Workshop com multinacional alemã para os especialistas em acústica

WorkshopsA Knauf AMF, especialista em forros e revestimentos acústicos e arquitetônicos, estará pela primeira vez na Expo Revestir, que acontece em março deste ano. A grande surpresa será um workshop focado em acústica, sustentabilidade e design dos produtos da linha HERADESIGN, exclusivo aos especialistas em acústica. A data marcada é 12 de março, um dia antes da Feira iniciar, das 15h às 17h30, no Showroom da Knauf AMF (Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111).

A empresa vai aproveitar a presença de profissionais da Knauf AMF da Alemanha e da Áustria e o arquiteto austríaco, Klaus Nageler, Gerente de Produto e de Pesquisa e Desenvolvimento da linha Heradesign, vai ministrar o workshop em inglês (sem tradução simultânea).

Para ficar ainda melhor, ao término do workshop, a Knauf AMF oferecerá aos participantes um happy hour de confraternização. É ou não é aquela oportunidade que você não pode perder?

Mas atenção, as vagas são limitadas e a presença precisa ser confirmada com a Isadora pelo e-mail: foresto.isadora@knaufamf.com.

Sobre a Knauf

knauf
A Knauf é um dos principais fabricantes mundiais de materiais de isolamento modernos, sistemas de secagem, emplastros e acessórios, sistemas de isolamento térmico, tintas, pavimentos, sistemas de chão e equipamentos e ferramentas de construção. Com 150 instalações de produção e organizações de vendas em mais de 60 países, 26 mil funcionários em todo o mundo e vendas de 6,27 bilhões de euros (em 2013), o Grupo Knauf é, sem dúvida, um dos grandes players do mercado – na Europa, EUA, América do Sul, Rússia, Ásia, África e Austrália.

Workshop: Heradesign: Acústica, sustentabilidade e design
Preletor: Arqº Klaus Nageler
Local: Showroom da Knauf AMF

Rua Princesa Isabel, 94, Sl. 111 (estacionamento no local)

Data: 12 de março de 2018
Horário: Das 15h00 às 17h30
Idioma: Inglês (sem tradução simultânea)

Sobre a Expo Revestir

A Feira, que é sinônimo de negócios, inspiração, tendências, tecnologia e inovação, acontece nos dias 13 a 16 de março, das 10h às 19h, no Transamérica Expo Center (próximo à ponte Transamérica da via marginal ao Rio Pinheiros, zona sul da Capital de São Paulo). Mais informações, além do cadastro para o evento, podem ser feitos no site: www.exporevestir.com.br.

Janelas antirruído e projeto acústico de fachadas

Muitas vezes, na hora de lazer ou de trabalho, acabamos nos deparando com um vizinho com música alta, com o ruído do tráfego de veículos ou até mesmo de pessoas conversando na rua. Geralmente, só sentimos esse incômodo quando ele é tido em excesso. Mas esse ruído urbano é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, podendo ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição e também problemas extra-auditivos, como cardiovasculares, insônia e desconforto. Por causa disso, cada vez mais, a questão do ruído urbano está levando órgãos públicos e empresas a repensarem questões de acústica ambiental (urbana) e questões de isolamento acústico em edificações.

Com a preocupação da saúde e do bem estar da população foi criada, no Brasil, a NBR 15.575, que determina valores mínimos de isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações. Ela também determina o Rw, que é o índice de redução sonora ponderado, o principal parâmetro para a determinação do isolamento sonoro. Na maioria das vezes, o maior cuidado que precisamos ter é com as paredes externas, pois é a partir dessas que se tem os ruídos vindos do exterior e que nos incomodam tanto. Com um tratamento adequado da parede externa, principalmente das esquadrias, esse problema pode ser solucionado.

Sabemos que uma parede é composta por diversas morfologias e que junto à essa temos a esquadria que, em geral, é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Por isso as esquadrias merecem um cuidado especial na hora do projeto. No ramo de construção civil brasileira é comum utilizarmos janelas simples, mas em um projeto com um bom isolamento acústico isso não é suficiente. Já existem no mercado uma gama de tipos de janelas antirruído, sendo essas dominadas por janelas duplas. Porém, antes de falarmos sobre este assunto, devemos entender como funciona, de forma básica, a transmissão de uma onda sonora em uma esquadria e uma parede.

Na figura abaixo podemos observar que há três efeitos diferentes para uma onda sonora que incide em um aparato. Ela pode ser tanto refletida de volta ao ambiente, dissipada em forma de vibração ao longo da estrutura ou transmitira para o outro lado da parede.

Propagação sonora em uma parede

A nossa preocupação principal é fazer com que a onda incidente, que pode ser o ruído urbano, seja o mínimo transmitido possível para dentro da sua casa ou apartamento. Para isso temos de trabalhar com materiais especiais para ter um bom isolamento sonoro.

JANELAS SIMPLES

É comum em projetos brasileiros utilizar janelas simples, devido ao custo-benefício. Essas janelas são compostas por vidros com uma espessura de 4 à 8 mm e é comum a esquadria ser composta por alumínio, madeira ou PVC. É normal uma janela simples possuir um Rw entre 19~21 dB o que não acaba atendendo aos requisitos mínimos da NBR 15.575.  Algumas pesquisas mostram que deve-se esperar uma perda de desempenho de cerca de 5 dB, em média, entre o resultado obtido no laboratório e o do campo, mas podemos calcular através da norma EN 12354.

