Onde fazer um curso de acústica no Brasil?

É fato que cada vez mais se pesquisa acústica no Brasil. Nas últimas décadas a preocupação de pesquisadores e empresas com a qualidade acústica de ambientes e com a saúde auditiva da população aumentou. Levando a abertura de um novo mercado de trabalho e capacitando novos profissionais nessa área. Mas onde estes profissionais estão se formando no Brasil? Quais cursos de graduação e pós-graduação já existentem? O que se está pesquisando atualmente em termos de poluição sonora e em termos de qualidade de vida relacionada à audição? Falaremos nesse artigo sobre alguns ramos da acústica, e sobre os cursos de acústica nos quais os profissionais brasileiros estão se formando. Veremos os cursos de graduação e pós-graduação em acústica no Brasil e o que eles oferecem.

Curso de acústica é multidisciplinar

A acústica é tida como uma área multidisciplinar onde o Engenheiro Acústico é o profissional capacitado que engloba conhecimentos principalmente da área de engenharia elétrica e mecânica, com bastante de computação e matemática. Em termos multidisciplinares, digamos que o profissional em acústica pode atuar nas áreas de engenharia, biociências, geociências e artes. Ou seja, a engenharia acústica possui uma gama gigantesca aplicações. Isso exige bastante especialização que em geral é oferecida por cursos regulares de graduação e pós-graduação, com ampla necessidade de cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Veja na figura abaixo as áreas de atuação que requerem conhecimentos em acústica.

Áreas da Acustica

 

Graduação em acústica no Brasil

Em 2009 surgiu na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. O primeiro, e até então único, curso de Engenharia Acústica do Brasil. O curso de acústica conta com uma abrangência de várias disciplinas. As principais linhas de estudo na graduação de Engenharia Acústica estão atreladas à engenharia civil. Entre elas:

  • acústica de salas,
  • acústica nas edificações,
  • controle de ruído de máquinas e equipamentos prediais.

Já as linhas de pesquisa ligadas à engenharia elétrica contemplam:

  • eletroacústica,
  • design de caixas acústicas,
  • processamento digital de sinais.

As linhas ligadas à engenharia mecânica incluem:

  • controle de vibrações,
  • controle de ruído industrial,
  • projeto de máquinas e componentes.

Outros tópicos ligados à qualidade de vida, engenharia ambiental e artes incluem:

  • psicoacústica,
  • acústica subjetiva,
  • fonoaudiologia,
  • acústica ambiental,
  • acústica musical,
  • áudio.

Maiores informações sobre o curso de graduação em engenharia acústica da UFSM podem ser obtidas no site do curso.

Curiosidade: Após a criação do primeiro curso de engenharia acústica brasileiro, foi possível articular junto ao CREA a inclusão da profissão “Engenheiro(a) Acústico(a)” entre às profissões cadastradas pelo conselho, até então inexistente no Brasil.

Apesar da baixa disponibilidade de cursos de graduação em acústica, já há diversos cursos de mestrado e doutorado strictu sensu no Brasil. Alguns possuem um viés mais profissionalizante mas em geral abordam a pesquisa básica e não aplicada. Abaixo iremos citar alguns dos principais centros de pesquisa e ensino que trabalham com acústica no país.

 

Pós-Graduação em acústica no Brasil

Ainda não existe no Brasil um programa de pós-graduação especificamente em Engenharia Acústica, mas já existem diversos programas atrelados a outros cursos com enfase em acústica.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica:  oferce disciplinas nss áreas de saúde auditiva, acústica submarina, acústica veicular, materiais porosos, controle de ruído e vibrações, métodos numéricos, ruído em comunidades e psicoacústica. É considerado o melhor curso do Brasil, sendo conceito 7 no CAPES.

  • Universidade Federal de Santa Maria

Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção: oferece linhas de pesquisa ligadas às áreas de acústica de salas, psicoacústica e qualidade sonora.

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil: oferece disciplinas ligadas às áreas de acústica ambiental e acústica arquitetônica .

  • Universidade de São Paulo

Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Física na área de levitação acústica. Para saber mais sobre levitação acústica leia esse outro artigo, clicando aqui. E pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica na áreas de processamento digital de sinais.

  • Universidade Estadual de Campinas

Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil  e pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade  nas áreas de acústica de salas, conforto acústico, ruído ambiental, avaliação e desempenho acústico de edificações, processamento de sinais, controle ativo de ruído, reprodução espacial sonora.

  • Universidade Federal do Pará

Possui Mestrado e Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica nas áreas de  acústica de salas, vibrações mecânicas, processamento digital de sinais e acústica nas edificações.

Além desses cursos citados há outros centros de pesquisas localizados na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília e Universidade de Viçosa. Essa lista não é exaustiva, devemos dizer. É cada vez mais importante haver cursos de graduação, pós-graduação e especialização referentes à engenharia acústica, pois somente assim aumentará número de profissionais capacitados no mercado de trabalho. No nosso dia a dia observamos aberrações de interpretação de dados por pessoas sem formação e sem conhecimento técnico no assunto. Por isso é tão importante a formação, o que traz qualidade de vida à população.

Já deixamos aqui o convite para você inscrever-se agora no único curso de Modelagem Acústica Ambiental do Brasil  que será oferecido presencialmente no Rio de Janeiro e utilizará um software inovador e gratuito de predição da poluição sonora por fontes industriais.

