O futuro da aviação pessoal será ruidoso?

Estive discutindo bastante sobre carros voadores e o futuro da indústria aeroespacial nos últimos dias com os colegas de trabalho. Ainda mais porque um deles foi contratado pela Lilium para trabalhar em um projeto que já está bastante adiantado, com um protótipo que já realizou alguns voos. Meu objetivo neste artigo é discutir as implicações relacionadas ao ruído ao se falar de novos projetos de aviação pessoal e de drones.

Atualmente existem empresas construindo protótipos e falando muito sério em lançar modelos de transporte de 2 passageiros no mercado. A maioria das alternativas trabalha com 2 ou mais propulsores que podem mecânicos ou elétricos. Uma grande vantagem dos novos conceitos é a possibilidade de fazer decolagens verticais, não sendo necessária qualquer infra-estrutura de rodovias. Entretanto, ao adquirir certa altitude os carros voadores alteram a direção dos propulsores para realizar um voo mais rápido e eficiente na horizontal, como aviões comerciais. As velocidades de cruzeiro podem chegar a 300 km/h, o que é bastante interessante.

Empresas como a Aurora, em parceria com nossa querida Embraer e Uber pensam em um modelo compartilhado que permita ser locado. No primeiro momento haverá um piloto, mas a idéia é tornar um veículo automático a partir do momento que os passageiros estiverem mais seguros com a ideia de voar sem um piloto no comando. Mas eles não estão sozinhos nesta corrida tecnológica, tendo empresas de todo o mundo como DeLorean’s, Lilium, EHang, AeroMobil, Terrafugia, Joby Aviation com projetos de lançamento daqui a 5 ou 10 anos.
Veja esse video para aprender mais sobre o sistema de propulsão distribuída e para ver alguns destes protótipos. O artigo que usei como base é esse aqui.

 

Em termos de ruído para a aviação pessoal, nada está definido! A preocupação dos pesquisadores que trabalham comigo é em termos de certificação, visto que infra-estruturas completas serão necessárias para avaliar todos os requisitos de segurança, inclusive o ruído. Os mecanismos de certificação com certeza terão longos debates para realizar ensaios e estabelecer parâmetros que permitam credenciar empresas a atuar neste mercado.

Certamente as regulamentações da ANAC terão que ser reavaliadas e as atuais não serão completamente válidas para este cenário, visto que ou a aeronave é tratada como um avião ou um helicóptero nas RBAC (Regulamentos Brasileiros da Aviação Civil). Por exemplo, a RBAC 21 define questões relacionadas à Certificação de produto Aeronáutico, já a RBAC 36 define requisitos de ruído para aeronaves, e por fim a RBAC 161 define como são elaborados os Planos de Zoneamento de Ruído de Aeródromos PZR. Mas perceba que no caso dos carros voadores e dos drones, qualquer terraço ou campo pode vir a ser um local de pouso. Muito do conteúdo destes regulamentos são cópias quase que fiéis de documentos da FAA (Federal Aviation Administration) do departamento de transportes dos Estados Unidos.

Durante uma caminha em Kensington Gardens gravei um rápido video sobre esse tema. Acompanhe abaixo.

O fato é que todos esses meios de transporte, tripulados ou não tripulados,  são extremamente ruidosos, gerando ruídos tonais através das hélices, que são especialmente incômodos para nós humanos. Como a penalidade tonal passa pelo critério utilizado pelo profissional perito que realiza a medição, nas leis e normativas brasileiras essa questão não foi totalmente incorporada e com procedimento claro. Me corrijam se eu estiver errado, mas me parece que é necessário um amadurecimento técnico com relação aos estudos psicoacústicos relacionados aos efeitos do ruído de drones e de carros voadores nos humanos. Somente assim podemos aprimorar as normativas e regulamentos de certificação que se traduzirão em leis brasileiras, culminando na permissão o uso seguro e regulamentado deste tipo de transporte.

É claro que o ruído é somente um dos potenciais vilões desta história. Mas se primarmos somente pelo desempenho, economia de combustível, aerodinâmica e segurança na aviação pessoal; fatalmente estaremos desbalanceando a equação. O que pode potencialmente perigoso, ao colocar no mercado aeronaves ruidosas e que venham a gerar problemas a longo prazo, como estresse, irritabilidade e problemas do coração.

Enfim, gostaríamos de ouvir mais comentários sobre esse assunto de você. Comente e participe.

A construção deve ser mais silenciosa!

Estivemos no Encontro SOBRAC 2017 e nos surpreendemos com a quantidade de trabalhos em acústica arquitetônica que foram apresentados. Não é a toa, as nossas construções tem uma qualidade muito ruim em geral, comparadas com outros países. Os pisos em porcelanato em geral agravam o problema de ruído de salto alto nos prédios, o que é um dos piores problemas hoje em dia. Ainda não temos certeza de quem é a culpa por isso acontecer, mas tudo isso passa pela aprovação de normas que viram leis e que por fim dão garantias aos compradores de imóveis que eles não terão problemas com ruído.

Convidamos para uma apresentação o engenheiro Vitor Litwinczik que é doutor em Acústica e Vibrações pela Universidade Federal de Santa Catarina e diretor da empresa Anima Acústica. Ele tem 10 anos de atuação no mercado e atua na área da construção civil elaborando de projetos acústicos de edificações com foco no desempenho e conforto acústico. Realizou mais de 60 ensaios de desempenho acústico de edificações para construtoras de São Paulo, Rio de Janeiro e Região Sul do Brasil, além da elaboração de estudos de impacto de ruído por meio de medições acústicas e mapas de ruído e projetos de acústica arquitetônica. Essa apresentação ocorrerá via Webinar e só para inscritos!

