Conforto Acústico com a NBR 10.152 – O que mudou na norma em 2017

Foi publicada em 24 de novembro de 2017 a segunda edição da Norma ABNT NBR 10.152 (Acústica – Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações), utilizada por profissionais das áreas de engenharia e arquitetura, construtoras e demais profissionais atuantes no mercado da construção civil brasileira. A nova edição cancela e substitui a edição anterior, de 1987. A revisão, elaborada no Comitê Brasileiro de Construção Civil (ABNT/CB-002) pela Comissão de Estudo de Desempenho Acústico de Edificações (CE-002:135.001), estabelece os procedimentos técnicos aplicáveis para medições dos níveis de pressão sonora, determinação do nível sonoro representativo, e a avaliação sonora dos ambientes internos a partir da comparação dos resultados obtidos com os valores de referência indicados pela Norma. A edição de 1987 não dispunha dos procedimentos técnicos de medição, fixando apenas os níveis sonoros de referência para ambientes internos às edificações de acordo com a finalidade de uso.

Como primeiro aspecto da revisão, nota-se a mudança no objetivo da Norma. A edição de 1987 fixava os níveis de ruído de referência para ambientes internos com finalidades de uso diversas, visando o conforto acústico. A nova edição tem por objetivo definir valores de referência visando a preservação da saúde e do bem-estar humano, sugerindo a transição de uma abordagem técnica (do ponto de vista da qualidade acústica do ambiente), para uma abordagem mais subjetiva (do ponto de vista da qualidade de vida do usuário).

Outro aspecto relevante da edição de 2017 é a associação explícita das três Normas básicas de acústica de edificações no Brasil: a própria NBR 10152, a NBR 10151 (2000) – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade, e a NBR 15575 (2013) – Edificações Habitacionais – Desempenho), até então normativamente dissociadas, ainda que na prática estivessem relacionadas. A Norma indica basicamente que, se há cumprimento dos valores dos níveis de pressão sonora equivalentes ponderada em A, externos à edificação, determinados pela NBR 10151, e igualmente estão sendo cumpridos os valores especificados pela NBR 15575 para desempenho dos sistemas construtivos, logo serão cumpridos os valores da NBR 10152. A associação das três Normas tem por consequência direta uma melhor definição das responsabilidades dos atores envolvidos no processo: vizinhos (emissores), construtores (trajetória) e moradores (receptores).

Medidor de Nível de Pressão Sonora

Em relação aos procedimentos de medição, foram atualizados na edição de 2017 conforme os métodos simplificado e detalhado, os quais auxiliam a definição das medições de nível de pressão sonora em campo. O método simplificado é utilizado para avaliações com base na análise dos níveis globais de pressão sonora, apresentando limitações para a identificação de sons tonais, sons com frequências abaixo de 250Hz e para a identificação do LNC. Já o método detalhado, utilizado para avaliações com base na análise dos níveis de pressão sonora global e espectrais nas bandas de 1/1 de oitava, torna-se obrigatório quando há suspeita da ocorrência de som tonal ou sons predominantes nas bandas de frequências sonoras inferiores a 250Hz, mesmo no caso de o ambiente avaliado ser considerado adequado pelo método simplificado. Para estes casos, portanto, a edição 2017 da Norma indica que deve ser calculado o NC pelo método detalhado. A edição de 1987 da Norma não mencionava explicitamente avaliações em banda de oitava, ainda que para o cálculo de NC as exigisse implicitamente. Quanto à penalização do ruído tonal, a edição de 1987 remetia à NBR 10151, que por sua vez indicava o acréscimo de 5dB (A) ao nível sonoro contínuo equivalente ponderado em A (LAeq). Com a revisão, a penalização é feita pelo próprio pico do ruído tonal na curva NC, a partir do método de medição detalhado. As definições básicas dos procedimentos de medições são comuns a ambos os métodos, sendo as principais:

  • Ajuste do sonômetro (medidor integrador de nível sonoro): a edição de 2017 apresenta uma atualização das questões de instrumentação e calibração, contrariamente à edição anterior, que remetia às definições vagas da NBR 10151. Segundo a NBR 10152 (2017), o ajuste do sonômetro deve ser realizado no ambiente a ser avaliado (salvo quando da existência de interferências que impossibilitem o ajuste), com o calibrador sonoro acoplado ao microfone, imediatamente antes de cada série de medições. Ao final de cada série de medições, deve-se realizar a leitura do nível de pressão sonora com calibrador ligado e acoplado ao microfone. Se a diferença entre a leitura e o valor ajustado inicialmente for superior a 0,5dB ou inferior a -0,5dB, os resultados devem ser descartados e novas medições devem ser realizadas. Estas definições não constavam na edição anterior.
  • Condições ambientais sob as quais serão realizadas as medições;
  • Posições dos pontos de medição;
  • Tempos de medição e de integração de cada medição: a nova edição estabelece um tempo mínimo de 30 segundos. Para sons flutuantes ou intermitentes, a Norma indica que o tempo de medição em cada um dos pontos deve ter uma duração correspondente a um número inteiro de ciclos completos de funcionamento da fonte sonora. Em se tratando de fontes sonoras associadas a equipamentos e/ou instalações prediais, o tempo de medição deve contemplar um ou mais ciclos inteiros de funcionamento. Para estes casos, a Norma recomenda a adoção da ISO 16032 (Acoustics – Measurement of sound pressure level from servisse equipment in buildings – Engineering method). A edição anterior remetia à NBR 10151, a qual é vaga em relação ao tempo de medição, indicando apenas que o tempo deve ser escolhido de forma a permitir a caracterização do ruído em questão.