Curso de Modelagem Acústica Ambiental

Programa:
1 – Conceitos básicos de propagação sonora
2 – Tipos de fontes sonoras
3 – Cálculos em dB
4 – Normativas ambientais em acústica
5 – Métodos de cálculo de propagação sonora
6 – Introdução ao iNoise
7 – Prática de modelagem de ruído
8 – Introdução aos métodos inovativos de mapeamento com drones e map at work
9 – Introdução ao Ruído ocupacional
10 – Requisitos para desempenho acústico em edificações residenciais
Local: 3R Brasil Tecnologia Ambiental, Cultura, Serviços e Comercio Ltda
Av. Rio Branco, 156 – 23º andar – sala 2323,
Centro – Rio de Janeiro
Data: 15/03/2018 (Única oportunidade)
Modalidade: Presencial
Duração: 5h, sendo 2h práticas e 3h teóricas.
Observação: trazer notebook
Professores: Rogério Regazzi e Pablo Serrano. Especialistas com notório saber no tema.
Investimento por aluno: R$1970,00 a vista ou 12x no cartão de crédito com juros (2,5% por parcela) via pag seguro ou paypal.

Mais informações sobre o iNoise e ferramentas inovadoras em controle de ruído em https://www.ambienciacustica.com/

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Você sabe o que é levitação acústica?

Fazer objetos levitarem somente com o som parece ficção científica, mas não é. A levitação acústica é uma área pesquisada há algumas décadas com pequenas partículas, mas somente nos últimos anos está tendo resultados positivos com massas maiores. Diversos centros de pesquisas pelo mundo estão, cada vez mais, trabalhando com a levitação acústica. Enquanto estive no ICSV 24 (International Congress on Sound and Vibration)  tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com o Prof. Dr. Marco Aurélio Brizzotti Andrade que é professor da USP no instituto de física. Ele concedeu uma entrevista, a qual trago aqui pra vocês. Prof. Marco falou um pouco sobre a experiência dele na área de levitação acústica e de sua visão sobre a educação e pesquisa no Brasil. Mas antes vamos ver melhor como funciona a levitação acústica.

Afinal, o que é a Levitação acústica?

Um dos primeiros levitadores acústicos foi descrito na literatura científica em 1933 por pesquisadores alemães. O levitador acústico é composto de duas partes, um emissor de onda sonora e um refletor. O emissor, semelhante a um alto-falante, emite uma onda que irá encontrar o refletor e ela será refletida. Nisso haverá uma superposição de ondas, da incidente com a refletida, gerando uma onda estacionária. Esta última possui diversos nós e anti-nós de pressão. Assim que entra a “mágica”, existe um fenômeno chamado força de radiação acústica que empurra a partícula para o nó, podendo assim vencermos a força gravitacional e levitar o objeto. O princípio por trás da flutuação das partículas continua similar para a maioria dos levitadores atuais.

O problema é que ao gerar a ressonância o transdutor e o refletor precisam ficar separados por uma distância específica. O valor precisa ser um múltiplo de meio comprimento de onda. Essa regulação torna difícil o transporte de partículas, pois qualquer movimento de uma das partes do equipamento interrompe a ressonância e, consequentemente, a levitação.

Como a levitação acústica funciona?

A ideia dos pesquisadores foi desenvolver um levitador não ressonante. Para isso eles criaram um ressonador pequeno, onde somente uma pequena fração das ondas é refletida novamente por ele.

A inovação está no fato de que é necessário poucas reflexões entre o transdutor e refletor para que uma onda estacionária seja formada. Assim não há mais a obrigação de se fixar com precisão a distância entre as duas partes do equipamento. Ou seja, eles podem se afastar ou se aproximar, o número de nós da onda estacionária muda. Permitindo a levitação de várias partículas ao mesmo tempo. Com essa inovação já é possível levitar esferas de 50 mm de diâmetro e objetos curvos de 160 mm.

Conheça a opinião de quem trabalha no assunto

Além da levitação acústica conversamos um pouco sobre como está a pesquisa no Brasil. Algumas áreas da acústica já se encontram em níveis internacionais mas boa parte delas ainda deixa a desejar. Para nos elevarmos à níveis internacionais devemos incentivar a pesquisa e o estudo desde a base educacional (ensino fundamental/médio). Essa busca não é somente na escola, hoje em dia deve-se sempre pesquisar além, como em artigos, livros e na internet. Você pode ver a entrevista completa com o Prof. Marco logo abaixo.

Agradeço imensamente ao Prof. Marco por dividir o seu conhecimento na área de levitação acústica. Acredito que essa área será largamente explorada no mercado de trabalho em um futuro próximo. Mas para isso dependeremos de profissionais capacitados no Brasil para desenvolverem pesquisas na área. Keep going! Lot of work to do yet!

 

Preciso de espuma acústica no meu estúdio?

Muitas pessoas procuram por espumas acústicas para seu home estúdio, sala de gravação de videos para o youtube, ou ainda para uma aplicação profissional. Poucas pessoas realmente sabem é como escolher a espuma acústica ideal para o seu propósito. Neste artigo quero trazer um pouco da minha experiência com materiais acústicos para te ajudar a escolher uma espuma acústica mais adequada com a sua aplicação.