Webinar – Impactos da norma de desempenho acústico na construção civil
01/06/17 – às 20h

  • Saiba o que as normas de desempenho acústico definem, e como elas são aplicadas através de ensaios realizados por profissionais especializados.
  • Entenda o que são os níveis mínimos, intermediários e superiores de desempenho e como alguns tipos de sistemas construtivos estão classificados.
  • Conheça os resultados e os comentários de um dos profissionais mais experiêntes no assunto, através de uma entrevista exclusiva, que só o Portal Acústica oferece gratuitamente.
  • Confira as principais dicas sobre o tema e como você pode resolver os seus problemas relacionados ao ruído em sua residência.

Se inscreva clicando aqui.

VitorFB-01 Bom, esperamos você lá!

Perda auditiva e o ruído

AC/DC adiou sua turnê pelos Estados Unidos porque o cantor Brian Johnson pode estar com “perda de audição severa”. Não é surpresa visto que durante décadas a banda australiana andou junto a seus hard rock decibels. No entanto, surdez não é uma preocupação somente de rock stars, mas também de qualquer pessoa exposta aos ruídos do dia-a- dia.

 

Perda auditiva e o ruído

O risco de perda auditiva está presente tanto no trabalho, com o ruído de fábricas e equipamentos, quanto no lazer, ouvindo música em altos volumes com fones de ouvido. O risco se agrava quanto mais intenso for o som e quanto maior o tempo de exposição a ele você estiver sujeito.

A intensidade do som é medida numa escala chamada de decibel (dB). Esta é uma medida logarítmica, ou seja, o aumento de decibel representa um aumento muito maior da energia sonora na sua unidade de medida, que é o Pascal. Um aumento de 3 dB, por exemplo, representa 2x a quantidade de energia inicial, ou seja o dobro em Pascal.

Abaixo estão alguns exemplos de ruído do nosso dia-a- dia e sua correspondente intensidade em decibel (dB).

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Nessa escala de 0 dB a 130 dB, uma sala silenciosa ou quarto durante a noite apresenta em torno de 40 dB, enquanto a decolagem de um jato comercial alcança até 120 dB. Níveis de pressão sonora acima de 140 dB podem causar dor e perda permanente da audição!

No entanto, a intensidade do som não é por si só a única responsável por prejudicar a audição. O tempo de exposição a um ruído é decisivo no quadro de perda auditiva. Existe uma relação entre o tempo de exposição e a intensidade do som, sendo que a partir de 85 dB podemos estar sujeitos à perda auditiva. Esta relação pelo Instituto Nacional de Saúde Segura e Ocupacional de Niosh é mostrada na tabela abaixo.

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Obs: Lembrando que a medida em decibel não é linear, portanto o tempo de exposição permitido diminui pela metade a cada aumento de 3dB.

Até ir a uma casa noturna, ainda que empolgante em uma sexta à noite, pode trazer danos a sua audição. Estar na pista de dança, na qual o nível sonoro facilmente atinge seus 100 dB, é comparado a ouvir uma britadeira e pode trazer problemas a sua saúde depois de apenas 15 minutos de exposição. No entanto, se você estiver em uma região da casa noturna com nível mais baixo, em torno de 91 dB, isso se compara a estar ao lado da rodovia com um caminhão pesado passando em alta velocidade. O tempo de exposição máximo sem risco de perda auditiva aumenta neste caso para 2 horas.

Em muitos ambientes, durante a jornada de trabalho, o ruído também está presente. No Brasil, existe a lei trabalhista NR15 na qual o Controle de Ruído no Trabalho é estabelecido de acordo com o limite do tempo de exposição a um determinado nível de ruído sem que prejudique a audição.

O limite inferior de exposição durante uma jornada de trabalho é de 80 dBA (tão ruidoso quanto uma via de tráfico intenso). Quando este nível é superado, empregadores devem prover informação e treinamento sobre o problema do ruído, além de proteção auditiva aos seus trabalhadores. Quando o limite de nível de pressão sonora equivalente 85 dBA é excedido, a proteção auditiva se torna obrigatória, e empregadores precisam tomar medidas para reduzir a dose de ruído ao empregado, aplicando técnicas de mitigação.

Embora exista a surdez temporária em que a audição normalmente é recuperada após algumas horas ou dias, repetidas exposições a altos níveis de ruído causam dano permanente. Lembre-se de quando você chega da boate e ainda ouve um zumbido ou apito. Esse é um mecanismo natural do corpo que altera a percepção para tentar combater um ambiente insalubre (com alto ruído). No início do processo de perda auditiva, este dano é sutil e quase não é notado. No entanto, o problema é significativo quando a perda auditiva pelos ruídos cotidianos é reforçada pela perda natural por envelhecimento. Os sinais começam com a dificuldade de acompanhar conversas em ambientes ruidosos e infelizmente, uma vez percebido estes sintomas, é tarde demais. Portanto, a audiometria é recomendável ao notar tais sintomas, sendo que faz parte de programas de preservação da audição de diversas empresas.

Traduzido e adaptado do artigo de Trevor Cox.

 

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