Os descritores (parâmetros de registro dos dados) que devem ser utilizados em cada medição, variam de acordo com o tipo de método. Para medições no método simplificado, deve-se utilizar o nível de pressão sonora contínuo equivalente ponderada em A durante um tempo T no ponto X – LAeq,T,X e o nível máximo de pressão sonora equivalente ponderada em A e ponderado em S, durante um tempo T no ponto X – LASmax,T,X. Em ambos os casos, o X deve ser substituído pelo termo representativo do ponto (P1, P2, P3) e T pela duração de cada tempo de medição (30s, 1min, 10min).

 

Nossa voz possui diversas frequências que podem ser filtradas em oitavas

Para medições no método detalhado, além de usar os parâmetros citados acima, deve-se utilizar também o nível de pressão sonora contínuos equivalentes, em bandas de 1/1 de oitava durante um tempo T no ponto X – Leq,T,fHz(1/1)X. Essa medição deve ser realizada sem ponderação em frequência (linear Z). Para caracterizar os níveis de pressão sonora em função do espectro, deve-se utilizar filtros em banda 1/1 de oitava nas frequências centrais (f): 63 Hz, 125 Hz, 250 Hz, 500 Hz, 1 KHz, 2 KHz, 4 KHz e 8 KHz. Também podem ser utilizadas nas medições, os filtros em banda de 1/3 de oitava (50 Hz, 63 Hz e 80 Hz; 100Hz, 125 Hz e 160 Hz; 200 Hz, 250 Hz e 315 Hz; 400 Hz, 500 Hz e 630 Hz; 800 Hz, 1 KHz e 1,25 KHz; 1,6 KHz, 2 KHz e 2,5 KHz; 3,15 KHz, 4 KHz e 5 KHz; 6,3 KHz, 8 KHz e 10 KHz), no entanto, para chegar ao nível de pressão sonora contínuo equivalente deve-se usar a soma logarítmica dos níveis de pressão sonora contínuo equivalente medidos nas três bandas de 1/3 de oitava que compõem a banda de 1/1 de oitava em questão.

Para determinar o nível de pressão sonora equivalente ponderada em A, representativo de um ambiente – LAeq, utiliza-se a média logarítmica dos níveis de pressão sonora contínuos equivalentes, globais, ponderada em A, medidos em diferentes pontos do ambiente. Além disso, a determinação do nível máximo de pressão sonora representativo de um ambiente LASmax é obtida pelo maior resultado entre os níveis máximos de pressão sonora, globais, ponderados em A e em S, medidos em diferentes pontos do ambiente.

Para determinar os níveis de pressão sonora no método detalhado, deve-se utilizar além dos citados previamente, os níveis de pressão sonora equivalente, em bandas de 1/1 de oitava sem ponderação e frequência (linear Z), representativos de um ambiente, através das médias logarítmicas dos níveis de pressão sonora contínuos equivalentes ponderada em Z. A determinação do nível NC representativo de um ambiente – LNC , é feita pela comparação de cada banda de 1/1 de oitava, dos níveis de pressão sonora em bandas de 1/1 de oitava representativos de um ambiente – Leq,T,fHz(1/1) , com os níveis de pressão sonora correspondentes ás curvas de NC. Nesta atualização da Norma, é apresentada com o caráter informativo, o anexo D, que é uma tabela das curvas NC interpoladas de 1 dB em 1 dB. Essa nova tabela pode ser utilizada para os casos da necessidade de maior especificidade quanto ao NC encontrado.

A avaliação sonora de um ambiente interno à uma edificação é realizada pela comparação dos níveis de pressão sonora representativos com os valores de referência para ambientes internos, de acordo com suas finalidades de uso. A avaliação pelo método simplificado deverá ser feita pela comparação dos níveis de pressão sonora representativos, equivalente (LAeq) e máximo (LASmax), com os valores de referência apresentados na Norma, representados pelos descritores sonoros RLAeq e RLASmax. A avaliação pelo método detalhado deverá ser feita a comparação dos níveis de pressão sonora representativos, equivalente (LAeq), máximo (LASmax) e do nível (LNC), com os valores de referência apresentados pela Norma a partir dos descritores sonoros RLAeq, RLASmax e RLNC. A nova edição apresenta valores de referência para ambientes internos de edificações de acordo com a finalidade de uso e apresenta valores de referência em RLAeq, RLASmax e RLNC para 48 ambientes, distribuídos em 10 diferentes categorias. Foram excluídos ambientes caídos em desuso e acrescentados novos, como salas de concerto, cinema e teatros.

 

Material acústico projetável – Ressonador de Helmholtz

Existem uma gama de materiais acústicos para tratamento acústico que são utilizados para basicamente três finalidades: condicionamento acústico, isolamento acústico e controle de ruído. Para um profissional iniciante ou com pouco conhecimento na área é um difícil saber diferenciar a finalidade dos diversos materiais existentes no mercado. Um dos materiais acústicos pouco explorados em sua potencialidade são os ressonador de Helmholtz. Assim como os ressonador de membrana, o ressonador é um material acústico que atua em baixas frequências com absorção sonora restrita a uma faixa de frequência limitada. Isso significa que eles devem ser projetados para atuar em condições específicas que exigem absorção mas também apresentam dificuldades extras, como por exemplo grandes gradientes de temperatura, ambientes agressivos ou restrições de espaço físico. Falaremos sobre as particularidades do Ressonador de Helmholtz, como ele funciona e quais são suas características físicas e aplicações.

O que é um ressonador?