Antes de mais nada, vamos dar um passo atrás e entender mais sobre os materiais acústicos de uma maneira geral. Quando falamos de acústico, pensamos em um material para absorver o som e tentar reduzir a reverberação de um local. Essa redução, do que algumas pessoas inadvertidamente chamam de “eco”, é necessária para atingirmos o tempo de reverberação ideal de uma sala. Cada sala tem uma aplicação distinta, e com isso tempos de reverberação ótimos. Falo sobre a diferença de eco e reverberação neste outro post aqui. E sobre a reverberação ideal neste post aqui.

Tipos de materiais acústicos

Existem materiais acústicos de absorção de basicamente 4 tipos:

  • porosos
  • fibrosos
  • membranosos
  • reativos

Os materiais porosos é que chamamos de espumas, pois eles apresentam poros que dissipam o som por viscosidade nos pequenos canais, transformando o som em calor. Além disso, a estrutura do material pode vibrar, causando também a transferência de energia sonora em vibração, e com isso sendo dissipado-a no material. Exemplos são as espumas acústicas de poliuretano e espumas acústicas de melamina, que são as mais encontradas no mercado. Entretanto, especial atenção deve ser dada a questão de flamabilidade, ou melhor, como se comportam em relação ao fogo. Tais materiais atuam principalmente em frequências mais agudas, não sendo muito eficientes em frequências baixas, nos formatos de painéis finos encontrados no mercado. Os perfis, que são essas ondulações, causam melhor direcionamento das ondas sonoras para dentro do material, e com isso aumentando sua eficiência. Isso é bem interessante no caso de cunhas anecoicas, que são essas espumas em formato de cunha, usadas em câmaras com 99% de absorção do som.

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Exemplo de espuma perfilada em melamina

Os materiais fibrosos, apresentam estruturas com cavidades entre as fibras, que também vibram e dissipam o som. Os químicos são especialistas em alterar os tamanhos das fibras e utilizar diferentes ligantes para obter propriedades distintas. Exemplos destes materiais são as fibras naturais de côco, banana, e as sintéticas de poliester, também chamada de PET. Nesta categoria poderíamos colocar às lãs de vidro e lã de rocha, que são muito utilizadas em  projetos acústicos. Entretanto, temos que ter cuidado com fibras pequenas que se desprendem do material e podem causar irritação nas vias aéreas. Esses materiais funcionam bem em frequências médias e altas.

uma alternativa de painel acústico fibroso

Uma alternativa de painel acústico fibroso usando madeira mineralizada em fibras

Os materiais membranosos são compostos por uma cavidade que possui uma membrana vibratória em frente. Eles em geral funcionam bem para frequências mais graves a médias, e são dependentes da massa por metro quadrado e do tamanho da cavidade para sintonizar o som que se queira absorver. Eles em geral são difíceis de serem encontrados no mercado e muitas pessoas fazem os seus próprios de acordo com a necessidade e exigência do projeto acústico da sala.

Já os materiais reativos, ou ressonadores, são materiais que combinam uma cavidade com uma ou mais aberturas, de forma a sintonizar também faixas de frequência específicas. Os ressonadores de Helmholtz, por exemplo, são eficientes em baixas e médias frequências, sendo altamente dependentes da macro geometria e sintonizáveis.

Ressonadores acústicos em madeira.

Ressonadores acústicos em madeira.

Em geral os materiais acústicos com geometrias distintas e personalizáveis são conhecidos como metamateriais. Um termo que foi cunhado junto ao pessoal que trabalha com óptica, mas que também é aplicável em acústica. Explico mais sobre esse conceito neste outro artigo aqui.

Qual espuma acústica escolher?

Agora que você viu que existem diferentes categorias de materiais acústicos de absorção. Quem disse que você necessariamente precisa de uma espuma? Lembre-se do caso da boate Kiss em Santa Maria que foi incendiada e houveram muitas mortes. Causa disso foi a espuma inflamável, e com fumaça altamente tóxica, feita de material utilizado para fazer colchões. Esse com certeza não foi um projeto feito por um profissional qualificado, o que acarretou em uma tragédia de grandes proporções.

Dito isso, o ideal é analisar se a sua sala está com um tempo de reverberação ideal e equilibrado em toda a faixa de frequência. Achando as falhas da sua sala, é possível corrigi-la ao aplicar os materiais adequados e nas posições mais eficientes. E claro, tudo depende do seu grau de exigência em termos de qualidade sonora. Mas se sua aplicação for profissional, você desejaria que seu áudio refletisse seu profissionalismo. Lembre-se, uma gravação ruim soa mal, mesmo que você passe horas tentando consertá-la.

Ao projetarmos um estúdio com uma boa qualidade acústica devemos sempre ter em mente que é necessário controlar a reverberação do local, pois essa reverberação geralmente é indesejável. A sala de gravação da voz em geral deve ser neutra, permitindo colocar efeitos posteriormente. Em relação à música isso se altera um pouco. Podemos ter salas com reverberação maior que dêem uma coloração interessante, e com isso mais riqueza ao som.

A reverberação é medida através do parâmetro chamado tempo de reverberação, sendo que para estúdios pequenos deve ser entre 0,3~0,6 s, mas esse valor varia com o volume do local e o tipo de música que se deseja trabalhar. Portanto, um estúdio com acústica variável é altamente recomendado para quem quer ter versatilidade e proporcionar qualidade aos seus clientes.

