rw entre 19~21 dB o que não acaba atendendo aos requisitos mínimos da NBR 15.575.  Algumas pesquisas mostram que deve-se esperar uma perda de desempenho de cerca de 5 dB, em média, entre o resultado obtido no laboratório e o do campo, mas podemos calcular através da norma EN 12354.

JANELAS DUPLAS

Para um bom desempenho de isolamento sonoro em edificações é comum utilizarmos janelas duplas. O objetivo é oferecer uma maior resistência à passagem da onda sonora pelo material (sendo a janela de vidro por exemplo). Para realizar esse isso, uma janela dupla deve ser composta de duas camadas de vidro e entre elas geralmente deixamos uma camada de ar, pois conforme a onda vai passando na estrutura vidro-ar-vidro ela perde mais energia do que passando por uma estrutura vidro-vidro, devido à troca de energias com os diferentes meios. Temos no mercado as janelas de vidro duplo, com espessuras variando de entre 6 e 10 mm, as quais possuem um Rw entre 32~37 dB, sendo esses valores satisfatórios para uma obra em locais de ruído não muito intenso.

Vidro duplo

Existem também opções de janelas com vidro triplo e quádruplo, porém, devemos analisar sempre o custo-benefício do projeto e para isso o indicado é realizar um estudo de impacto ambiental nos arredores do local para determinarmos valores de ruído externo. Desta forma saberemos qual é a janela mais adequada para o projeto.

JANELAS DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Janelas com controle ativo de ruído são produtos de inovações tecnológicas, mas ainda não muito utilizados no mercado. Elas têm como funcionamento o princípio de ondas destrutiva,  podendo ser a onda 1, uma onda provinda do ambiente externo (ruído) no qual haverá um dispositivo eletrônico junto a janela que irá reconhecer o ruído incidente e o mesmo irá reproduzir uma onda 2, de fase invertida, o que acarretará no cancelamento da onda. Essa parece ser uma ideia que acabaria com o problema do ruído externo, porém, o princípio de controle ativo de ruído em estruturas como janelas possuem algumas limitações na faixa de frequência e ainda não possuem resultados satisfatórios como os de isolamento de uma janela de vidro duplo. Mas essa é uma área que está sendo estudada e no futuro podemos ter bons materiais no mercado.

Também estão sendo estudadas as janelas ventiladas. O Brasil é um país tropical e parece interessante termos um sistema com uma ventilação natural do ambiente. Da mesma forma, como no controle ativo, essas janelas estão em fase de estudos, pois como irão proporcionar uma ventilação, suas esquadrias deixarão frestas, o que não seria adequado para ter um bom isolamento sonoro. Você pode saber assistindo o webinar de inovações tecnológicas clicando aqui.

Dicas importantes na escolha de uma janela adequada

Há diversos cuidados que devemos ter ao adquirir uma janela para um projeto. As janelas são formadas por vários elementos (vidro, esquadria, sistema de fechamento e vedações), em que cada um deles tem papel importante no desempenho final do produto. Devido a esta complexidade, é recomendável que os fabricantes forneçam ensaios de laboratório, a fim de comprovar seu isolamento acústico. Para além disso, o mais adequado para os fabricantes quando mostrarem seus produtos é que esses resultados venham em forma de banda de frequência, para que na hora da compra o cliente possa ter o conhecimento em quais há um maior isolamento.

Também devemos levar em consideração alguns cuidados para que a janela seja instalada de forma adequada para se ter uma melhor qualidade. O principal cuidado no momento da instalação é para que não fiquem frestas entre a esquadria e a parede. Isso vai impedir a passagem do som por meio de vibração estrutural dessas frestas.

Para maiores informações sobre como realizar medições, qual janela adequada para a sua obra ou maiores cuidados na compra e na instalação da sua janela, deve-se procurar um especialista em isolamento acústico em edificações, bem como um Engenheiro Acústico ou um Engenheiro Civil, ou ainda, um técnico em edificações que tenha entendimento no assunto.

Além disso, é necessário ter o conhecimento sobre elementos construtivos, como quais tipos de vidro e de esquadrias são mais adequados para o seu projeto e também conhecimentos técnicos como a importância da lei da massa, da lei das frestas, de como realizar uma medição adequada em laboratório e in loco, seguindo as devidas normas internacionais. Para isso estaremos lançando nos próximos dias um e-book que é um Manual de Janelas Antirruído, não deixe de conferir esse material completo nos próximos dias.