JANELAS DUPLAS

Para um bom desempenho de isolamento sonoro em edificações é comum utilizarmos janelas duplas. O objetivo é oferecer uma maior resistência à passagem da onda sonora pelo material (sendo a janela de vidro por exemplo). Para realizar esse isso, uma janela dupla deve ser composta de duas camadas de vidro e entre elas geralmente deixamos uma camada de ar, pois conforme a onda vai passando na estrutura vidro-ar-vidro ela perde mais energia do que passando por uma estrutura vidro-vidro, devido à troca de energias com os diferentes meios. Temos no mercado as janelas de vidro duplo, com espessuras variando de entre 6 e 10 mm, as quais possuem um Rw entre 32~37 dB, sendo esses valores satisfatórios para uma obra em locais de ruído não muito intenso.

Vidro duplo

Existem também opções de janelas com vidro triplo e quádruplo, porém, devemos analisar sempre o custo-benefício do projeto e para isso o indicado é realizar um estudo de impacto ambiental nos arredores do local para determinarmos valores de ruído externo. Desta forma saberemos qual é a janela mais adequada para o projeto.

JANELAS DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Janelas com controle ativo de ruído são produtos de inovações tecnológicas, mas ainda não muito utilizados no mercado. Elas têm como funcionamento o princípio de ondas destrutiva,  podendo ser a onda 1, uma onda provinda do ambiente externo (ruído) no qual haverá um dispositivo eletrônico junto a janela que irá reconhecer o ruído incidente e o mesmo irá reproduzir uma onda 2, de fase invertida, o que acarretará no cancelamento da onda. Essa parece ser uma ideia que acabaria com o problema do ruído externo, porém, o princípio de controle ativo de ruído em estruturas como janelas possuem algumas limitações na faixa de frequência e ainda não possuem resultados satisfatórios como os de isolamento de uma janela de vidro duplo. Mas essa é uma área que está sendo estudada e no futuro podemos ter bons materiais no mercado.

Também estão sendo estudadas as janelas ventiladas. O Brasil é um país tropical e parece interessante termos um sistema com uma ventilação natural do ambiente. Da mesma forma, como no controle ativo, essas janelas estão em fase de estudos, pois como irão proporcionar uma ventilação, suas esquadrias deixarão frestas, o que não seria adequado para ter um bom isolamento sonoro. Você pode saber assistindo o webinar de inovações tecnológicas clicando aqui.

Dicas importantes na escolha de uma janela adequada

Há diversos cuidados que devemos ter ao adquirir uma janela para um projeto. As janelas são formadas por vários elementos (vidro, esquadria, sistema de fechamento e vedações), em que cada um deles tem papel importante no desempenho final do produto. Devido a esta complexidade, é recomendável que os fabricantes forneçam ensaios de laboratório, a fim de comprovar seu isolamento acústico. Para além disso, o mais adequado para os fabricantes quando mostrarem seus produtos é que esses resultados venham em forma de banda de frequência, para que na hora da compra o cliente possa ter o conhecimento em quais há um maior isolamento.

Também devemos levar em consideração alguns cuidados para que a janela seja instalada de forma adequada para se ter uma melhor qualidade. O principal cuidado no momento da instalação é para que não fiquem frestas entre a esquadria e a parede. Isso vai impedir a passagem do som por meio de vibração estrutural dessas frestas.

Para maiores informações sobre como realizar medições, qual janela adequada para a sua obra ou maiores cuidados na compra e na instalação da sua janela, deve-se procurar um especialista em isolamento acústico em edificações, bem como um Engenheiro Acústico ou um Engenheiro Civil, ou ainda, um técnico em edificações que tenha entendimento no assunto.

Além disso, é necessário ter o conhecimento sobre elementos construtivos, como quais tipos de vidro e de esquadrias são mais adequados para o seu projeto e também conhecimentos técnicos como a importância da lei da massa, da lei das frestas, de como realizar uma medição adequada em laboratório e in loco, seguindo as devidas normas internacionais. Para isso estaremos lançando nos próximos dias um e-book que é um Manual de Janelas Antirruído, não deixe de conferir esse material completo nos próximos dias.

 

Gostou do conteúdo? Quer saber o passo a passo para escolher a melhor janela antirruído fazendo um projeto acústico de fachada? Se inscreva no workshop gratuito.

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

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Como os drones auxiliam o controle ambiental

Quando a maioria das pessoas pensa em drones, provavelmente associa a uma diversão, ou para fazer boas imagens aéreas. Mas tem muita gente usando eles para aplicações mais refinadas que demandam tecnologia avançada. Esses pequenos brinquedos na verdade podem ser grandes aliados no agronegócio, cinema, aplicações industriais, mas também para a engenharia civil e ambiental. Neste artigo quero explorar um pouco o tema ao usar os drones para realizar mapeamentos que sirvam como base para o controle ambiental. Inclusive esse controle pode incluir parâmetros como térmicos e acústicos.

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Criei um interesse especial sobre esse tema depois de participar o maior Forum de aviação do mundo, o AIAA Aviation Forum, realizado em Denver, onde apresentei um trabalho sobre medição acústica para materiais acústicos em aeronaves no congresso de aeroacústica, o AIAA/CEAS. E esse gosto me levou a estudar mais o tema que compartilho aqui com vocês.

Pablo no congresso AIAA

Pablo Serrano no congresso AIAA/CEAS (Não reparem o penteado…)

Uso de drones em engenharia

Uma empresa russa chamada Geoscan desenvolveu um software chamado Photoscan, que permite coletar diversas imagens aéreas de um drone, referenciar elas através de satélites e com isso gerar mapas tridimensionais de qualidade. Veja o video abaixo.