Como dito, tempo de reverberação está diretamente ligado ao volume do estúdio e também as áreas dos materiais que compõe a sala, como por exemplo os revestimentos das paredes, cadeiras, mesas e pessoas. Cada elemento tem um respectivo coeficiente de absorção sonoro.

Podemos definir o coeficiente de absorção, como sendo a quantidade de energia sonora que a espuma acústica é capaz de absorver de uma onda incidente. Em uma gravação, a nossa faixa de frequência de interesse é entre 20~20.000 Hz (faixa de audição do ser humano) e como comentamos, as espumas acústicas não absorvem em todas essas faixas de frequência. Para isso, é necessário utilizarmos mais de um material absorvente no projeto de um estúdio de gravação, por exemplo. Aqui vemos um estúdio da Minneapolis Audio Recording Studio, onde podemos observar que essa não é uma sala muito grande, mas que possui diferentes materiais por toda a sala. Essa distribuição foi planejada e confere uma boa qualidade sonora e estética ao ambiente, diferente de muitos home studio que estão cheios de apenas um material de uma única cor e em toda uma parede. Pense diferente, e com criatividade. Além disso, a posição dos materiais de absorção pode ser fundamental para evitar reflexões primárias que podem degradar a qualidade na posição de audição.

Minneapolis Audio Recording Studio

Dicas para um bom projeto

Vimos que existem diferentes classes de materiais acústicos para salas, como um home studio, ou estúdios de gravação. Cada tipo de material possui características diferentes e são melhor aproveitados em certas faixas de frequência. Além disso, para um bom projeto, é necessário adequar a sua sala de acordo com o estilo musical ou para locução. Parece uma tarefa simples, apenas escolher alguns materiais e colocar na parede, mas não é fácil se você realmente quer algo de qualidade. Então, não necessariamente você precisa de uma espuma acústica. Pode ser que o seu problema esteja relacionado a uma frequência grave que seja um problema da geometria da sala. Ou ainda, pode haver uma frequência média que te consumiria muito dinheiro em um material caro e que quem sabe um painel amadeirado e perfurado resolva. Considere, portanto, diferentes materiais e o apoio de um consultor em acústica para obter um projeto equilibrado, e que atenda o seu propósito de conforto e qualidade. Em outra oportunidade falamos mais sobre isolamento acústico…

Gostou do tema? Que tal saber mais sobre materiais acústicos para acústica de salas.

Se inscreva no webinar gratuito com o professor especialista no tema que foi gravado recentemente.

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O que é Aeroacústica e quem trabalha nessa fascinante área?

Um lindo dia de sol em Florianópolis, SC e mais de 40 pesquisadores de todo o mundo discutindo os rumos de uma fascinante área de conhecimento, a Aeroacústica. Foi assim no primeiro dia da Escola de Primavera de Aeroacústica, um evento que reuniu os mais gabaritados profissionais do mundo no Costão do Santinho entre os dias 23 e 26 de Outubro de 2017. Neste artigo você saberá do que se trata esse intrigante tema, e quais são os principais desafios da academia e da indústria que podem vir a movimentar o mercado.

Aeroacústica o estudo do som influenciado por escoamentos

Não é muito fácil observar os efeitos das condições ambientais na propagação de ondas sonoras, principalmente se o som é gerado por escoamentos de qualquer fluido, o qual pode gerar turbulência e com isso ruído. Vários efeitos são causados por variações de temperatura e de velocidade do ar, ainda mais se temos a interação entre uma estrutura rígida e sólida o que também pode causar forças aerodinâmicas e consequentemente ruído. Desta forma, esse campo de estudo é bastante complexo e desafiador. Muitos autores divergem quanto aos modelos criados para representar os fenômenos aeroacústicos em determinadas condições, e além disso, os experimentalistas divergem dos analíticos e dos numéricos, que são as tribos conhecidas por tomar diferentes abordagens aos problemas.

Para que serve a Aeroacústica?

Muitos problemas da indústria podem ser resolvidos aplicando simplificações em fórmulas matemáticas que representam o comportamento aeroacústico de uma determinada configuração. Para sermos mais específicos, hoje em dia os principais problemas estão ligados à indústria aeroespacial, de refrigeração e automotiva. Isso envolve em grande parte o desenvolvimento de aeronaves, trens, drones, dutos industriais, atenuadores, escapamentos, e outros. E no fim das contas o ruído ocasionado por esses meios de transporte ou equipamentos pode vir a interferir na nossa saúde auditiva ou na nossa qualidade de vida em comunidades. Portanto, o desafio dos profissionais desta área é gerar valor ao negócio, atendendo critérios de certificação e ao mesmo tempo balancear os prós e contras que uma adequação acústica pode proporcionar em outros critérios, como desempenho, consumo de combustível, poluição do ar e incômodo.

Quem são os profissionais da área?

Como essa área é bastante complexa, existem poucos profissionais no mundo que pesquisam e atuam efetivamente com aeroacústica. Se você pretende atuar em acústica, veja o depoimento do Denison Oliveira, profissional do ramo, neste video.

