Ruído hidrossanitário

O ruído associado aos sistemas hidrossanitários

 

Fonte: http://wwwo.metalica.com.br/dicas-de-projeto-e-dimensionamento-de-tubulacoes

 

As instalações hidráulico-sanitárias prediais compreendem os sistemas de distribuição de água e recolhimento dos esgotos, consistindo em um conjunto de canalizações, conexões, aparelhos e acessórios específicos. O projeto hidrossanitário deve atender aos requisitos básicos de suprimento de água – em quantidade suficiente e sob pressão adequada -, e sanitário, apresentando soluções para o escoamento do esgoto, águas pluviais, águas cinzas, dentre outros.

Os projetos hidráulicos devem ser dimensionados conforme as Normas Técnicas da ABNT, e em função das necessidades do cliente. Os princípios normativos de projeto estão estabelecidos nas ABNT NBR 10844 – Instalações prediais de águas pluviais, ABNT NBR 8160 – Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução, ABNT NBR 5626 – Instalações prediais de água fria, ABNT NBR 7198 – Projeto e Execução de Instalações prediais de água quente.

Do ponto de vista do conforto acústico, o ruído de sistemas de hidrossanitário é motivo frequente de desconforto e reclamações por parte de moradores de edificações residenciais e usuários de edificações comerciais. A normativa que trata especificamente sobre o ruído associado a sistemas de hidrossanitário é a parte 6 da norma de desempenho ABNT NBR 15.575.

ABNT NBR 15.575-6

A ABNT NBR 15.575-6 tem por objetivo informar em caráter não obrigatório os níveis de desempenho acústico associados à operação de equipamentos hidrossanitários de edificações habitacionais. Além disso, estabelece o método de medição dos ruídos gerados por equipamentos prediais. A Norma descreve o método de engenharia em campo, que permite determinar de forma rigorosa os níveis de pressão sonora de equipamento predial em operação, sendo descrito pela norma ISO 16032 – Measurement of sound pressure level from service equipment in buildings — Engineering method.

Também descreve o método simplificado de campo que, segundo a norma, “permite obter uma estimativa dos níveis de pressão sonora de equipamento predial em operação em situações onde não se dispõe de instrumentação necessária para medir o tempo de reverberação no ambiente de medição, ou quando as condições de ruído ambiente não permitem obter este parâmetro. O método simplificado é descrito na ISO 10052 – Acoustics — Field measurements of airborne and impact sound insulation and of service equipment sound — Survey method. A avaliação é realizada nos dormitórios das unidades habitacionais autônomas, segundo os parâmetros acústicos LAeq,nT (nível de pressão sonora equivalente, padronizado de equipamento predial), LASmax,nT (nível de pressão sonora máximo, padronizado de equipamento predial) e LAai (nível de pressão sonora equivalente no ambiente interno, com equipamento fora de operação).

Fica estabelecido, como valores máximos do LAeq,nT medido em dormitórios, de acordo com o nível de desempenho (mínimo, intermediário ou superior), o seguinte:

 

Tabela B.2 – Valores máximos do nível de pressão sonora contínuo equivalente, LAeq,nT, medido em dormitórios

 

LAeq,nT [dB(A)]

Nível de desempenho

≤ 30

S

≤ 34

I

≤ 37

M

Fonte: ABNT NBR 15.575-6

 

Em relação aos valores máximos do LASmax,nT, medido em dormitórios, tem-se o seguinte:

 

Tabela B.3 – Valores máximos do nível de pressão sonora contínuo equivalente, LASmax,nT, medido em dormitórios

 

LASmax,nT [dB(A)]

Nível de desempenho

≤ 36

S

≤ 39

I

≤ 42

M

Fonte: ABNT NBR 15.575-6

 

As principais causas do ruído associado aos sistemas de hidrossanitário

O ruído da operação de instalações hidráulicos-sanitárias prediais pode ter diversas causas [1]: vibrações do sistema de recalque de água, que se propagam através da estrutura, escoamento de água por curvas, cotovelos, registros, fechamento repentino dos componentes, choque da água com as superfícies dos equipamentos de utilização como cubas, lavatórios, banheiros e pias; escoamento de água pela bacia sanitária, ralos e sifões, tubulação de esgotos; e deslocamento de bolsões de ar pelas tubulações. Além destas, o ruído pode estar associado a outros fenômenos, como o “martelo d’água” ou “golpe de aríete”, por exemplo, causado por variações na velocidade da água ou pressão nas tubulações.