Imagine agora poder utilizar tais imagens para fazer a gestão de obras em andamento. Uma possibilidade é a entrada neste mapa virtual ultra realístico para realizar inspeções usando realidade virtual, o que não é nada do outro mundo hoje em dia.

Existem diversas aplicações dos drones, e vou listar algumas aplicáveis à engenharia ambiental, mecânica, elétrica e civil abaixo:

  • Mapeamento térmico para inspeção de tubulações utilizando câmeras térmicas
  • Elaboração de modelos 3D para museus e arquivo
  • Controle e gestão de obras
  • Monitoramento de desmatamento
  • Monitoramento de dispersão de gases poluentes
  • Monitoramento de vazamentos de poluentes em águas
  • Inspeção de parques eólicos
  • Inspeção de linhas de transmissão de energia
  • Fiscalização do plano diretor por invasão de áreas
  • Acompanhamento de ocupação do solo

Enfim, o que gostaríamos de salientar, é que os modelos tridimensionais podem ser utilizados como arquivos de alta fidelidade, com precisão de cerca de 5 cm dependendo da tecnologia, para elaboração de modelos de engenharia. Quando digo modelos, podemos pensar em um cálculo matemático usando parâmetros físicos para descrever o comportamento de um fenômeno. Por exemplo a dispersão de um gás em uma cidade, de acordo com a direção do vento, densidade e relevo. Outro parâmetro que depende fortemente do relevo e da absorção dos materiais é o som.

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Modelos de propagação sonora

A propagação sonora em ambientes abertos, por vezes é realizada em softwares, como o iNoise, que simplificam ao máximo o relevo e as propriedades acústicas de absorção dos materiais, e permitem realizar cálculos rápidos dos níveis de pressão sonora. Entretanto, se realizamos algumas medições em pontos específicos e criarmos um modelo, esse será praticamente estático.

Para se ter mais qualidade de detalhes do relevo, os drones permitem realizar medições em intervalos regulares de tempo. E com isso ter mapas atualizados e com alta qualidade, que permitem atualizar o mapa de ruído periodicamente. Se aliarmos a posição de cada medidor de nível de pressão sonora que está realizando uma medição contínua, com as coordenadas de GPS das ortofotos geradas pelas imagens do drone, podemos ter um mapa acústico em tempo real! Isso é incrível e praticamente inconcebível para muitas pessoas, visto o custo computacional. Entretanto, essa pode ser uma solução muito interessante para monitoramento de explosões, de eventos esportivos ou culturais com duração reduzida e que causam um impacto ambiental considerável.

Como fazer isso

Primeiramente é necessário dispor de um drone que tenha capacidade de carregar uma câmera adequada à aplicação. Por exemplo, se o objetivo é determinar a periculosidade em uma chaminé, pode-se utilizar uma câmera térmica que inclusive pode ser colocada em um drone durante a noite para verificar a temperatura e inspecionar rachaduras nas paredes da chaminé.

Depois é necessário um software de processamento de imagens para geração das ortofotos. O Photoscan é uma das alternativas, e o Drone Deploy é outra. Depois de possuir as ortophotos é necessário um software de modelagem acústica, por exemplo o iNoise, que importa os arquivos do relevo e realiza os cálculos de propagação ao inserir as fontes sonoras. Os dados das fontes sonoras podem ser adquiridos em tempo real de uma estação de monitoramento ambiental, ou ainda podem vir de medições realizadas por um profissional que foi à campo.

O site Ambiência Acústica apresenta mais detalhes em termos de legislação e de como isso é realizado considerando fatores importantes como a insalubridade. Essa questão de segurança do trabalho é de extrema importância visto a enorme quantidade de processos trabalhistas advindos da falta de projeto, controle e manutenção de infra-estruturas que abrigam diversos funcionários, os quais estão expostos a agentes de risco.

Outra referência interessante é o projeto BlueAeroVision que trás mais detalhes sobre as diversas aplicações do uso de drones na engenharia. Vale a pena conferir, portanto veja o video abaixo.

 

Se você se interessou e quer saber mais. Nós do Portal Acústica vamos fazer um webinar, neste dia 10/01/2018 às 20h de Brasília, entrevistando o MEng. Rogério Regazzi, que é especialista no tema. Vamos abordar as tecnologias e aplicações, explorando a questão de saúde ocupacional e de controle ambiental.

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Metamateriais acústicos – verdade ou ficção?

O que são e para que servem os metamateriais

Quando falamos sobre metafísica, muitos pensam que é um assunto bastante complexo e teórico. Entretanto, com metamateriais, o assunto é bem palpável e real. Tanto que nos últimos 5 anos a comunidade discutindo e pesquisando esse assunto têm crescido consideravelmente. Por metamateriais entendemos qualquer arranjo físico de um material no qual podemos ter controle sobre as propriedades físicas desejadas. Isso significa, que aplicações de engenharia avançada podem escolher as propriedades requeridas e com isso fabricar metamateriais para atender a esses requisitos. Ou seja, na óptica, precisamos de certa refletividade, certa distância focal, ou ainda outro parâmetro mais avançado.

Agora na acústica, podemos controlar desde parâmetros macroscópicos quando microscópicos. Por exemplo, imagine poder controlar a densidade, resistividade ao fluxo, porosidade, comprimentos característicos térmico e viscoso, ou ainda a tortuosidade e a quantidade de poros abertos e fechados? Além disso, essa tecnologia permite criar materiais porosos compósitos em camadas ou compósitos com propriedades superiores. Uma maneira popular de medir as propriedades macroscópicas do material acústico é usando um tubo de impedância, conforme a figura abaixo.