Uma excelente iniciativa foi reunir tais profissionais em Florianópolis para discutir o tema em alto nível. Uma parceria entre a UFSC e a KTH, duas instituições de ensino superior do Brasil e da Suécia respectivamente, trouxe quase 50 profissionais para formar a Escola de Primavera em Aeroacústica, que ocorreu dos dias 23 a 26 de Outubro em Florianópolis com o financiamento Sueco. Entre os envolvidos estão diversos acadêmicos que atuam com pesquisa e representantes da indústria nacional. No terceiro dia houve uma visita técnica ao Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC, o LVA, e uma mesa redonda coordenada pelo professor Julio Apolinário Cordioli, organizador do evento, para discussão dos rumos e desafios da indústria. Nos próximos parágrafos vou repassar algumas anotações que fiz ao traduzir a visão de cada participante desta mesa redonda e de alguns dos mais influentes pesquisadores, visto que tudo foi feito no idioma inglês. A minha intenção não é traduzir literalmente o que cada um falou, e aviso que possam haver más interpretações da minha parte. Entretanto, o objetivo é repassar à comunidade a importância do estudo nesta área.

RIG de Jato UFSC
Essa é a bancada de ensaios de ruído de jato construída no LVA em parceria com a EMBRAER para pesquisas dos efeitos de instalação e interações dos jatos com placas, simulando o efeito entre a saída de uma turbina e os flaps de uma aeronave.

Painel – Futuro da Aeroacústica e desafios da indústria

Eduardo Lobão – Embraer

O design de aeronaves é altamente multidisciplinar. Há muitos conflitos de necessidades das disciplinas de projetos e é um desafio incorporar variáveis de ruído que atendam tanto à certificação das aeronaves quanto às estratégias de negócio nas empresas grandes como a Embraer. Uma coisa é o incômodo das comunidades, e outra coisa é a certificação das aeronaves. Não podemos comparar as aeronaves usando somente essa métrica do EPNL, mas precisamos de melhores maneiras de prever esses valores, mesmo tendo uma variabilidade grande. Há maneiras de trabalhar com comunidades e como endereçar os problemas, mas precisamos separar as certificações individuais de cada aeronave disso. Quanto a análise estatística de Monte Carlo, pode ser algo bem interessante em termos de previsão, visto que estamos usando parâmetros estimados, e com isso temos que ter uma visão holística em relação aos resultados. Bases de dados de baixo custo são necessárias de forma que ferramentas empíricas sirvam para design nas primeiras etapas de concepção das aeronaves. Algumas tecnologias são baseadas em geometrias mais complexas de peças e novos sistemas de propulsão, mas tudo é muito incerto, com grandes projetos da NASA dando sinais de bons prognósticos para o futuro. O SILENCE project da Embraer é muito importante para mostrar os problemas às pessoas e como podemos colocar a comunidade científica em contato com a indústria para chegarmos a projetos de inovação e de alto impacto.

Fernando Catalano – USP

Quanto ao ruído aerodinâmico temos que ter em mente que tudo tem interdependências e impactos em consumo de combustível, emissão de gases, eficiência aerodinâmica e ruído. Os motores turbofan estão aumentando de tamanho, com uma tendência a termos nacelles (entrada do duto da turbina) cada vez mais curtas e finas. Devemos também manter as melhores práticas de redução de combustível e poluição, mas para isso precisamos pensar mais na fase de design da aeronave. A integração do pessoal de aerodinâmica e de ruído é fundamental para adquirir bons resultados, e isso está na agenda no momento. Os liners (materiais de revestimento de motores de aeronaves) são importantes para os novos designs de aeronaves na visão do professor da USP. Não há como “curar” um trem de pouso, mas podemos otimizar os efeitos de ruído na fase de concepção do produto. Enfim, a certificação de ruído das aeronaves pode ser crucial para se manter ou sair desse mercado de aeronaves.

Paul Murray – ISVR

Os liners devem trabalhar em frequências mais baixas, portanto, temos que ter certeza que nossos modelos funcionam bem e que podemos trabalhar em espaços diminutos e mais curtos tendo melhor eficiência. Precisamos avaliar todas as condições de antemão para prever o efeito dos liners. Baixo custo é essencial e as camadas limites devem ser melhor estudadas para entendermos como a skin friction velocity do escoamento se dá, e com isso para termos melhores previsões da impedância do material. Precisamos considerar modelos 3D na fase de projeto, e como os modos e a incidência do som afeta a eficiência dos materiais de tratamento acústico das aeronaves. Se irmos para estruturas de fibra de carbono, teremos um problema de como isolar o ruído interno nas aeronaves comerciais, principalmente para quem está na primeira classe e paga mais pela passagem. Então se as aeronaves ficarão mais leves, teremos que tratar melhor a questão de isolamento acústico nas cabines. Temos ideias em termos de cavidades curvas de materiais de tratamento acústico, mas a fabricação é difícil e melhores métodos de manufatura devem ser utilizados.

Hans Boden – KTH

Os aviões elétricos, assim como carros elétricos são algo inovativo e que merece atenção em termos das inovações e baixo ruído. O problema é a autonomia das baterias, mas em um futuro próximo isso será resolvido. A incomodação das pessoas quanto ao ruído foi avaliada nas residências na Europa, mas ainda não temos como usar essas informações para melhorar as métricas ou modelos preditivos em incômodo. o Prof. Fernando Catalano também concorda que é um tópico quente e que agora foi feito um comitê para discutir modelos elétricos de aeronaves.