 

Gostou do conteúdo? Quer saber o passo a passo para escolher a melhor janela antirruído fazendo um projeto acústico de fachada? Se inscreva no workshop gratuito.

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

CLIQUE AQUI E SE INSCREVA

Como os drones auxiliam o controle ambiental

Quando a maioria das pessoas pensa em drones, provavelmente associa a uma diversão, ou para fazer boas imagens aéreas. Mas tem muita gente usando eles para aplicações mais refinadas que demandam tecnologia avançada. Esses pequenos brinquedos na verdade podem ser grandes aliados no agronegócio, cinema, aplicações industriais, mas também para a engenharia civil e ambiental. Neste artigo quero explorar um pouco o tema ao usar os drones para realizar mapeamentos que sirvam como base para o controle ambiental. Inclusive esse controle pode incluir parâmetros como térmicos e acústicos.

–> Inscreva-se no webinar sobre o tema AGORA clicando aqui

Criei um interesse especial sobre esse tema depois de participar o maior Forum de aviação do mundo, o AIAA Aviation Forum, realizado em Denver, onde apresentei um trabalho sobre medição acústica para materiais acústicos em aeronaves no congresso de aeroacústica, o AIAA/CEAS. E esse gosto me levou a estudar mais o tema que compartilho aqui com vocês.

Pablo no congresso AIAA

Pablo Serrano no congresso AIAA/CEAS (Não reparem o penteado…)

Uso de drones em engenharia

Uma empresa russa chamada Geoscan desenvolveu um software chamado Photoscan, que permite coletar diversas imagens aéreas de um drone, referenciar elas através de satélites e com isso gerar mapas tridimensionais de qualidade. Veja o video abaixo.

Imagine agora poder utilizar tais imagens para fazer a gestão de obras em andamento. Uma possibilidade é a entrada neste mapa virtual ultra realístico para realizar inspeções usando realidade virtual, o que não é nada do outro mundo hoje em dia.

Existem diversas aplicações dos drones, e vou listar algumas aplicáveis à engenharia ambiental, mecânica, elétrica e civil abaixo:

  • Mapeamento térmico para inspeção de tubulações utilizando câmeras térmicas
  • Elaboração de modelos 3D para museus e arquivo
  • Controle e gestão de obras
  • Monitoramento de desmatamento
  • Monitoramento de dispersão de gases poluentes
  • Monitoramento de vazamentos de poluentes em águas
  • Inspeção de parques eólicos
  • Inspeção de linhas de transmissão de energia
  • Fiscalização do plano diretor por invasão de áreas
  • Acompanhamento de ocupação do solo

Enfim, o que gostaríamos de salientar, é que os modelos tridimensionais podem ser utilizados como arquivos de alta fidelidade, com precisão de cerca de 5 cm dependendo da tecnologia, para elaboração de modelos de engenharia. Quando digo modelos, podemos pensar em um cálculo matemático usando parâmetros físicos para descrever o comportamento de um fenômeno. Por exemplo a dispersão de um gás em uma cidade, de acordo com a direção do vento, densidade e relevo. Outro parâmetro que depende fortemente do relevo e da absorção dos materiais é o som.

–> Inscreva-se no webinar sobre o tema AGORA clicando aqui

Modelos de propagação sonora

A propagação sonora em ambientes abertos, por vezes é realizada em softwares, como o iNoise, que simplificam ao máximo o relevo e as propriedades acústicas de absorção dos materiais, e permitem realizar cálculos rápidos dos níveis de pressão sonora. Entretanto, se realizamos algumas medições em pontos específicos e criarmos um modelo, esse será praticamente estático.

Para se ter mais qualidade de detalhes do relevo, os drones permitem realizar medições em intervalos regulares de tempo. E com isso ter mapas atualizados e com alta qualidade, que permitem atualizar o mapa de ruído periodicamente. Se aliarmos a posição de cada medidor de nível de pressão sonora que está realizando uma medição contínua, com as coordenadas de GPS das ortofotos geradas pelas imagens do drone, podemos ter um mapa acústico em tempo real! Isso é incrível e praticamente inconcebível para muitas pessoas, visto o custo computacional. Entretanto, essa pode ser uma solução muito interessante para monitoramento de explosões, de eventos esportivos ou culturais com duração reduzida e que causam um impacto ambiental considerável.