Inerentes aos sistemas hidrossanitários, turbulências e vibrações podem resultar na transmissão do ruído e de vibrações para as estruturas da edificação, como lajes, forros das unidades vizinhas ou até mesmo para outros ambientes da própria unidade. A ABNT NBR 15.575-6 preconiza a importância do projeto de instalações hidráulicos-sanitárias prediais em harmonizar-se com as soluções arquitetônicas e estruturais, como a deformabilidade das estruturas, as interações com o solo, e características físico-químicas dos demais materiais de construção.

A frequência dos problemas de ruído associados à sistemas de hidrossanitário ocorrem em edificações antigas e novas. Nas edificações antigas, o ruído ocorre, muitas vezes, devido ao desgaste dos sistemas e a utilização de materiais que entraram em desuso, como tubulações metálicas. Nas edificações novas, a ausência de planejamento acústico no projeto de hidrossanitário pode levar a inúmeros problemas de ruído.

Diretrizes para tratamento vibro-acústico de sistemas de hidrossanitário

As diretrizes para tratamento do ruído de instalações hidráulicos-sanitárias são mais eficazes quando tratadas na etapa de projeto. O projeto pode evitar a passagem de tubulações próximas a dormitórios e outros ambientes de uso sensível. Deve-se buscar a otimização do dimensionamento das instalações, compatibilizando com o equilíbrio da vazão e pressão, de forma a evitar turbulências e alterações no fluxo dos líquidos.

A velocidade de escoamento de água excessivo, por exemplo, pode ocorrer por erro na escolha dos tubos, com diâmetros menores do que o necessário, gerando ruídos indesejados na tubulação.

Podem ser adotadas estratégias para isolamento das tubulações, desconectando-as dos elementos estruturais. O consultor acústico precisa verificar os pontos críticos de transmissão por meio sólido de vibrações entre o sistema de hidrossanitário e os elementos construtivos. A desconexão pode ser feita a partir de abraçadeiras, pendurais e apoios com anel de neoprene ou material resiliente similar, mantas de desconexão em fibra de vidro ou emborrachadas, dentre outros.

Materiais isolantes, como lãs minerais, também podem ser utilizadas para tratamento acústico e antivibratório de tubulações hidráulicas. Neste caso, as tubulações e todas as conexões devem ser cobertas pelo material, e podem ser fixadas com abraçadeiras plásticas. Devem-se evitar quaisquer frestas capazes de transmitir o ruído.

Fonte: http://biotermica.com.br/

A operação de bombas de recalque de água e outros equipamentos emite ruídos e vibrações. Para evitar a transmissão vibratória aos elementos construtivos, deve-se prever em projeto a localização adequada das bombas e o assentamento das mesmas sobre uma plataforma de material que proporcione a atenuação de tais vibrações e ruídos.

Indica-se, geralmente, a utilização de base de inércia e amortecedores, e juntas flexíveis, atuando como calços antivibratórios e impedindo a transmissão vibratória aos elementos estruturais em contato com o equipamento.

A avaliação dos princípios e do dimensionamento de soluções para tratamento vibro-acústico de sistemas de hidrossanitário devem ser obtidas a partir da compatibilização do projeto fornecido por um especialista em acústica com as definições do projetista hidráulico.

Esta análise deve ocorrer anteriormente à execução, instalação ou qualquer intervenção no sistema, de forma a evitar possíveis falhas e erros que desencadeiem problemas vibro-acústicos.

 

[1] QUERIDO; J. G.; BISTAFA, S. R. Prognóstico de Ruído de Instalações Prediais Hidráulicas Sanitárias. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP – Departamento de Engenharia de Construção Civil, São Paulo, 1993.

 

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