Damiano Casalino – TU Delft

Tivemos problemas para reduzir ruído em trens de pouso, mas há muito o que fazer. Precisamos também falar em revestimentos para atenuar grandes faixas de frequência. O que podemos fazer também é otimizar cada segmento dos revestimentos para obter ótima atenuação do som em cada parte da nacelle, o que não é feito hoje em dia. Temos muitos riscos nesses tipos de projeto, principalmente na instalação de flaps próximo aos jatos, mas temos iniciativas de materiais de atenuação nos flaps que são uma ótima ideia. Os aviões ultrasônicos são algo novo que estão melhorando em termos do sonic boom, e pode ser uma ótima e rápida alternativa para voos sobre o mar. No entanto, as incertezas e a variabilidade dos dados experimentais em geral é ainda grande, não somente em relação ao ruído subsônico, podendo chegar a 7dB. Portanto temos que ter cuidado e reduzir essas incertezas. A métrica EPNL não está representando a audibilidade, portanto temos que reavaliar essa métrica. Outra coisa são as grandes simulações, que podemos usar para fins de educação e a indústria tem que promover a oportunidade das pessoas verem e estudarem isso.

Willian Wolf – UNICAMP

Ele questiona como investigar os problemas que temos em aeroacústica, visto que temos diversos problemas na indústria e que não são compartilhados na academia. Por exemplo, será que os métodos numéricos são realmente realizáveis? O quanto a indústria está disposta a pagar para ter melhores previsões de alta fidelidade em termos de ruído? Claro que temos mais capacidade computacional e técnicas conhecidas, mas precisamos saber onde estamos indo. Há possibilidade de usarmos machine learning em modelos reduzidos para aprender mais dos dados que temos? Enfim, precisamos de mais gente para trabalhar nesses tópicos, tanto na academia quanto na indústria.

Gwenael Gabard – Université du Maine

O que podemos tirar dos dados que já temos? Uma grande simulação dá muita informação, mas precisamos entender se aquilo é fisicamente possível. Precisamos portanto de parâmetros mais realistas da indústria para guiar os esforços de pesquisa e que, no fim das contas, realmente representem algo realizável e factível.

Guillaume Brés – Cascade

Precisamos de pesquisa aplicada, mas também de pesquisa básica da academia. Falamos muito de aplicações subsônicas, mas as aplicações militares são em geral supersônicas, e neste caso temos outros problemas de ruído muito maiores. Os pilotos de aeronaves militares precisam de capacetes para reduzir o ruído, e isso pode apresentar problemas de saúde também. É um desafio multidisciplinar e com muitas frentes, sendo que modelos com fidelidade podem ser necessários. O desafio está posto, mas precisamos de dados experimentais bem documentados para causar um bom impacto.

Luc Mongeau – McGill

Os desafios da indústria são guiados pelas certificações. Os procedimentos hoje adotados dão uma ideia do ruído, mas muitas fontes surgiram. Na certificação não se vê cada parte em separado, mas sim valores globais em condições de decolagem, cruzeiro e pouso, não sendo possível separar cada fonte de ruído. Precisamos rever as recomendações em termos dos níveis de certificação, conclui. Para tal, pesquisamos o ruído de várias aeronaves e com isso nos deram a possibilidade de usar uma “bola de cristal” e prever o futuro. Não queremos matar a indústria, mas precisamos de níveis que sejam desafiadores para irmos em frente. Estamos vendo novas aeronaves indo muito bem em relação aos critérios das certificações nos dias de hoje. Mas os procedimentos atuais usados na certificação são realmente adequados e estão servindo aos propósitos de reduzir o ruído nas comunidades próximas aos aeroportos? Se as condições e métodos estatístico evoluírem, podemos usar isso para avaliar de uma maneira geral o ruído.

Concluindo

Na minha visão a indústria brasileira tem sido muito feliz em manter um bom relacionamento com a academia, mesmo havendo bastante segredo industrial. No entanto, a complexidade requerida hoje para se certificar uma aeronave é algo que não é para qualquer profissional. Essa área é extremamente complexa e pouquíssimos chegam no nível de discussão e de entendimento do assunto como esses profissionais. Então fica aqui meu agradecimento aos organizadores e pela oportunidade de cobertura do evento. Espero que tenhamos mais desafios com mais tipos distintos de aeronaves nos próximos anos e que seja possível criar conhecimento e inovação sem barreiras quanto ao uso do espaço aéreo, sempre respeitando os ouvidos e com isso a saúde e o bem estar.

Espero que tenham gostado e que continuem visitando o Portal Acústica. Se tiverem interesse em mais material sobre acústica, separamos um e-book sobre ferramentas computacionais para você se verificar quais pode utilizar em sua aplicação ou pesquisa. O download é gratuito ao clicar aqui ou na imagem abaixo.
Guia de Softwares para Acútica

Resolva o problema de ruído em apartamentos – Webinar

Na semana que vem vamos trazer um especialista sobre vibração e ruído para atravessar o Portal Acústica e nos mostrar diversos estudos de caso para responder a seguinte pergunta:

Como controlar vibrações em edificações?

Esse é um problema um tanto comum na maioria dos apartamentos brasileiros, que são em sua maioria feitos de alvenaria. O concreto, por ser bastante rígido, apresenta alta velocidade de propagação das ondas e pouco amortecimento, causando propagação do ruído gerado por vibração. Essa vibração é de alta faixa de frequência se for gerada por um impacto, ou seja, uma curta duração de tempo de contato entre dois objetos, ou um choque inelástico. Neste caso, o mais comum em edifícios é o bendito salto alto ou o arrastar de móveis. Entretanto, algumas pessoas se encomodam com ruídos mais intermitentes e por vezes gerados por equipamentos prediais mal isolados da estrutura.