Como fazer isso

Primeiramente é necessário dispor de um drone que tenha capacidade de carregar uma câmera adequada à aplicação. Por exemplo, se o objetivo é determinar a periculosidade em uma chaminé, pode-se utilizar uma câmera térmica que inclusive pode ser colocada em um drone durante a noite para verificar a temperatura e inspecionar rachaduras nas paredes da chaminé.

Depois é necessário um software de processamento de imagens para geração das ortofotos. O Photoscan é uma das alternativas, e o Drone Deploy é outra. Depois de possuir as ortophotos é necessário um software de modelagem acústica, por exemplo o iNoise, que importa os arquivos do relevo e realiza os cálculos de propagação ao inserir as fontes sonoras. Os dados das fontes sonoras podem ser adquiridos em tempo real de uma estação de monitoramento ambiental, ou ainda podem vir de medições realizadas por um profissional que foi à campo.

O site Ambiência Acústica apresenta mais detalhes em termos de legislação e de como isso é realizado considerando fatores importantes como a insalubridade. Essa questão de segurança do trabalho é de extrema importância visto a enorme quantidade de processos trabalhistas advindos da falta de projeto, controle e manutenção de infra-estruturas que abrigam diversos funcionários, os quais estão expostos a agentes de risco.

Outra referência interessante é o projeto BlueAeroVision que trás mais detalhes sobre as diversas aplicações do uso de drones na engenharia. Vale a pena conferir, portanto veja o video abaixo.

 

Se você se interessou e quer saber mais. Nós do Portal Acústica vamos fazer um webinar, neste dia 10/01/2018 às 20h de Brasília, entrevistando o MEng. Rogério Regazzi, que é especialista no tema. Vamos abordar as tecnologias e aplicações, explorando a questão de saúde ocupacional e de controle ambiental.

–> Inscreva-se no webinar AGORA clicando aqui

Metamateriais acústicos – verdade ou ficção?

O que são e para que servem os metamateriais

Quando falamos sobre metafísica, muitos pensam que é um assunto bastante complexo e teórico. Entretanto, com metamateriais, o assunto é bem palpável e real. Tanto que nos últimos 5 anos a comunidade discutindo e pesquisando esse assunto têm crescido consideravelmente. Por metamateriais entendemos qualquer arranjo físico de um material no qual podemos ter controle sobre as propriedades físicas desejadas. Isso significa, que aplicações de engenharia avançada podem escolher as propriedades requeridas e com isso fabricar metamateriais para atender a esses requisitos. Ou seja, na óptica, precisamos de certa refletividade, certa distância focal, ou ainda outro parâmetro mais avançado.

Agora na acústica, podemos controlar desde parâmetros macroscópicos quando microscópicos. Por exemplo, imagine poder controlar a densidade, resistividade ao fluxo, porosidade, comprimentos característicos térmico e viscoso, ou ainda a tortuosidade e a quantidade de poros abertos e fechados? Além disso, essa tecnologia permite criar materiais porosos compósitos em camadas ou compósitos com propriedades superiores. Uma maneira popular de medir as propriedades macroscópicas do material acústico é usando um tubo de impedância, conforme a figura abaixo.

Tubo de Impedância - Laboratório de Le Mans, FR

Tubo de Impedância – Laboratório de Le Mans, FR

Conversamos com um pesquisador brasileiro em Leuven, Bélgica, sobre o tema durante o SAPEM, simpósio realizado em Le Mans em dezembro de 2017. Noé Geraldo Filho nos conta sua visão sobre o tema.

O quão bom pode ser um metamaterial acústico?

Veja agora o que é possível de realizar com um metamaterial acústico de forma a manter ou reduzir o peso de uma estrutura e ainda assim garantir a absorção sonora de forma que a transmissibilidade sonora seja altamente reduzida. Lembramos que isso é de grande interesse da indústria da construção civil. Isso porque precisamos continuar construindo a um baixo custo, de forma a reciclar materiais e utilizar o mínimo de material evitando disperdícios. Confira no video abaixo.