Na grécia antiga os teatros públicos que eram ao ar livre já apresentavam este elemento mesmo que de maneira rudimentar. Vasos eram colocados de cabeça para baixo no chão e entreabertos no palco de madeira dos teatro ou ainda nos degraus do auditório. Tais vasos, descritos por Marcus Vitruvius Pollio, nos anos 25 antes de cristo, vibravam em uma frequência específica de acordo com as dimensões do vaso, seu volume interno e tamanho do pescoço, de forma a vibrar o palco e com isso amplificar o som. A frequência de vibração era em geral de 100 a 300 Hz, que coincide com a frequência fundamental da voz humana. Com isso, conseguia-se uma sensação de poder na voz, que também foi descrita como perfeição acústica por Marcus. Vide este artigo.

Muito tempo depois, em 1860, Hermann von Helmholtz demonstrou as variedades de tons que se conseguia gerar com um vaso o qual chamou de resonador. Um exemplo do ressonador de Helmholtz é o som criado quando alguém assopra pelo gargalo de uma garrafa vazia. O ressonador é um sistema clássico de controle passivo de ruído muito utilizado hoje em dia em dutos, mufflers, sistemas de ventilação, aeronaves, escritórios e auditórios.

Em geral o ressonador é constituído de uma cavidade, ou volume de ar, conectado a um sistema acústico o qual se deseja a absorção de determinada faixa estreita de frequências. Tal volume de ar age como uma mola que é comprimida e rarefeita ao receber ondas sonoras de pressão pela entrada do ressonador. O gargalo, ou pescoço na entrada do ressonador pode ter comprimento variável e com isso alterar a inertância do sistema, ou seja, a massa de ar que vibra na boca do ressonador. Juntos o volume e o gargalo, forma-se um sistema massa mola que é amplamente modelado e equacionado nos estudos mecânicos.

Aplicações modernas

Nos dias de hoje uma das aplicações mais significativas dos ressonadores é na entrada dos dutos de um motor turbofan de uma aeronave comercial e em silenciadores de carros. No caso de aeronaves. próximo às pás de uma hélice do motor estão localizados ressonadores compostos por uma chapa perfurada sobre uma cavidade em formato de colméia. A profundidade da cavidade praticamente determina a frequência de ressonância do sistema para uma condição sem escoamento de ar rasante sobre a placa perfurada. E a taxa de perfuração por célula pode determinar também inertância do sistema. Veja na figura abaixo uma amostra de ressonador de profundidade variável criado pela NASA para experimentos em uma bancada de testes. O objetivo dos pesquisadores é desenvolver um resonador de banda larga com alto poder de absorção sonora em uma ampla faixa de frequências, que seja compacto e que seja facilmente projetável.

Essa não é uma tarefa fácil, considerando que a entrada de uma turbina de aeronave está exposta à variações de temperatura, escoamento de ar sobre a placa perfurada e diversas frequências de ressonância do duto principal do motor, os chamados modos acústicos do duto.

Tecnologias que envolvem ressonadores

As tecnologias mais modernas de condicionamento acústico baseadas nos princípios dos ressonadores de Helmholtz envolvem basicamente:

  • Chapas microperfuradas (MPPs – Micro perfurated plates)
  • Ressonadores com cavidades curvas
  • Ressonadores com microtubos

As MPPs apresentam chapas com perfurações da ordem de 0,2 a 0,8 mm com baixas áreas abertas (1 a 5%) as quais promovem absorções em amplas faixas de frequência. Os ressonadores com cavidades curvas apresentam a possibilidade de conseguir reduzir o espaço disponível para aplicação do material acústico e atingir baixas frequências de ressonância. Já os ressonadores com microtubos apresentam a facilidade de modelagem da inertância do sistema em regimes lineares de excitação sonora (baixos Niveis de Pressão Sonora – NPS) e com isso melhor previsão do comportamnto.

Tendências e conclusões

Acreditamos que para obter um material acústico projetável seja necessária uma mescla das tecnologias apontadas acima. Ao se valer de métodos de manufatura avançada baseados em fotolitografia é possível conseguir ressonadores de banda larga. Preferencialmente os ressonadores devem atuar em baixas frequências, com dimensões aceitáveis e que sejam altamente previsíveis quanto à sua impedância acústica. As aplicações deste material acústico projetável pode ir além do mercado aeroespacial, passando por drones, aviação pessoal, automotivo e arquitetônico, entretanto o custo será fator determinante. Considera-se que tais projetos são de alto risco para a indústria, mas o problema do ruído das aeronaves em áreas residenciais só tende a piorar se não formos para modelos elétricos de baixo ruído. No caso da indústria automotiva, Elon Musk apresenta modelos e perspectivas muito claras para um futuro elétrico, mas ainda assim, dispositivos acústicos serão necessários para atuar em diferentes faixas de frequência que podem ser até mais incômodas devido às características subjetivas as quais o ruído elétrico nos causa. Além disso, estudos recentes ainda não publicados mostram a maior qualidade acústica proporcionada por ressonadores de Helmholtz em divisórias de escritórios open office frente a outros revestimentos acústicos. Ainda há muito mais nos esperando quanto a isso…

Espero que você tenha gostado do artigo. Esperamos seus comentários e pode nos solicitar os artigos nos quais nos baseamos para elaborar este. Não se esqueça de visitar o nosso site principal www.portalacustica.info para baixar os nossos e-books introdutórios sobre acústica.

 

 

Parede acústica – Qual devo escolher?

 

Ter uma vida agitada em grandes centros urbanos pode ser estressante principalmente por causa do ruído urbano. Cada vez mais se procuram métodos para o controle desse ruído tão incômodo que traz estresse e problemas cardiovasculares. Visando o conforto e a saúde da população em 2013 foi publicada a norma NBR 15.575 através da ABNT. A norma determina valores mínimos de desempenho quanto ao isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações.