Tubo de Impedância - Laboratório de Le Mans, FR

Tubo de Impedância – Laboratório de Le Mans, FR

Conversamos com um pesquisador brasileiro em Leuven, Bélgica, sobre o tema durante o SAPEM, simpósio realizado em Le Mans em dezembro de 2017. Noé Geraldo Filho nos conta sua visão sobre o tema.

O quão bom pode ser um metamaterial acústico?

Veja agora o que é possível de realizar com um metamaterial acústico de forma a manter ou reduzir o peso de uma estrutura e ainda assim garantir a absorção sonora de forma que a transmissibilidade sonora seja altamente reduzida. Lembramos que isso é de grande interesse da indústria da construção civil. Isso porque precisamos continuar construindo a um baixo custo, de forma a reciclar materiais e utilizar o mínimo de material evitando disperdícios. Confira no video abaixo.

Problemas e perspectivas

Algumas outras curiosidades em relação à caracterização tanto mecânica quanto acústica dos materiais acústicos porosos e poroelásticos é que os métodos utilizados para determinação dos parâmetros acima citados são diversos. Isso causa divergência entre resultados obtidos com as mesmas amostras em diferentes laboratórios e centros de pesquisa. Um material de difícil caracterizar é a melamina. Esse material atualmente é a base das espumas utilizadas em estúdios, boates e restaurantes no Brasil e no mundo, visto a sua alta absorção sonora e incombustibilidade. Ou seja, é requisito de segurança que hoje não se abre mão em locais de grande circulação de pessoas. Os pesquisadores que estiveram na Denorms Traning School 3, apresentaram um estudo incluindo diversas análises estatísticas e que conta com mais de 15 autores e 9 instituições de pesquisa. A conclusão é que um método padronizado é mais do que necessário para a caracterização mecânica de materiais porosos, incluindo parâmetros como o módulo de Young e o coeficiente de poisson. Esses valores são críticos para o projeto de componentes mecânicos para a indústria automotiva, aeroespacial e médica.

Veja os comentários de Pablo Serrano sobre o tema nesse video abaixo, onde ele discute essa questão, incluindo a problemática dos atuais métodos de obtenção do coeficiente de absorção sonora em ambiente difuso usando câmaras reverberantes.

Se você gostou deste tema, por favor baixe o nosso guia de softwares em acústica clicando aqui e fique por dentro dos webinars que organizamos regularmente. Eles permitem o constante contato de nossa comunidade apaixonada por acústica e a troca de experiências entre os profissionais do ramo. Fica abaixo o convite para o webinar sobre acústica em igrejas com o Arq. Cristhian Nascimento, profissional de acústica e iluminação e palestrante do TEDx.

Acústica para auditórios – Quais problemas contornar?

Existem projetos acústicos complexos, como salas de concerto multiuso e teatros. Entretanto, em geral temos visto a multiplicação de auditórios de 50 a 200 pessoas com o objetivo de treinamento corporativo. Muitos destes ambientes possuem dimensões pequenas a médias, onde o objetivo principal é otimizar o espaço ao máximo. Entretanto, o projeto de auditórios destes ambientes é por vezes negligenciado devido a falta de entendimento dos conceitos básicos de acústica. Como consequência, as pessoas acabam por contratar sistemas de som, ou mesmo uma consultoria para resolver os problemas acústicos em um estágio já avançado da obra, o que encarece a obra, visto que fica complicado consertar o que deveria já ter nascido bem.
Portanto, nossos objetivo neste artigo é identificar os principais problemas encontrados nos projetos de acústica para auditórios. Para assim, prever o aparecimento de tais problemas, e caso necessário, você já tenha conhecimento das principais métricas para avaliar a qualidade acústica de um auditório antes dele sair do papel. Vamos lá!

Defeitos acústicos em auditórios

Entre os principais problemas relatados em auditórios de pequeno a médio porte, vamos citar alguns que estão relacionados à homogeneidade do som no ambiente, à capacidade do auditório em absorver o som do ambiente, e outros estão ligados a inteligibilidade da voz.

Focalização

Nesta figura abaixo podemos ver alguns raios acústicos de uma fonte pontual em um palco. Conforme o som bate em uma parede côncava ao fundo, assim como a luz, eles formam um ponto focal. Esse defeito pode causar bastante desconforto em algumas posições de audição, e deve ser evitado quando detectado. Veja que os teatros e auditórios em formato de ferradura podem vir a apresentar esse problema.

exemplo de ponto focal

Exemplo de ponto focal

Falta ou excesso de absorção

No que tange a quantidade de absorção sonora, podemos partir de uma avaliação bem básica usando a fórmula de Sabine. Essa fórmula considera alguns elementos do ambiente como áreas de cada superfície (paredes, piso e forro) além do volume da sala e absorção média dos materiais acústicos. A fórmula fornece um valor razoável como um chute inicial para determinar o tempo de reverberação. O tempo de reverberação ideal para cada sala varia de acordo com o volume de cada auditório. E em outras aplicações, como música em teatros, em geral o tempo de reverberação ideal é mais alto do que em auditórios. Diversos estudos foram feitos em auditórios reais e em geral o tempo de reverberação para auditórios deve ser da ordem de 0,8 a 1,2 segundos. Isso porque uma sala muito seca (pouca reverberação) não nos dá uma sensação de intimidade. Já uma reverberação muito longa pode vir a confundir o ouvinte, que pode ouvir uma sílaba que sai diretamente da boca do orador, juntamente com outra sílaba emitida anteriormente, fundindo ambas. Ao ouvir duas sílabas juntas em níveis parecidos, pode ser que a pessoa caracterize o som como “embolado”, o que causa desconforto. Esse defeito é decorrente da absorção.
LB Home Auditório Artefacto - Bahia, Brasil.