Problemas e perspectivas

Algumas outras curiosidades em relação à caracterização tanto mecânica quanto acústica dos materiais acústicos porosos e poroelásticos é que os métodos utilizados para determinação dos parâmetros acima citados são diversos. Isso causa divergência entre resultados obtidos com as mesmas amostras em diferentes laboratórios e centros de pesquisa. Um material de difícil caracterizar é a melamina. Esse material atualmente é a base das espumas utilizadas em estúdios, boates e restaurantes no Brasil e no mundo, visto a sua alta absorção sonora e incombustibilidade. Ou seja, é requisito de segurança que hoje não se abre mão em locais de grande circulação de pessoas. Os pesquisadores que estiveram na Denorms Traning School 3, apresentaram um estudo incluindo diversas análises estatísticas e que conta com mais de 15 autores e 9 instituições de pesquisa. A conclusão é que um método padronizado é mais do que necessário para a caracterização mecânica de materiais porosos, incluindo parâmetros como o módulo de Young e o coeficiente de poisson. Esses valores são críticos para o projeto de componentes mecânicos para a indústria automotiva, aeroespacial e médica.

Veja os comentários de Pablo Serrano sobre o tema nesse video abaixo, onde ele discute essa questão, incluindo a problemática dos atuais métodos de obtenção do coeficiente de absorção sonora em ambiente difuso usando câmaras reverberantes.

Se você gostou deste tema, por favor baixe o nosso guia de softwares em acústica clicando aqui e fique por dentro dos webinars que organizamos regularmente. Eles permitem o constante contato de nossa comunidade apaixonada por acústica e a troca de experiências entre os profissionais do ramo. Fica abaixo o convite para o webinar sobre acústica em igrejas com o Arq. Cristhian Nascimento, profissional de acústica e iluminação e palestrante do TEDx.

Acústica para auditórios – Quais problemas contornar?

Existem projetos acústicos complexos, como salas de concerto multiuso e teatros. Entretanto, em geral temos visto a multiplicação de auditórios de 50 a 200 pessoas com o objetivo de treinamento corporativo. Muitos destes ambientes possuem dimensões pequenas a médias, onde o objetivo principal é otimizar o espaço ao máximo. Entretanto, o projeto de auditórios destes ambientes é por vezes negligenciado devido a falta de entendimento dos conceitos básicos de acústica. Como consequência, as pessoas acabam por contratar sistemas de som, ou mesmo uma consultoria para resolver os problemas acústicos em um estágio já avançado da obra, o que encarece a obra, visto que fica complicado consertar o que deveria já ter nascido bem.
Portanto, nossos objetivo neste artigo é identificar os principais problemas encontrados nos projetos de acústica para auditórios. Para assim, prever o aparecimento de tais problemas, e caso necessário, você já tenha conhecimento das principais métricas para avaliar a qualidade acústica de um auditório antes dele sair do papel. Vamos lá!

Defeitos acústicos em auditórios

Entre os principais problemas relatados em auditórios de pequeno a médio porte, vamos citar alguns que estão relacionados à homogeneidade do som no ambiente, à capacidade do auditório em absorver o som do ambiente, e outros estão ligados a inteligibilidade da voz.

Focalização

Nesta figura abaixo podemos ver alguns raios acústicos de uma fonte pontual em um palco. Conforme o som bate em uma parede côncava ao fundo, assim como a luz, eles formam um ponto focal. Esse defeito pode causar bastante desconforto em algumas posições de audição, e deve ser evitado quando detectado. Veja que os teatros e auditórios em formato de ferradura podem vir a apresentar esse problema.

exemplo de ponto focal

Exemplo de ponto focal

Falta ou excesso de absorção

No que tange a quantidade de absorção sonora, podemos partir de uma avaliação bem básica usando a fórmula de Sabine. Essa fórmula considera alguns elementos do ambiente como áreas de cada superfície (paredes, piso e forro) além do volume da sala e absorção média dos materiais acústicos. A fórmula fornece um valor razoável como um chute inicial para determinar o tempo de reverberação. O tempo de reverberação ideal para cada sala varia de acordo com o volume de cada auditório. E em outras aplicações, como música em teatros, em geral o tempo de reverberação ideal é mais alto do que em auditórios. Diversos estudos foram feitos em auditórios reais e em geral o tempo de reverberação para auditórios deve ser da ordem de 0,8 a 1,2 segundos. Isso porque uma sala muito seca (pouca reverberação) não nos dá uma sensação de intimidade. Já uma reverberação muito longa pode vir a confundir o ouvinte, que pode ouvir uma sílaba que sai diretamente da boca do orador, juntamente com outra sílaba emitida anteriormente, fundindo ambas. Ao ouvir duas sílabas juntas em níveis parecidos, pode ser que a pessoa caracterize o som como “embolado”, o que causa desconforto. Esse defeito é decorrente da absorção.
LB Home Auditório Artefacto - Bahia, Brasil.