Porém, como devo construir uma parede acústica adequada? Qual a morfologia ideal dessa parede acústica? Existe diferença entre o isolamento acústico de uma parede interna e de uma parede externa? Pretendo falar aqui sobe essas dúvidas que estão surgindo devido às recentes mudanças nesse ramo de materiais acústicos para construção civil.

Tipos de paredes e requisitos exigidos pela NBR 15.575

A NBR 15.575 classifica o desempenho acústico em partições verticais de fachadas e partições verticais internas, ou seja, as paredes acústicas externas e as paredes acústicas internas. Lembrando que também temos o isolamento acústico entre andares e que podemos classificar a propagação do som em aérea e de impacto.

Paredes acústicas internas

As paredes acústicas internas são paredes que separam as diferentes unidades habitacionais autônomas, ou ainda paredes dentro de uma mesma unidade. Para garantir desempenho adequado de isolamento acústico ao ruído aéreo devemos ter em mente o padrão pretendido pela construção. Podemos montar a parede com diversas morfologias, mas é comum a montagem de duas formas diferentes:

  •  Massivas: Alvenaria (bloco de concreto, cerâmico ou de gesso), concreto pré- moldado ou moldado “in loco”. Seu desempenho de isolamento ao ruído aéreo em partições verticais internas (Dnt,w) depende fundamentalmente da sua densidade superficial, ou seja, massa por metro quadrado – kg/m2.
  • Leves: Sistemas drywall ou steel frame. Seu desempenho de isolamento ao ruído aéreo depende de sua composição (número de placas, perfis, banda acústica perimétrica, etc). A espessura da cavidade e presença de material absorvente na cavidade contribuem para o desempenho acústico e devem ser projetadas para minimizar custos e para atender aos requisitos de projeto.

Além disso, é opcional a aplicação de revestimento de gesso, de argamassa ou de cerâmica para dar acabamento. Esses são os revestimentos mais comuns na construção civil brasileira, mas em sistemas de steel frame se usam as placas cimentícias e OSB. A escolha da morfologia da parede acústica interna (composição de materiais) deve seguir às exigências de isolamento acústico dados na NBR 15.575 conforme a tabela abaixo.

D2mntw parede interna

É importante ressaltar aqui que os métodos construtivos adotados até então no Brasil dificilmente atingem os níveis intermediários e superiores isolamento acústico (colunas mais à direita). Algumas construtoras tiveram que variar a morfologia das paredes para se adequar ao desempenho térmico e acústico e com isso alcançar desempenhos mensuráveis e previsíveis.

Paredes acústicas externas

As paredes acústicas externas separam dormitórios do exterior e devem garantir um desempenho adequado de isolamento acústico ao ruído aéreo. Por ruído aéreo entendemos o som da televisão, caixa de som, e outros que não vibram o piso e paredes de maneira significativa. O desempenho mínimo de uma fachada varia em função do ruído exterior no entorno do empreendimento. Os sistemas de vedações verticais externas são em geral compostos pelos seguintes elementos:

  • Parede: Diversas morfologias.
  • Esquadrias: É o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Para saber mais sobre como ter uma esquadria adequada para a sua obra, adquira agora: O guia de janelas acústicas para fachadas residenciais.
  • Instalações: são dutos de ar condicionado, saídas de ventilação, chaminés, etc.

As exigências da NBR 15.575 levaram as construtoras e fabricantes de materiais a repensarem a morfologia das paredes, para atingir o desempenho quanto ao isolamento acústico necessário. Está cada vez mais comum utilizar light steel frame e wood frame, assim como é feito na Europa e Estados Unidos. Essas paredes leves possuem uma estrutura de aço ou madeira com reforços e contraventamentos. Por serem revestidas com placas em ambos os lados, também são classificadas como paredes duplas. Veja um exemplo abaixo.

paredes

Os requisitos para paredes externas podem ser observados na tabela a seguir. Vale  lembrar que para avaliar as paredes externas é necessário medir o ruído externo a 2 metros da fachada. Para mais informações sobre ruído de fachada leia o nosso artigo clicando aqui.

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O desempenho exigido varia conforme a localização da edificação, podendo variar o desempenho mínimo entre 20 dB e 30 dB. Em morfologias como as mostradas anteriormente, as paredes de light steel frame podem possuir um Rw em torno de 43~47 dB. Lembrando que há diferença entre os índices de D2m,nT,w, Rw e D,nT,w , e esses valores devem ser calculados pelo projetista acústico ou medidos in-loco ou em laboratório. As paredes de wood steel frame possuem um Rw  em torno de 35~38dB para morfologias semelhantes a mostrada na figura acima.

Dicas e conclusões importantes

As exigências da NBR 15.575 levaram as construtoras e os fabricantes de materiais de construção a se adequarem. Por isso é importante que o profissional do ramo busque informações e se adeque às exigências normativas. É sempre importante a consulta com um Engenheiro Acústico ou um profissional qualificado, pois cada vez mais os clientes estão ficando exigentes sobre as condições do isolamento acústico em edificações.

Além de todo o conhecimento teórico sobre paredes acústicas é crucial cuidados na hora da construção da mesma. Cuidados com a montagem das esquadrias evitam frestas por onde o som pode passar. Cuidado na construção da parede para evitar juntas com massa mais fraca também degradam o desempenho. Uma atenção especial às esquadrias que serão utilizadas é essencial, pois essas são o ponto fraco do isolamento acústico de uma parede.

 

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Janelas antirruído e projeto acústico de fachadas

Muitas vezes, na hora de lazer ou de trabalho, acabamos nos deparando com um vizinho com música alta, com o ruído do tráfego de veículos ou até mesmo de pessoas conversando na rua. Geralmente, só sentimos esse incômodo quando ele é tido em excesso. Mas esse ruído urbano é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, podendo ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição e também problemas extra-auditivos, como cardiovasculares, insônia e desconforto. Por causa disso, cada vez mais, a questão do ruído urbano está levando órgãos públicos e empresas a repensarem questões de acústica ambiental (urbana) e questões de isolamento acústico em edificações.

