Perda auditiva e o ruído

AC/DC adiou sua turnê pelos Estados Unidos porque o cantor Brian Johnson pode estar com “perda de audição severa”. Não é surpresa visto que durante décadas a banda australiana andou junto a seus hard rock decibels. No entanto, surdez não é uma preocupação somente de rock stars, mas também de qualquer pessoa exposta aos ruídos do dia-a- dia.

 

Perda auditiva e o ruído

O risco de perda auditiva está presente tanto no trabalho, com o ruído de fábricas e equipamentos, quanto no lazer, ouvindo música em altos volumes com fones de ouvido. O risco se agrava quanto mais intenso for o som e quanto maior o tempo de exposição a ele você estiver sujeito.

A intensidade do som é medida numa escala chamada de decibel (dB). Esta é uma medida logarítmica, ou seja, o aumento de decibel representa um aumento muito maior da energia sonora na sua unidade de medida, que é o Pascal. Um aumento de 3 dB, por exemplo, representa 2x a quantidade de energia inicial, ou seja o dobro em Pascal.

Abaixo estão alguns exemplos de ruído do nosso dia-a- dia e sua correspondente intensidade em decibel (dB).

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Nessa escala de 0 dB a 130 dB, uma sala silenciosa ou quarto durante a noite apresenta em torno de 40 dB, enquanto a decolagem de um jato comercial alcança até 120 dB. Níveis de pressão sonora acima de 140 dB podem causar dor e perda permanente da audição!

No entanto, a intensidade do som não é por si só a única responsável por prejudicar a audição. O tempo de exposição a um ruído é decisivo no quadro de perda auditiva. Existe uma relação entre o tempo de exposição e a intensidade do som, sendo que a partir de 85 dB podemos estar sujeitos à perda auditiva. Esta relação pelo Instituto Nacional de Saúde Segura e Ocupacional de Niosh é mostrada na tabela abaixo.

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Obs: Lembrando que a medida em decibel não é linear, portanto o tempo de exposição permitido diminui pela metade a cada aumento de 3dB.

Até ir a uma casa noturna, ainda que empolgante em uma sexta à noite, pode trazer danos a sua audição. Estar na pista de dança, na qual o nível sonoro facilmente atinge seus 100 dB, é comparado a ouvir uma britadeira e pode trazer problemas a sua saúde depois de apenas 15 minutos de exposição. No entanto, se você estiver em uma região da casa noturna com nível mais baixo, em torno de 91 dB, isso se compara a estar ao lado da rodovia com um caminhão pesado passando em alta velocidade. O tempo de exposição máximo sem risco de perda auditiva aumenta neste caso para 2 horas.

Em muitos ambientes, durante a jornada de trabalho, o ruído também está presente. No Brasil, existe a lei trabalhista NR15 na qual o Controle de Ruído no Trabalho é estabelecido de acordo com o limite do tempo de exposição a um determinado nível de ruído sem que prejudique a audição.

O limite inferior de exposição durante uma jornada de trabalho é de 80 dBA (tão ruidoso quanto uma via de tráfico intenso). Quando este nível é superado, empregadores devem prover informação e treinamento sobre o problema do ruído, além de proteção auditiva aos seus trabalhadores. Quando o limite de nível de pressão sonora equivalente 85 dBA é excedido, a proteção auditiva se torna obrigatória, e empregadores precisam tomar medidas para reduzir a dose de ruído ao empregado, aplicando técnicas de mitigação.

Embora exista a surdez temporária em que a audição normalmente é recuperada após algumas horas ou dias, repetidas exposições a altos níveis de ruído causam dano permanente. Lembre-se de quando você chega da boate e ainda ouve um zumbido ou apito. Esse é um mecanismo natural do corpo que altera a percepção para tentar combater um ambiente insalubre (com alto ruído). No início do processo de perda auditiva, este dano é sutil e quase não é notado. No entanto, o problema é significativo quando a perda auditiva pelos ruídos cotidianos é reforçada pela perda natural por envelhecimento. Os sinais começam com a dificuldade de acompanhar conversas em ambientes ruidosos e infelizmente, uma vez percebido estes sintomas, é tarde demais. Portanto, a audiometria é recomendável ao notar tais sintomas, sendo que faz parte de programas de preservação da audição de diversas empresas.

Traduzido e adaptado do artigo de Trevor Cox.

 

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