Inteligibilidade

Em termos de inteligibilidade, temos que ter em mente que podemos estar falando de nível ou de cobertura, ou seja, caso o ouvinte esteja muito distante, pode ser necessário o uso de um sistema de som. Por outro lado, caso haja falta de cobertura sonora em algumas frequências, pode ser difícil distinguir sílabas similares.
Entretanto, devido a característica de absorção dos materiais e sua distribuição, podemos ter locais com diferente distribuição do conteúdo de frequência do som. O interessante é medir os parâmetros ao obter respostas impulsivas da sala. Veja um video que explica um pouco disso neste artigo aqui. Existem parâmetros técnicos e quantitativos que permitem avaliar esse aspecto de inteligibilidade. Entre eles podemos citar:

  • A articulação das consoantes, ALCons
  • O índice de transmissão da fala, STI

Sendo que indiretamente o tempo de reverberação pode ser considerado um parâmetro de inteligibilidade. Exploramos mais sobre esse tema neste post aqui. Se você quiser se aprofundar um pouco mais aconselhamos a dissertação da Profa. Gabriela Kurtz Oliveira que pode ser vista aqui.

Gostou do tema? Deixe seu comentário para nós, ficaríamos muito felizes em ajudar.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.

 

Medição acústica em um anfiteatro

Realizar a medição acústica de uma sala de aula em uma escola, ou de um anfiteatro em uma universidade,  é uma prática bastante importante para assegurar conforto acústico, reduzir a fadiga dos professores e melhorar os níveis de aprendizado dos alunos.

Estudos recentes mostram que um ambiente mais silencioso é primordial para o ensino de jovens, especialmente crianças, devido a maior propensão delas ao mascaramento de informações. Isso significa que crianças não usam o seu julgamento e pré conhecimento sobre os assuntos ministrados em sala de aula para formar os conceitos. Então, as crianças estão mais sucetíveis a absorver a informação de maneira errada, caso estejam na presença de sons que não são gerados pelo educador. E realmente é triste ver a realidade de diversas escolas públicas do Brasil com ambientes muito mal preparados para o ensino, com muito ruído de fundo (externo ou interno e que não é gerado pelo educador).

O vídeo a seguir mostra como foi realizada a medição de resposta impulsiva num dos anfiteatros da Universidade de Southampton (UK), onde utilizamos dois diferentes equipamentos para gravar o som e realizar um pós processamento dos dados. Veja o procedimento em:

Utilizando uma fonte sonora, microfones e um sonômetro, os especialistas puderam realizar uma medição acústica do tempo de reverberação (artigo comentado no video) do ambiente ao avaliar o decaimento do som no ambiente ao utilizar um sinal de varredura. Os dados das gravações da resposta impulsiva da sala podem ser usados para realizar operações de convolução, e obter em um sistema de áudio uma reprodução de como qualquer som soaria se estivesse sendo executado neste anfiteatro. Em outras palavras, essas medições permitem criar um modelo tridimensional da sala que represente a acústica do anfiteatro naquele ponto de audição, ao colocar uma fonte sonora qualquer naquele ponto que a caixa de som reproduziu a varredura. Isso é incrível, visto que podemos recriar a sensação de estar fisicamente naquela sala. Isso é muito útil ao projetar esse tipo de ambiente, de forma que possamos prever a acústica da sala mesmo sem ela existir.

Digamos que queremos reproduzir a mesma planta, ou desenho arquitetônico em outro prédio. Podemos verificar as deficiências deste anfiteatro existente, e gerar um modelo acústico computadorizado que permita otimizar a sala. Assim, o projeto vai sempre se aperfeiçoando. Veja que isso é extremamente útil, para reduzir custos e garantir a qualidade em projetos que sejam replicáveis.

Para melhorar o conforto acústico, podem ser estudadas a alteração dos materiais de revestimento do teto, piso e móveis, por exemplo. Isso interfere principalmente no coeficiente de absorção e difusão médio da sala. E de maneira geral podemos com isso controlar o tempo de reverberação, que é uma métrica essencial. Essa métrica influencia parâmetros mais complexos de qualidade ligados à inteligibilidade da palavra falada. Temos um artigo sobre esse tema inclusive. Clique aqui para ler caso tenha interesse.

Esse vídeo sobre medição de resposta impulsiva em um anfiteatro foi útil para você? Então compartilhe com seus amigos e colegas nas suas redes sociais. Deixa também seu comentário abaixo para sabermos o seu feedback!