O consultor e especialista Moyses Zindeluk irá abordar esse tema e mostrar como podemos evitar esses problemas básicos mas que fazem toda a diferença na qualidade de uma edificação. Muitas construtoras ainda não tem experiência no assunto e por vezes só tomam conhecimento do problema em um estágio muito avançado do processo (após entregar o produto ao cliente final). Lembramos que o ideal seria realizar os ensaios de desempenho acústico do sistema instalado após um criterioso projeto que visa atender um certo nível de qualidade, de acordo com o padrão da obra.

Os clientes estão cada dia mais exigentes, e as normativas cada vez mais apertadas. Então, tanto as construtoras, quanto as empresas que fornecem insumos à construção civil devem estar preparados para não ficar atrás da concorrência. Além disso, um imóvel de qualidade é muito mais fácil de vender. E nesses tempos de melhoria gradual da economia, esse pode ser o diferencial entre uma construtora atenta e outra que está em vias de ir à falência.

Confira o webinar exclusivo do Portal Acústica dia 03 de Outubro às 11h, ao se inscrever através deste link aqui.

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Internoise 2017 – Acústica direto da China

O congresso internacional Internoise 2017 é um dos maiores do gênero e reúne os maiores profissionais do ramo. A foto acima é da palestrante Brigitte Schulter – famosa pelos estudos em paisagem sonora. Veja o nosso grande professor Samir falar sobre o congresso nesse video abaixo, diretamente com o nosso correspondente Edison Claro de Hong Kong…

Hong Kong é uma cidade grande e com muitos problemas similares à São Paulo, o que nos permite traçar um paralelo entre as duas realidades. Haja visto a grande poluição sonora causada por sistemas de transporte, e a grande densidade populacional devido à verticalização da cidade.

Além disso, o povo Chinês também gosta de uma batucada como nós Brasileiros. Os instrumentos são diferentes dos nossos, os chamados Taikos, que são uma classe de instrumentos musicais de percussão. Veja um pouco da apresentação neste curto video…

Dentre os brasileiros neste congresso, tivemos a presença dos representantes das duas sociedades brasileiras de acústica, a Débora Barretto e o Davi Akkerman, representando a SOBRAC e a ProAcústica respectivamente. Davi apresentou um artigo explicando a norma de desempenho de edificações NBR 15575 à comunidade internacional. Essa é uma oportunidade muito boa de mostrar nossas iniciativas e receber críticas não só sobre a norma, mas sobre a pesquisa que é realizada no nosso país. Veja o que eles falam para nós sobre o congresso no video abaixo…

Entre os palestrantes das Keynotes gostaria de citar o professor Xin Zhang que ministra na Hong Kong University of Science and Technology. Sou leitor dos seus artigos, que são focados em ruído aeronáutico. Xin fundou o Airbus Noise Technology Centre aqui na University of Southampton, UK, onde o Davi Akkerman estudou e onde atualmente eu estudo. O trabalho de Xin Zhang é focado em aeroacústica computacional e aerodinâmica e ele tem mais de 25 anos em pesquisa básica.

Aos pesquisadores que pretendem participar futuramente deste congresso, é importante saber sobre quais são os tópicos aceitos. Entre eles podemos citar:

  • Acústica em dutos
  • Paisagem sonora em arquitetura e urbanismo
  • Geração e modelagem de ruído rodoviário
  • Controle ativo
  • Absorção sonora
  • Modelagem, medição e mitigação
  • Métodos e aplicações em vibroacústica estocástica
  • Controle e gerenciamento de ruído em construções
  • Controle e transmissão de ruído em edificações
  • Mapeamento de ruído
  • Ruído industrial
  • Privacidade
  • Visualização e manipulação sonora
  • Ruído de rotores
  • Ruído aeroportuário
  • Ruído induzido por escoamentos em água e ar
  • Certificação green building
  • Vibração
  • Psicoacústica
  • Aeroacústica computacional

E ainda há outros temas correlatos em seções técnicas curtas com 4 a 5 artigos científicos. Veja, que essa experiência é muito gratificante para acadêmicos e também para os profissionais, onde ambos conseguem ficar a par das tecnologias mais modernas no mundo. Veja aqui o relato de um participante brasileiro explicando um pouco sobre a tecnologia piezoelétrica aplicada às janelas acústicas.

Veja que a tecnologia discutida acima é um tipo de controle ativo, que basicamente consiste em anular o som/vibração ao aplicar inteligentemente um processamento em um sinal vindo de um transdutor. Esse sinal é direcionado a um atuador, que causa cancelamento da vibração e consequentemente do ruído gerado pela vibração de uma membrana, chapa, ou outro sistema ressonante. Esse tema ainda está em fase de muita pesquisa básica, e com pouca aplicação em produtos nacionais de prateleira.

O que precisamos no Brasil é de incorporação de tecnologias como essa citada, para avançar em termos de inovação e qualidade de vida. Acredito que só assim, com incentivos governamentais à produção de tecnologia nacional e com parcerias sérias entre universidades e empresas de inovação nacionais, consigamos implementar tecnologia de ponta em bens de consumo para todos os cidadãos.