Com a preocupação da saúde e do bem estar da população foi criada, no Brasil, a NBR 15.575, que determina valores mínimos de isolamento acústico para pisos, paredes externas e paredes internas de edificações. Ela também determina o Rw, que é o índice de redução sonora ponderado, o principal parâmetro para a determinação do isolamento sonoro. Na maioria das vezes, o maior cuidado que precisamos ter é com as paredes externas, pois é a partir dessas que se tem os ruídos vindos do exterior e que nos incomodam tanto. Com um tratamento adequado da parede externa, principalmente das esquadrias, esse problema pode ser solucionado.

Sabemos que uma parede é composta por diversas morfologias e que junto à essa temos a esquadria que, em geral, é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Por isso as esquadrias merecem um cuidado especial na hora do projeto. No ramo de construção civil brasileira é comum utilizarmos janelas simples, mas em um projeto com um bom isolamento acústico isso não é suficiente. Já existem no mercado uma gama de tipos de janelas antirruído, sendo essas dominadas por janelas duplas. Porém, antes de falarmos sobre este assunto, devemos entender como funciona, de forma básica, a transmissão de uma onda sonora em uma esquadria e uma parede.

Na figura abaixo podemos observar que há três efeitos diferentes para uma onda sonora que incide em um aparato. Ela pode ser tanto refletida de volta ao ambiente, dissipada em forma de vibração ao longo da estrutura ou transmitira para o outro lado da parede.

Propagação sonora em uma parede

A nossa preocupação principal é fazer com que a onda incidente, que pode ser o ruído urbano, seja o mínimo transmitido possível para dentro da sua casa ou apartamento. Para isso temos de trabalhar com materiais especiais para ter um bom isolamento sonoro.

JANELAS SIMPLES

É comum em projetos brasileiros utilizar janelas simples, devido ao custo-benefício. Essas janelas são compostas por vidros com uma espessura de 4 à 8 mm e é comum a esquadria ser composta por alumínio, madeira ou PVC. É normal uma janela simples possuir um Rw entre 19~21 dB o que não acaba atendendo aos requisitos mínimos da NBR 15.575.  Algumas pesquisas mostram que deve-se esperar uma perda de desempenho de cerca de 5 dB, em média, entre o resultado obtido no laboratório e o do campo, mas podemos calcular através da norma EN 12354.

JANELAS DUPLAS

Para um bom desempenho de isolamento sonoro em edificações é comum utilizarmos janelas duplas. O objetivo é oferecer uma maior resistência à passagem da onda sonora pelo material (sendo a janela de vidro por exemplo). Para realizar esse isso, uma janela dupla deve ser composta de duas camadas de vidro e entre elas geralmente deixamos uma camada de ar, pois conforme a onda vai passando na estrutura vidro-ar-vidro ela perde mais energia do que passando por uma estrutura vidro-vidro, devido à troca de energias com os diferentes meios. Temos no mercado as janelas de vidro duplo, com espessuras variando de entre 6 e 10 mm, as quais possuem um Rw entre 32~37 dB, sendo esses valores satisfatórios para uma obra em locais de ruído não muito intenso.

Vidro duplo

Existem também opções de janelas com vidro triplo e quádruplo, porém, devemos analisar sempre o custo-benefício do projeto e para isso o indicado é realizar um estudo de impacto ambiental nos arredores do local para determinarmos valores de ruído externo. Desta forma saberemos qual é a janela mais adequada para o projeto.

JANELAS DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS

Janelas com controle ativo de ruído são produtos de inovações tecnológicas, mas ainda não muito utilizados no mercado. Elas têm como funcionamento o princípio de ondas destrutiva,  podendo ser a onda 1, uma onda provinda do ambiente externo (ruído) no qual haverá um dispositivo eletrônico junto a janela que irá reconhecer o ruído incidente e o mesmo irá reproduzir uma onda 2, de fase invertida, o que acarretará no cancelamento da onda. Essa parece ser uma ideia que acabaria com o problema do ruído externo, porém, o princípio de controle ativo de ruído em estruturas como janelas possuem algumas limitações na faixa de frequência e ainda não possuem resultados satisfatórios como os de isolamento de uma janela de vidro duplo. Mas essa é uma área que está sendo estudada e no futuro podemos ter bons materiais no mercado.

Também estão sendo estudadas as janelas ventiladas. O Brasil é um país tropical e parece interessante termos um sistema com uma ventilação natural do ambiente. Da mesma forma, como no controle ativo, essas janelas estão em fase de estudos, pois como irão proporcionar uma ventilação, suas esquadrias deixarão frestas, o que não seria adequado para ter um bom isolamento sonoro. Você pode saber assistindo o webinar de inovações tecnológicas clicando aqui.

Dicas importantes na escolha de uma janela adequada

Há diversos cuidados que devemos ter ao adquirir uma janela para um projeto. As janelas são formadas por vários elementos (vidro, esquadria, sistema de fechamento e vedações), em que cada um deles tem papel importante no desempenho final do produto. Devido a esta complexidade, é recomendável que os fabricantes forneçam ensaios de laboratório, a fim de comprovar seu isolamento acústico. Para além disso, o mais adequado para os fabricantes quando mostrarem seus produtos é que esses resultados venham em forma de banda de frequência, para que na hora da compra o cliente possa ter o conhecimento em quais há um maior isolamento.