Quer saber um pouco mais sobre assuntos mais técnicos? Que tal assistir a um seminário online sobre como controlar a vibração em edificações e com isso evitar o ruído de fundo que tanto atrapalha o aprendizado nas escolas e o sono em nossas casas?

Blog Chamada Webinar

Clique e se inscreva no webinar gratuito.

Software de modelagem da poluição sonora gratuito!

Passando pelos corredores da feira de negócios, dentro do Congresso Internacional de Acústica e Vibrações (ICSV24) em Londres, me deparei com um stand de uma empresa de softwares para acústica que me chamou a atenção. Eu já tinha ouvido falar da ferramenta deles, o iNoise, que prometia ser gratuita para consultores e engenheiros em início de carreira. Então decidi conversar e tirar as minhas dúvidas. Para a minha surpresa, eles me deram uma licença que permite colocar a minha própria marca nos mapas gerados em uma interface que eu já estou acostumado, visto que são os mesmos desenvolvedores do Predictor Lima.

Ainda vamos ouvir muito sobre o iNoise, um software que no Brasil é oferecido pela 3R Brasil, uma empresa do Rio de Janeiro que oferece tecnologia de ponta em termos de monitoramento de ruído, modelagem e controle de ruído ocupacional. Podes habilitar as legendas em Português caso necessário.

Como dito no video, o iNoise é oferecido em 3 tipos distintos de licenças, sendo uma gratuita, outra profissional e a terceira para empresas. Cada modalidade de licença tem suas limitações em termos da quantidade de prédios e fontes sonoras que podem ser modeladas. A aquisição pode ser realizada no site do fornecedor fazendo o download do iNoise, que é rapidamente instalado. A configuração é simples e não requer suporte. Entretanto, se você ainda não tem familiaridade com esse tipo de ferramenta, talvez seja interessante realizar um curso que abranja as normativas utilizadas.

As normas ISO 9613 de controle de qualidade em termos do método de cálculo de poluição sonora em ambientes externos, e a norma ISO 1996 que descreve os procedimentos de medição e avaliação de ruído ambiental são atendidas no iNoise. Em termos de ruído rodoviário, podemos citar a norma ISO 9613-2 e a RLS90 que estabelecem a categoria dos veículos em termos do modelo de cálculo de potência sonora em fontes lineares e equivalentes utilizado. Entretanto, se outras fontes de ruído precisarem ser modeladas, como por exemplo fazendas eólicas e fontes portuárias ou industriais, o software também permite a inclusão nos modelos. Lembrando que modelos são representações ideais de fenômenos físicos ou de equipamentos, de forma que eles contemplam uma faixa de incerteza devido às condições climáticas, épocas do ano, temperatura, ventos e outras variáveis que influenciam o comportamento do som. Assim como o furação IRMA que está varrendo as Bahamas, Cuba e Flórida, veja há certa diferença entre os modelos preditivos durante uma semana de análise. Quanto maior o problema, mais imprecisão o modelo terá. A Teoria do Caos por vezes é utilizada para gerar previsões de grande porte, mas para problemas acústicos na Europa, já existem muitas medições que permitem ter modelos mais fiéis com cerca de 4 dB de variabilidade.

Para se ter uma ideia em quanto é importante prever a poluição sonora, veja o caso do festival Na Praia que teve uma multa emitida pelo IBRAM de R$15.000,00 por perturbação do sossego. A empresa 3R Brasil foi contatada para resolver o problema e atuou de forma ativa no controle do ruído do festival. O controlador de ruído para eventos altamente intermitentes e esporádicos se mostrou como uma ótima solução. Entretanto, para ambientes industriais o ruído pode ser fator determinante na implantação de um parque industrial, um estaleiro, ou outra atividade que também tenha grande impacto ambiental.

Na minha visão, os modelos acústicos usados no Brasil ainda confiam muito nos trabalhos realizados no exterior (Europa e EUA), sendo que nossos carros, nossos aviões, nossos caminhões e nossas indústrias são diferentes das dos europeus ou norte americanos. Precisamos de mais medições, mais estudos, mais pesquisa, mais modelos e mais softwares com a nossa assinatura tupiniquim. Só assim teremos mais possibilidade de gerar valor aos nossos clientes, ao ser mais precisos em nossos modelos. Mas por agora, podemos começar com o que nos aparece na frente, sem custo, e que permite ao menos começarmos a trabalhar sem incorrer em pesados investimentos, especialmente para quem está começando.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.