Inteligibilidade

Em termos de inteligibilidade, temos que ter em mente que podemos estar falando de nível ou de cobertura, ou seja, caso o ouvinte esteja muito distante, pode ser necessário o uso de um sistema de som. Por outro lado, caso haja falta de cobertura sonora em algumas frequências, pode ser difícil distinguir sílabas similares.
Entretanto, devido a característica de absorção dos materiais e sua distribuição, podemos ter locais com diferente distribuição do conteúdo de frequência do som. O interessante é medir os parâmetros ao obter respostas impulsivas da sala. Veja um video que explica um pouco disso neste artigo aqui. Existem parâmetros técnicos e quantitativos que permitem avaliar esse aspecto de inteligibilidade. Entre eles podemos citar:

  • A articulação das consoantes, ALCons
  • O índice de transmissão da fala, STI

Sendo que indiretamente o tempo de reverberação pode ser considerado um parâmetro de inteligibilidade. Exploramos mais sobre esse tema neste post aqui. Se você quiser se aprofundar um pouco mais aconselhamos a dissertação da Profa. Gabriela Kurtz Oliveira que pode ser vista aqui.

Gostou do tema? Deixe seu comentário para nós, ficaríamos muito felizes em ajudar.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.

 

Medição acústica em um anfiteatro

Realizar a medição acústica de uma sala de aula em uma escola, ou de um anfiteatro em uma universidade,  é uma prática bastante importante para assegurar conforto acústico, reduzir a fadiga dos professores e melhorar os níveis de aprendizado dos alunos.

Estudos recentes mostram que um ambiente mais silencioso é primordial para o ensino de jovens, especialmente crianças, devido a maior propensão delas ao mascaramento de informações. Isso significa que crianças não usam o seu julgamento e pré conhecimento sobre os assuntos ministrados em sala de aula para formar os conceitos. Então, as crianças estão mais sucetíveis a absorver a informação de maneira errada, caso estejam na presença de sons que não são gerados pelo educador. E realmente é triste ver a realidade de diversas escolas públicas do Brasil com ambientes muito mal preparados para o ensino, com muito ruído de fundo (externo ou interno e que não é gerado pelo educador).

O vídeo a seguir mostra como foi realizada a medição de resposta impulsiva num dos anfiteatros da Universidade de Southampton (UK), onde utilizamos dois diferentes equipamentos para gravar o som e realizar um pós processamento dos dados. Veja o procedimento em:

Utilizando uma fonte sonora, microfones e um sonômetro, os especialistas puderam realizar uma medição acústica do tempo de reverberação (artigo comentado no video) do ambiente ao avaliar o decaimento do som no ambiente ao utilizar um sinal de varredura. Os dados das gravações da resposta impulsiva da sala podem ser usados para realizar operações de convolução, e obter em um sistema de áudio uma reprodução de como qualquer som soaria se estivesse sendo executado neste anfiteatro. Em outras palavras, essas medições permitem criar um modelo tridimensional da sala que represente a acústica do anfiteatro naquele ponto de audição, ao colocar uma fonte sonora qualquer naquele ponto que a caixa de som reproduziu a varredura. Isso é incrível, visto que podemos recriar a sensação de estar fisicamente naquela sala. Isso é muito útil ao projetar esse tipo de ambiente, de forma que possamos prever a acústica da sala mesmo sem ela existir.

Digamos que queremos reproduzir a mesma planta, ou desenho arquitetônico em outro prédio. Podemos verificar as deficiências deste anfiteatro existente, e gerar um modelo acústico computadorizado que permita otimizar a sala. Assim, o projeto vai sempre se aperfeiçoando. Veja que isso é extremamente útil, para reduzir custos e garantir a qualidade em projetos que sejam replicáveis.

Para melhorar o conforto acústico, podem ser estudadas a alteração dos materiais de revestimento do teto, piso e móveis, por exemplo. Isso interfere principalmente no coeficiente de absorção e difusão médio da sala. E de maneira geral podemos com isso controlar o tempo de reverberação, que é uma métrica essencial. Essa métrica influencia parâmetros mais complexos de qualidade ligados à inteligibilidade da palavra falada. Temos um artigo sobre esse tema inclusive. Clique aqui para ler caso tenha interesse.

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Quer saber um pouco mais sobre assuntos mais técnicos? Que tal assistir a um seminário online sobre como controlar a vibração em edificações e com isso evitar o ruído de fundo que tanto atrapalha o aprendizado nas escolas e o sono em nossas casas?

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Software de modelagem acústica ambiental gratuito!

Passando pelos corredores da feira de negócios, dentro do Congresso Internacional de Acústica e Vibrações (ICSV24) em Londres, me deparei com um stand de uma empresa de softwares para acústica que me chamou a atenção. Eu já tinha ouvido falar da ferramenta deles, o iNoise, que prometia ser gratuita para consultores e engenheiros em início de carreira. Então decidi conversar e tirar as minhas dúvidas. Para a minha surpresa, eles me deram uma licença que permite colocar a minha própria marca nos mapas gerados em uma interface que eu já estou acostumado, visto que são os mesmos desenvolvedores do Predictor Lima.