Também devemos levar em consideração alguns cuidados para que a janela seja instalada de forma adequada para se ter uma melhor qualidade. O principal cuidado no momento da instalação é para que não fiquem frestas entre a esquadria e a parede. Isso vai impedir a passagem do som por meio de vibração estrutural dessas frestas.

Para maiores informações sobre como realizar medições, qual janela adequada para a sua obra ou maiores cuidados na compra e na instalação da sua janela, deve-se procurar um especialista em isolamento acústico em edificações, bem como um Engenheiro Acústico ou um Engenheiro Civil, ou ainda, um técnico em edificações que tenha entendimento no assunto.

Além disso, é necessário ter o conhecimento sobre elementos construtivos, como quais tipos de vidro e de esquadrias são mais adequados para o seu projeto e também conhecimentos técnicos como a importância da lei da massa, da lei das frestas, de como realizar uma medição adequada em laboratório e in loco, seguindo as devidas normas internacionais. Para isso estaremos lançando nos próximos dias um e-book que é um Manual de Janelas Antirruído, não deixe de conferir esse material completo nos próximos dias.

 

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O que é Ruído de Fachada e Classe de Ruído

Quando falamos de fachadas de edificações está cada vez mais comum falarmos das diversas formas de ruído que chegam nessa fachada e de como podemos trabalhar da melhor maneira para diminuirmos a transmissão desse ruído para dentro dos recintos. Para isso é importante sabermos como realizar uma medição adequada, quais normas são recomendadas, e em qual classes de ruído essa edificação se encontra.

Antes de falarmos sobre questões de medição e classe de ruído é importante comentar que cada vez mais as cidades estão criando seus mapas de ruído com o objetivo de determinar valores de ruído urbano e de como esse afeta a cidade em si e seus habitantes. Resultados de mapas de ruído estão diretamente ligados aos valores imobiliários, pois é preferível vivermos em uma região da cidade com baixos valores de ruído do que em ambientes com altos valores de ruído e também à saúde das pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o ruido urbano é um problema de saúde pública, que pode ocasionar danos auditivos, como perda temporária e permanente da audição, zumbido e também problemas extra-auditivos como problemas cardiovasculares, insônia e desconforto. Mas como podemos classificar se estamos vivendo em um ambiente ruidoso ou não?

Classes de ruído

Para falarmos de fachadas de uma edificação, temos a NBR 15.575-4 que  determina  os sistemas de vedação vertical externa (fachadas). As fachadas são as  paredes de separação do recinto para com o ambiente exterior. Tais fachadas devem garantir um desempenho acústico adequado em termos do ruído aéreo, ocasionado pelo tráfego de carros, motos, caminhões, aviões, trens, drones, etc. O desempenho acústico mínimo exigido em norma é função do ruído exterior, no entorno da edificação. Para isso, vamos deixar claro que uma fachada geralmente é  constituída por uma parede, com suas diversas morfologias (sacadas, parapeitos, etc) e por uma esquadria. A esquadria em geral é o ponto mais fraco de isolamento acústico de uma fachada. Para um bom isolamento acústico, a esquadria acústica deve ter uma atenção especial durante o projeto da edificação, para evitar frustrações futuras. Em especial o calculo de isolamento acústico deve ser realizado considerando a classe de ruído.

A NBR 15.575 determina diferentes classes de ruído, e para cada classe de ruído foram determinados valores de desempenho mínimo, intermediário e superior. Podemos observar abaixo as diferentes classes de ruído que a norma menciona, para o parâmetro de medição D2m,nT,w (diferença padronizada de nível ponderada à 2m de distância da fachada).

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O quadro nos mostra que existem três tipos de classe de ruído. Se tivermos uma habitação em uma área de ruído intenso ( Classe III)o desempenho mínimo da fachada deve apresentar no mínimo ou maior que D2m,nT,w = 30 dB.

Vale comentar aqui que além de medirmos o D2m,nT,w, podemos estimá-lo matematicamente a partir das propriedades dos diferentes elementos do sistema construtivo da fachada. As uniões e as geometrias  afetam a transmissão sonora. Além disso, podemos realizar simulações com softwares específicos para determinar se o sistema projetado atende ou não ao requisito da norma. Há um artigo no nosso blog falando sobre o SonArchitect uma ferramenta usada para esse fim, clique aqui para ler.

Como avaliar o desempenho da fachada?

Primeiro ressalto que para realizar uma medição de perda de transmissão sonora de fachada não é uma tarefa fácil. Para as medições serem feitas de forma adequada, exige-se um conhecimento prévio do assunto, além dos equipamentos adequados. Um profissional capacitado, geralmente sendo um Engenheiro Acústico, ou também um Engenheiro Mecânico ou Engenheiro Civil especializado com mestrado são os profissionais ideais para avaliar o atendimento da norma de desempenho.

A NBR 15.575 indica dois diferentes métodos de medição, o método de controle e o método de engenharia. A precisão do método de controle é inferior, gerando maiores incertezas nos resultados. Por isso, recomenda-se a realização das medições pelo método de engenharia.

A metodologia de medição é especificada pelas normas ISO 140-5 (de engenharia) e ISO 10.052:2004 (simplificado). Ela é baseada na emissão de ruído do ambiente exterior em direção à fachada por uma fonte sonora controlada (alto-falante). A medição dos níveis de pressão sonora é avaliada em bandas de frequência no exterior da residência, a uma distância de 2 metros da fachada, e no recinto receptor, dentro do ambiente. Veja na figura abaixo o indivíduo na janela do primeiro andar colocando o sonômetro a 2 metros de distância da fachada.