Um muito obrigado a todos os nossos correspondentes! Nós do Portal Acústica estamos muito felizes com a cooperação e por vocês levantarem a bandeira da Acústica em nosso país.

 

Se você gostou do assunto, por favor comente sobre a questão: O que podemos fazer para inovar em nosso país?

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Abraços e nos vemos do outro lado do Portal!

 

Engenheiro acústico: 5 motivos para contratá-lo

 

Saber solucionar problemas relacionados ao ruído não é uma tarefa simples, mas felizmente existe o engenheiro acústico.

Irritação, estresse, baixa produtividade, sono conturbado, dificuldades de aprendizado, perda auditiva. Esses são os sintomas causados pelos barulhos que nos incomôdamo dia a dia. O som indesejado acaba com nossa qualidade de vida, mas nem tudo está perdido. O profissional indicado para solucionar estes problemas é o engenheiro acústico. Veja alguns porquês para contratar esse profissional.

Por que o engenheiro acústico pode solucionar seus problemas?

1] O engenheiro acústico traz segurança e qualidade ao seu cliente.

O engenheiro estudou e se capacitou para a área de acústica. O conhecimento adquirido na universidade e através de práticas em laboratório e em campo, além de suas experiências, assegura que as soluções acústicas projetadas atingirão seus objetivos. Assim, se uma janela antirruído foi projetada para seu quarto voltado a uma rodovia ruidosa, o sono, antes conturbado, será tranquilo e profundo. Ou ainda, se foi contratado o serviço tratamento acústico para estúdios, suas músicas e gravações poderão ser executadas, gravadas, mixadas e masterizadas com qualidade. Conhecer as técnicas e ser experiente é trazer confiança ao cliente.

 2] O engenheiro acústico traz economia de tempo e dinheiro, pois sabe o que faz.

As soluções indicadas não são caseiras ou testes para “ver se funciona” e que demoram para ser realizadas. A qualidade do serviço prestado ou do produto especificado vem de análises e cálculos prévios usando modelos confiáveis baseados em normas técnicas. Além de economia de tempo, há também economia de dinheiro, pois as soluções não são superdimensionadas, mas sim certeiras para solução do problema. Através do mapeamento acústico próximo a um edifício, pode-se calcular o som que bate nas fachadas, e com isso projetar o isolamento acústico necessário. Se a espessura da parede acústica na fachada for superdimensionada, o problema acústico pode até ser resolvido, mas o custo-benefício não. Portanto, mais tempo de mão de obra e maior quantidade de material serão gastos desnecessariamente. Por isso, contratar o engenheiro acústico é um investimento certo no seu empreendimento. Principalmente no caso de projetos grandes, onde o custo deve ser mais controlado.

 3] O engenheiro acústico é expert no assunto, pois se especializou na área.

Assim como um clínico geral encaminha um paciente de acordo com seu problema a um médico especialista, um engenheiro acústico entende bem a sua área e sabe o que prejudica a sua saúde mental e auditiva. Ele sabe indicar a melhor solução, pois sabe que os problemas precisam de um diagnóstico e medicação exata para eles. Existem diferenças entre as soluções acústicas profissionais e caseiras então fique atento. Se o objetivo é obter um auditório em que a fala seja clara, alcance toda a audiência e que o uso de microfones não seja necessário, o engenheiro não irá indicar paredes mais grossas, pois sabe que o isolamento acústico não soluciona esta situação. Ele indicará o tratamento acústico e o estudo do tempo de reverberação ideal para o auditório. Isso pode ocorrer através de uma visita técnica ao local para medir a reverberação com um sonômetro, ou ainda calcular o valor usando uma planta baixa com as dimensões, uso do local e materiais de revestimento.

 4] O engenheiro acústico é atualizado, pois tem acesso as inovações acústicas do mercado.

O engenheiro que trabalha na área sabe da diversidade de materiais acústicos que existem e estão para serem lançados, pois tem contato com os fornecedores. Num projeto arquitetônico sabemos que além da funcionalidade do local, a beleza é essencial. Portanto, o bom engenheiro acústico pode indicar inúmeros materiais com desempenho similares, mas com aparências que atendam ao seu gosto. Um dos exemplos de materiais são os forros acústicos, que com a função de absorvedores acústicos podem apresentar-se em cores, texturas e desenhos variados, podendo até ser personalizados ou em nuvens.

5] O engenheiro acústico está antenado na sociedade, pois conhece as normas e leis.

Normas e leis determinam qual o limite aceitável de ruído que pode entrar e sair de cada ambiente sem incomodar as pessoas. A partir do momento que o som invade ao ponto de perturbar e ferir o espaço alheio, há infração da lei. Assim, tanto edificações residenciais que estão sob a Norma de Desempenho, quanto o comércio que precisa das Certidões de Tratamento Acústico, ambos devem adequar acusticamente o seu espaço. Uma paralisação das atividades ou multa para atividades de comércio são muito indesejadas, tanto para empresário quanto para a sociedade.

Agora você já sabe a importância de contratar um engenheiro acústico. Pense bem se você deseja segurança, qualidade, economia de tempo e dinheiro, inovações do mercado, e bom relacionamento com a vizinhança. Acreditamos que a resposta é sim…

 

Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
Pablo Giordani Serrano – MEng. Mecânico especializado em acústica

 

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