Vamos ouvir um pouco sobre o iNoise, um software que no Brasil é oferecido pela 3R Brasil, uma empresa do Rio de Janeiro que oferece tecnologia de ponta em termos de monitoramento de ruído, modelagem e controle de ruído ocupacional. Podes habilitar as legendas em Português caso necessário.

Como dito no video, o iNoise é oferecido em 3 tipos distintos de licenças, sendo uma gratuita, outra profissional e a terceira para empresas. Cada modalidade de licença tem suas limitações em termos da quantidade de prédios e fontes sonoras que podem ser modeladas. A aquisição pode ser realizada no site do fornecedor fazendo o download do iNoise, que é rapidamente instalado. A configuração é simples e não requer suporte. Entretanto, se você ainda não tem familiaridade com esse tipo de ferramenta, talvez seja interessante realizar um curso que abranja as normativas utilizadas.

As normas ISO 9613 de controle de qualidade em termos do método de cálculo de atenuação sonora em ambientes externos, e a norma ISO 1996 que descreve os procedimentos de medição e avaliação de ruído ambiental são atendidas no iNoise. Em termos de ruído rodoviário, podemos citar a norma ISO 9613-2 e a RLS90 que estabelecem a categoria dos veículos em termos do modelo de cálculo de potência sonora em fontes lineares e equivalentes utilizado. Entretanto, se outras fontes de ruído precisarem ser modeladas, como por exemplo fazendas eólicas e fontes portuárias ou industriais, o software também permite a inclusão nos modelos. Lembrando que modelos são representações ideais de fenômenos físicos ou de equipamentos, de forma que eles contemplam uma faixa de incerteza devido às condições climáticas, épocas do ano, temperatura, ventos e outras variáveis que influenciam o comportamento do som. Assim como o furação IRMA que está varrendo as Bahamas, Cuba e Flórida, veja há certa diferença entre os modelos preditivos durante uma semana de análise. Quanto maior o problema, mais imprecisão o modelo terá. A Teoria do Caos por vezes é utilizada para gerar previsões de grande porte, mas para problemas acústicos na Europa, já existem muitas medições que permitem ter modelos mais fiéis com cerca de 4 dB de variabilidade.

Para se ter uma ideia em quanto é importante prever o ruído, veja o caso do festival Na Praia que teve uma multa emitida pelo IBRAM de R$15.000,00 por perturbação do sossego. A empresa 3R Brasil foi contatada para resolver o problema e atuou de forma ativa no controle do ruído do festival. O controlador de ruído para eventos altamente intermitentes e esporádicos se mostrou como uma ótima solução. Entretanto, para ambientes industriais o ruído pode ser fator determinante na implantação de um parque industrial, um estaleiro, ou outra atividade que também tenha grande impacto ambiental.

Na minha visão, os modelos acústicos usados no Brasil ainda confiam muito nos trabalhos realizados no exterior (Europa e EUA), sendo que nossos carros, nossos aviões, nossos caminhões e nossas indústrias são diferentes das dos europeus ou norte americanos. Precisamos de mais medições, mais estudos, mais pesquisa, mais modelos e mais softwares com a nossa assinatura tupiniquim. Só assim teremos mais possibilidade de gerar valor aos nossos clientes, ao ser mais precisos em nossos modelos. Mas por agora, podemos começar com o que nos aparece na frente, sem custo, e que permite ao menos começarmos a trabalhar sem incorrer em pesados investimentos, especialmente para quem está começando.

Se você trabalha com simulação acústica ou está pensando em entrar neste mercado, eu gostaria de te fazer um convite. Estamos fechando a turma do único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil. Para saber mais, clique na imagem abaixo.

As 9 melhores empresas de produtos acústicos do Brasil – Construção Civil

O Medo e o poder da indicação

A primeira coisa que diversas pessoas pensam quando vão fazer uma grande mudança em suas vidas é: será que vai dar certo? E é natural sentir esse medo ao tomar uma decisão. As escolhas podem ser as mais diversas, mas o valor percebido com a mudança é especialmente impactante na aquisição de produtos acústicos ou serviço de consultoria acústica. Precisamos nos ver naquela situação futura para sentir confiança na pessoa que nos vende e realmente realizar a compra. A confiança é difícil de se adquirir, e nos dias de hoje com excesso de informação, o que procuramos são indicações de pessoas e fontes confiáveis. Aposto que você checa os reviews do produto ao comprar na Amazon, ou em qualquer outro e-commerce, certo? Além disso, você pergunta para seus amigos, familiares ou colegas de profissão antes de adquirir algum bem ou contratar um serviço especializado. Todos pesquisamos em diversos canais com o objetivo de pegar o máximo de informação antes de ir à loja ou entrar em contato com o comercial. Quando falamos em produtos acústicos, acreditamos que os clientes façam o mesmo, seja para compra direta ou ainda para especificação ao cliente final. As opções são muitas e no começo testamos muitas delas até achar às que nos trazem maior benefício.