A diferença entre esses níveis irá nos dar a Diferença padronizada de níveis (D2m,nT), considerando os efeitos de absorção do recinto receptor. É interessante observar que os erros metrológicos podem chegar a até 3 dB para esse índice conforme o método, segundo o IPT. Após a medição, o resultado pode ser convertido em um número único, através do procedimento existente na ISO 717-1. Assim, a diferença padronizada de nível ponderado é obtida (D2m,nT,w). Esse é o valor que deve ser comparado com o estabelecido na norma NBR 15575-4, de acordo com a classe de ruído. O resultado da medição dá como conclusão do laudo o desempenho acústico de fachada daquela edificação naquelas condições.

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Além disso, está cada vez mais comum cidades possuírem seus mapas de ruído. Um mapa de ruído é importante pois influencia diretamente na valorização (ou desvalorização) de um imóvel. O ruído é um indicador da qualidade acústica de uma habitação, pois o cliente sempre irá optar por viver em um ambiente com mais conforto.

Um mapa de ruído pode ser útil para diagnosticar os problemas de uma região e se a norma NBR 10.151 de ruído em comunidades está realmente sendo eficaz. A NBR 10.151 estabelece os limites máximos de ruído de acordo com o zoneamento da região. Além disso, ela propõe um método de medição de acústica ambiental e indica quais critérios os equipamentos de medição devem atender.

Inovações tecnológicas em acústica ambiental

Além da forma de medição que mencionamos, já existem maneiras inovadoras de realizar um mapa de ruído, usando como por exemplo sensores IoT (Internet of Things) para criar modelos 3D de mais alta fidelidade, que podem capturar a dimensão dos edifícios com precisão de cerca de 5 cm. Você pode saber mais sobre Novos métodos de medição e modelagem de ruído ambiental, aliados à saúde ocupacional em um webinar exclusivo do Portal Acústica clicando aqui. E o mais interessante é que esses dados podem abastecer enormes data centers onde será possível realizar análises de Big Data para acionar alarmes, mecanismos de fiscalização ou até prever comportamentos e aplicar multas.

Devemos estar atentos às diferentes inovação tecnológicas para o cálculo do ruído de fachada, e cabe às construtoras e grandes ndústrias se adequarem a essas diferentes formas de medição para se prevenirem de problemas com a sociedade civil. O perfil dos profissionais necessários para esse tipo de trabalho está se mudando rapidamente. Portanto, para garantir a tranquilidade e saúde da população os órgãos públicos também devem fazer a sua parte, o que consequentemente vai gerar mecanismos mais fortes de fiscalização e por fim mais mobilização das empresas para investir em qualidade de vida.

 

 

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

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Webinar: Inovações em janelas acústicas

Ao longo dos meses de Abril e Maio o Portal Acústica fará uma série de webinares sobre o mercado de arquitetura e engenharia acústica no Brasil. Fique por dentro dos assuntos mais atuais no momento e amplie o seu network ao dialogar com profissionais referência na área.

O webinar do dia 16 de Maio terá o assunto “Inovações em janelas acústicas“. Teremos a participação de Edison Claro, Diretor da Atenua Som, e do MEng. Pablo Serrano, especialista em soluções acústicas.

Faça sua inscrição agora clicando nesse link!

Qual será o assunto desse webinar?

  • Janelas acústicas
    Características das janelas acústicas e o impacto de novas tecnologia no Brasil.
  • O mercado brasileiro
    O status tecnológico Brasileiro em termos de atendimento das normas da ABNT relacionadas à edificações residenciais e como se situa o setor de janelas acústicas em específico. Como superar o excesso de ruído nas grandes cidades do país.
  • Desafios do setor
    Os principais desafios do setor de acústica para enfrentar a crise. Como inovar nos negócios e no desenvolvimento de produtos acústicos? A qualidade técnica dos profissionais brasileiros frente outras potências mundiais na área de acústica e o que as empresas esperam dos novos profissionais.

Conheça mais sobre os participantes

Pablo Serrano

Engenheiro Mecânico, doutorando em engenharia e meio ambiente, com foco em aeroacústica computacional pelo Institute of Sound and Vibrations Research, UK, mestre em engenharia mecânica com ênfase em aeroacústica experimental, MBA em gerenciamento de projetos, técnologo em redes de computadores, consultor independente de acústica em edificações, músico, blogueiro e fundador do Portal Acústica.

Edison Claro

Presidente executivo da Proacústica, vice-presidente de comunicação e eventos da AFEAL, diretor da Universidade do Som e da Atenua Som. Economista com especialização em Administração de Materiais pela FGV e pós-graduado em Acústica pela Poli-USP. Possui 30 anos de experiência em soluções acústicas para caixilhos e lidera o desenvolvimento de metodologias exclusivas que visam soluções acústicas eficazes.

Clique aqui e faça sua inscrição no webinar “Inovações em janelas acústicas“. Aproveite!

Webinar: Materiais acústicos para acústica de salas

Ao longo dos meses de Abril e Maio o Portal Acústica fará uma série de webinars sobre o mercado de arquitetura e engenharia acústica no Brasil. Fique por dentro dos assuntos mais atuais no momento e amplie o seu network ao dialogar com profissionais referência na área.

O mais aguardado webinar dessa série terá o tema “Materiais acústicos para acústica de salas” e contará com a participação do DEng. Eric Brandão, Professor da UFSM, e do MEng. Pablo Serrano, especialista em soluções acústicas.

Faça sua inscrição agora clicando nesse link. O encontro será no dia 25 de Abril!

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Qual será o assunto desse webinar?

  • Acústica de salas
    Conceitos básicos, materiais e aplicações comerciais e residenciais.
  • Para se atualizar
    Conheça as principais tecnologias utilizadas dentro e fora do Brasil. Processos, técnicas de produção e prototipagem que estão inovando o mercado.