Experiências pessoais

Com base na experiência pessoal, tanto de especificação e uso, é que resolvi redigir esse pequeno artigo. Não para privilegiar alguns em despeito a outros, mas para informar aos potenciais clientes, demais consultores e arquitetos sobre algumas experiências que me trouxeram bons resultados. Sendo que o meu critério foi trazer empresas que estão presentes em feiras, eventos, nos nossos escritórios e com forte atuação junto aos especificadores. Então dividi o artigo nas principais partes de uma construção civil, ou seja (piso, paredes, teto). Não vou colocar logotipos das empresas para evitar questões legais de uso das marcas e não vou falar de empresas das quais não provei qualquer produto ou serviço. Sendo assim, não limite a sua pesquisa de mercado a essa lista, mas por favor deixe um comentário caso descubra novas empresas e produtos acústicos que são referência para você e que te proporcionaram uma experiência que valham a pena ser compartilha.

Empresas com soluções acústicas para piso

Todo projeto acústico e de construção civil começa pelo piso. Esse elemento é muito importante, especialmente no que tange a transmissão das vibrações. Essas vibrações podem vir de grandes veículos nas ruas, ou do salto alto de uma pessoa caminhando no andar de cima. Veja que por vezes o objetivo é evitar que a vibração entre, ou que ela saia. Vejamos algumas empresas que trabalham com isso:

Aubicon – www.aubicon.com.br
Essa empresa apresenta soluções em mantas acústicas a partir de materiais resilientes e reciclados, auxiliando no reuso de rejeitos e contribuindo para melhoria acústica. As soluções em pisos emborrachados são aplicáveis a academia de ginástica, playground, estúdio de pilates, crossfit, peso livre e quadras esportivas. Em contrapiso flutuante as soluções são aplicáveis em apartamento, estúdio de gravação, estúdio de rádio/tv, sala de geradores, sala de equipamentos de ar condicionado. Mas existem outras mantas diversas que são aplicadas para minimizar o ruído em tubulações, sob revestimentos, ou aparentes não se limitando a escritórios e hospitais. Eu particularmente já especifiquei alguns produtos acústicos deles para academias e estúdios. Atendimento técnico e que auxiliou a tomar decisões mais acertadas junto aos meus clientes.

Vibrasom – www.vibrasom.ind.br
Essa empresa atua em uma linha extensa de produtos acústicos e com um e-commerce, mas especificamente em relação ao piso eles oferecem um produto interessante, os são berços acústicos. Eles evitam o contato direto do piso de compensado com a laje, através de caibros apoiados neste berço resiliente, reduzindo a transmissão estrutural da vibração. Já comprei e especifiquei diversos produtos acústicos deles, inclusive capturas de graves, portas acústicas e revestimentos de absorção que podem ser de diversas cores e categorias de absorção sonora. Enfim, praticidade na compra e atendimento adequado, com prazo e qualidade esperados.

Acital – www.acital.com.br
Essa empresa de SC vem se especializando em pisos acústicos, apesar de oferecer diversas outras soluções mais voltadas para o mercado industrial, como cabines e atenuadores. Eles recentemente fizeram uma parceria com a Getzner que é especializada em isolamento de vibração de trens, construção e equipamentos industriais. Eu particularmente instalei as mantas de poliéster e de polietileno expandido, que na minha visão são boas opções para apartamentos que não possuam requisitos especiais como estúdios. Mas para atender essas demandas mais específicas, eles oferecem os produtos acústicos da Getzner como mantas com diferentes densidades e aplicações como em piscinas. Sempre fui atendido em minhas demandas, o que me de satisfeito.

Empresas com soluções acústica para paredes

Isover Saint-Gobain – www.isover.com.br
Essa empresa atua com diversas soluções, desde piso, paredes e forros, mas vou comentar somente sobre as soluções de parede. A linha em lã mineral de vidro que pode ser colocada em sistemas de drywall, light steel frame e alvenaria, sendo um dos produtos acústicos mais conhecidos. Entretanto, eles atuam com revestimentos em véu de vidro e lã de vidro aglomerada. Esses revestimentos são aplicáveis em auditórios, estúdios, residências e outros ambientes, sendo seguros com relação à propagação de chamas, o que é um requisito muito importante. Já tive a experiência de especificar e trabalhar com as lãs e com os revestimentos. Profissionais e prestativos, os atendentes e especialistas sempre auxiliam nas escolhas.

Ambi Brasil – www.ambibrasil.com.br
Essa empresa produz revestimentos em MDF, revestimentos porosos e divisórias acústicas em vidro para empreendimentos de alto padrão. As possibilidades de fabricação são diversas o que confere alto poder de personalização do projeto arquitetônico e acústico com essas soluções. Os produtos acústicos são geralmente aplicadas mas não se limitam a igrejas, auditórios, salas de conferência, teatros, museus, escritórios. Tive a experiência de ter treinamentos, especificar, comercializar, instalar e conhecer toda a equipe deles. Atendimento excepcional!

Atenua Som – www.atenuasom.com.br
Essa empresa oferece soluções em aberturas, sejam janelas ou portas, para garantir o sossego de clientes residências, em sua maioria. As inovações em vidros insulados e tipos de abertura e vedação são marca registrada desta empresa preocupada com tecnologia e em estar. Apesar de produtos acústicos, a atenua som conta com um laboratório próprio e oferece serviços além de cursos para empresários e comunidade. Tive contato com a Universidade do Som e realizei a especificação dos produtos deles, que me chamaram muitotenção pela tecnologia.

Empresas com soluções acústicas para forros

OWA Sonex – www.owa.com.br
Essa empresa atua basicamente com forros minerais e placas acústicas para revestimento, além de forros e revestimentos em MDF e perfis metálicos. As famosas placas Sonex hoje em dia estão utilizando uma formulação especial incombustível que garantem a segurança em condições extremas de fogo. Elas se apresentam em forma de revestimento e em nuvens ou baffles. A linha de forros minerais tem ampla gama de absorção sonora e texturas. Tive a oportunidade de especificar e instalar diversas placas e revestimentos distintos para clientes como estúdios de TV/rádio, cinemas e home theaters. Mas as aplicações podem se expandir a supermercados, casas de shows, aeroportos e outros. Sempre tive ótimo atendimento por parte dos vendedores e da parte técnica.