Conheça mais sobre os participantes

Pablo Serrano

Engenheiro Mecânico, doutorando em engenharia e meio ambiente, com foco em aeroacústica computacional pelo Institute of Sound and Vibrations Research, UK, mestre em engenharia mecânica com ênfase em aeroacústica experimental, MBA em gerenciamento de projetos, técnologo em redes de computadores, consultor independente de acústica em edificações, músico, blogueiro e fundador do Portal Acústica.

Eric Brandão

Professor do curso de Engenharia Acústica da Universidade Federal de Santa Maria desde 2011. O curso é a primeira graduação em Engenharia Acústica no Brasil. Leciona Acústica de Salas, Eletroacústica e disciplinas relacionadas ao processamento de sinais. Eric Brandão é formado em Engenharia Elétrica e possui doutorado em Acústica e Vibrações pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina. Além de acústica de salas, o autor pesquisa sobre caracterização de absorvedores acústicos e modelagem de transdutores (microfones e alto-falantes).

Clique aqui e faça sua inscrição no webinar “Materiais acústicos para acústica de salas“. Aproveite!

Webinar: Sistemas de áudio para igrejas, casas de shows e museus

Ao longo dos meses de Abril e Maio o Portal Acústica fará uma série de webinars sobre o mercado de arquitetura e engenharia acústica no Brasil. Fique por dentro dos assuntos mais atuais no momento e amplie o seu network ao dialogar com profissionais referência na área.

O primeiro webinar dessa série terá o tema “Projeto de sistemas de áudio para igrejas, casas de shows e museus” e contará com a participação do Eng. José Dionísio Neto, Diretor Técnico da Audium, e do MEng. Pablo Serrano, especialista em soluções acústicas.

Faça sua inscrição agora clicando nesse link. O encontro será no dia 18 de Abril!

Conheça mais sobre os participantes

Pablo Serrano

Engenheiro Mecânico, doutorando em engenharia e meio ambiente, com foco em aeroacústica computacional pelo Institute of Sound and Vibrations Research, UK, mestre em engenharia mecânica com ênfase em aeroacústica experimental, MBA em gerenciamento de projetos, técnologo em redes de computadores, consultor independente de acústica em edificações, músico, blogueiro e fundador do Portal Acústica.

José Dionísio Neto

Diretor Técnico na Audium, Neto é graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica e Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Telecomunicações – Santa Rita do Sapucaí/MG. Com diversos cursos de especialização no Brasil e no exterior, foi responsável pelo desenvolvimento do projeto de áudio dos seguintes empreendimentos: Museu do amanhã, Museu do Futebol, Shopping Rio Mar de Recife, Teatro do Shopping Rio Mar de Fortaleza, Hotel Fasano Salvador e Igreja Batista de Vilas. É também membro da AES (Audio Engineering Society) nos Estados Unidos.

 

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Qual será o assunto desse webinar?

  • Sistemas de áudio
    O comportamento do mercado brasileiro e as principais tendências em equipamentos e tecnologia para áudio e sonorização.
  • Tipos de projetos
    Falaremos sobre a estrutura de um projeto eletroacústico e suas variações de acordo com o ambiente trabalhado.
  • Requisitos e critérios
    Saiba o que levar em consideração ao projetar uma igreja, uma casa de show e um museu.

Clique aqui e faça sua inscrição no webinar “Projeto de sistemas de áudio para igrejas,
casas de shows e museus“. Aproveite!

Webinar: A arquitetura como forma de expressão sonora

Ao longo dos próximos meses o Portal Acústica fará uma série de webinars sobre o mercado de arquitetura e engenharia acústica no Brasil. Fique por dentro dos assuntos mais atuais no momento e amplie o seu network ao dialogar com profissionais referência na área.

O primeiro webinar dessa série terá o tema “A arquitetura como forma de expressão sonora” e contará com a participação da Arq. Débora Barretto, Diretora da Audium, e do MEng. Pablo Serrano, especialista em soluções acústicas.

Faça sua inscrição agora clicando nesse link. O encontro será no dia 11 de Abril!

Conheça mais sobre os nossos convidados

Débora Barretto

Arquiteta, Diretora da Audium – empresa especializada em projetos e consultorias de áudio, acústica e iluminação, Especialista em acústica nas construções pela UPM/Espanha, Mestre em engenharia ambiental Urbana na área de Poluição Sonora, Pós-graduada em metodologia do ensino superior com ênfase em novas tecnologias, Professora de arquitetura, Coordenadora de curso de pós-graduação em conforto ambiental e sustentabilidade, Conselheira do CAU/BA, Membro de comitês técnicos da ABNT, Vice presidente da SOBRAC e Conselheira fundadora da ProAcústica, Palestrante profissional, Possui 20 anos de experiência em desenvolvimento de soluções acústicas com atuação em todo mercado nacional.

Pablo Serrano

Engenheiro Mecânico, doutorando em engenharia e meio ambiente, com foco em aeroacústica computacional pelo Institute of Sound and Vibrations Research, UK, mestre em engenharia mecânica com ênfase em aeroacústica experimental, MBA em gerenciamento de projetos, técnologo em redes de computadores, consultor independente de acústica em edificações, músico, blogueiro e fundador do Portal Acústica.

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Quais serão os assuntos abordados?

  • Acústica arquitetônica
    Quais as possibilidades para projetos nessa área?
  • Principais tendências
    O que o mercado pode esperar para os próximos anos, mudanças em normas e muito mais.
  • Atualização constante
    De que forma estudantes e recém formados podem se manter atualizados com as inovações do mercado? A universidade forma profissionais adaptados à essa nova realidade?

Clique aqui e faça sua inscrição no webinar “A arquitetura como forma de expressão sonora”. Aproveite!