Armstrong Ceilings – www.armstrong-brasil.com.br
Essa empresa trabalha com pisos e forros. Em especial forros minerais, forros e marquises. As soluções em forros metálicos e nuvens acústicas se destacam pelo extenso catálogo internacional e com diversas possibilidades. Essa é uma empresa presente em diversos países e que apresenta um portfólio extenso com possibilidades de aplicação de produtos acústicos conforme a especificação técnica. Tive a visita de representantes e ótimo atendimento para esclarecer dúvidas e selecionar soluções elegantes em termos arquitetônicos junto aos meus parceiros arquitetos.

Trisoft – www.trisoft.com.br
Essa empresa atua com uma ampla linha de produtos acústicos e têxteis. Para a construção civil as soluções são se limitam a forros, tendo as lãs de poliéster aplicadas em sistemas de drywall, forros modulares, em pisos de edifícios e coberturas. Gostaria de comentar sobre a possibilidade de se personalizar uma estampa em um painel de lã de poliéster (feito de garrafas PET) e poder utilizar como painel na parede ou como nuvem acústica. Em geral essa solução pode ser usada em restaurantes, cafés, shopping centers, entre outros locais. Lembrando que esse mesmo material pode ser um bom isolante termo acústico em formato de manta para coberturas industriais ou até comerciais ou residenciais. Tive boa experiência nas negociações e especificação dos produtos acústicos.

Conclusão

Existem diversas empresas que oferecem soluções acústicas no Brasil. Muitas delas oferecem serviços, mas trouxe aqui fornecedores de produtos para a construção civil, visando limitar a análise e trazer algumas experiências pessoais. Outra boa fonte de informação é a ProAcústica, que é a maior associação de empresas do ramo no Brasil. Se você for produtor de materiais acústicos, entre em contato e seja parceiro do Portal Acústica. Afinal as pessoas querem informações e boas indicações para fazer a escolha certa para os seus negócios, correto? Bom, deixe seu comentário e baixe nosso e-book que é um guia prático sobre acústica em edificações habitacionais.

Abraço e nos vemos do outro lado do Portal!

Ruído de veículos em grandes centros urbanos

O ruído de veículos pode ser uma verdadeira dor de cabeça para quem vive nos grandes centros urbanos do mundo. Seja num escritório de um prédio comercial ou num apartamento de um condomínio residencial, o ruído está em todo lugar. Hoje quando fui ao pilates a minha instrutora disse que não havia dormido direito por conta da conversa das vizinhas no sobrado de cima. Na hora observei a frustração dela e vi o quanto isso é realmente um problema para ela. Neste caso, os ruídos podem ser do vizinho de cima, mas o problema que você está enfrentando pode ser decorrente de outra fonte.

Se você mora em um grande centro urbano ou próximo a uma rodovia, sabe que as vezes é cansativo e estressante ficar com as janelas abertas. Nós técnicos e planejadores, temos que ter consciência disso e dizer que  é importante monitorar o comportamento acústico do ambiente, para garantir mais qualidade de vida e conforto para os cidadãos. E infelizmente a polícia e os orgãos fiscalizadores de poluição sonora são ineficazes, sendo somente um comprimido que tomamos nos dias em que não dá para aguentar a festa do vizinho.

Nesse vídeo, Pablo Serrano foi até o subúrbio de Londres para medir o ruído de veículos em uma região que mistura prédios comerciais e residenciais, veja:

Temos diversos tipos de ruído de veículos: rodoviário, metroviário, ferroviário, aeronáutico e outros. Em geral, temos que avaliá-los de forma independente e de acordo com a presença de cada tipo de fonte sonora encontrada em uma localidade. E o ruído de carros, por exemplo, é variável de acordo com a velocidade da via, tipo de asfalto, porte do carro, tipo de combustível (elétrico, gasolina, etc) e hora do dia. Em geral podemos modelar o ruído de uma rua ao ter uma estimativa do fluxo de veículos  por porte e horário de avaliação. Esse modelo pode ser simplificado e baseado na potência sonora média, podemos criar fontes sonoras lineares que representem a rodovia. Tais modelagens podem ser inseridas a mapas de ruído.

Certamente uma tendência em todas as grandes cidades, assim como São Paulo decretou, é a criação de mapas de ruídos para orientar a construção civil e reduzir o stress da população. O poder público terá agora muito mais condição de realizar melhorias e controlar as poluições sonoras. Esse é um projeto ambicioso e que contempla a colocação de diversos medidores de som em toda a cidade. Tais medidores ficam por horas, e as vezes diversos dias ligados, guardando informação. O melhor mesmo seria ter essa informação em tempo real, gerando um histórico massivo de dados. Mas, imagine, numa cidade como São Paulo, a quantidade de dados absurda que seria gerada durante a aquisições de dados. Imagine agora isso sendo guardado por anos, permitindo análises complexas de evolução da poluição sonora por bairro ou região. Falo mais sobre isso em um outro post que você pode conferir aqui.

Se tiveres alguma questão extra sobre ruído de veículos que não abordamos no vídeo, deixe aqui abaixo nos comentários! Será bem bacana continuar o diálogo.