Contrapiso flutuante: chega de ruído!

O barulho ocasionado por passos, arrastar de móveis e quicar de bolas, hoje em dia, é motivo de contenda entre vizinhos. Embora haja necessidade de um regulamento de boa convivência, a verdade é que o vizinho barulhento tem menos culpa do que você pensa. O projeto do edifício pode ser melhor planejado com um sistema de piso acústico para que problemas como ruídos de impacto sejam evitados. Exemplo desse tipo de piso é o contrapiso flutuante em laje de alvenaria, encontrados na maioria dos prédios residenciais no Brasil.

O que é, e como funciona o contrapiso flutuante?

Muitos confundem o ruído de impacto com ruído aéreo. Mesmo que ambos incomodem, eles são transmitidos e tratados de maneira diferente. O ruído aéreo é produzido no ar chegando às paredes e piso e então transmitido para outros apartamentos. Já o ruído de impacto é o som abrupto gerado no contato de superfícies, que se propaga pela estrutura. Tendo o martelo como exemplo, pega-se o martelo, lança-o no ar com um impulso. Ao encontrar uma superfície, gera um som de impacto: instantâneo, forte e de curta duração. Esse som se espalha pela estrutura com muito mais facilidade que o som aéreo de uma televisão, por exemplo. Só se soluciona o ruído de impacto amortecendo ou isolando a estrutura, que acaba por dissipar a vibração e consequentemente o som transmitido.

O material tipicamente usado deve ser resiliente, ou melhor, mole e que recupere sua forma (tipo uma mola). Além disso, ele deve estar disposto em um sistema sanduíche, chamado massa-mola-massa. No sistema sanduíche, o som sai de um recinto para outro atravessando várias camadas, com diferentes espessuras e pesos, preferencialmente. No caso da construção civil, o sistema sanduíche típico, compõe-se de laje, material resiliente e contrapiso com acabamento final. Na composição, laje e contrapiso fazem a função de massa por serem pesados, ou melhor densos, e por isso refletem grande parte do som de volta a origem. A “mola” é representada pelo material resiliente que amortece as vibrações entre uma “massa” e outra, visto que materiais duros vibram razoavelmente. Compare bater em uma vara de metal e em uma de madeira. Veja que a de metal, que é mais densa, acaba por dissipar menos energia, e com isso vibra por mais tempo! Essa diferença de materiais em um sistema massa-mola-massa faz com que o som gerado no ambiente perca muita força ao ser transmitido ao vizinho, atendendo assim a política de boa vizinhança.

Os materiais resilientes na aplicação do contrapiso flutuante, se apresentam através de uma manta acústica. Esse tapete acústico pode ser ecológico, ou como diriam, uma manta sustentável; reaproveitando a borracha de pneus ou garrafas PET.

Algumas Soluções Sustentáveis

Empresas desenvolvem novas possibilidades para pneus usados, retirando-os do meio ambiente e transformando-os em produtos inovadores. Como a borracha é um material amortecedor, as mantas acústicas de pneus ótimos na atenuação acústica de ruído de impacto.

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Existem alguns fornecedores concorrentes no mercado oferecendo mantas acústicas também ecologicamente corretas e de poliéster. A garrafa PET é transformada em lã e é usada tanto no isolamento acústico aéreo, quanto no combate ao ruído de impacto. Ela é de fácil instalação atendendo aos ouvidos mais exigentes, além de ser totalmente reciclável e ter vida útil elevada.

 

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Desempenho Acústico Superior

A norma NBR 15575, que fala sobre o desempenho de edificações habitacionais, está em vigor desde 2013. Ela exige um desempenho mínimo de pisos quanto ao ruído de impacto e deve ser cobrada pelo residente da unidade habitacional. Se você tiver dúvida quanto ao desempenho do seu apartamento, contrate um profissional da área de acústica que pode medir e conferir se o ruído de impacto está dentro dos valores da norma. Caso o piso não atenda às exigências da norma, o profissional pode fornecer provas (laudo técnico) para que o cliente possa negociar com a construtora o atendimento do desempenho mínimo. No entanto, se em seu apartamento, salto alto, arrastar de móveis e bolas quicando incomodam você, as vezes o custo de um isolamento acústico é proibitivo. Não necessariamente o som vem do apartamento de cima, e trocar o piso do vizinho as vezes é inviável. Portanto, aconselhamos procurar um imóvel de qualidade acústica superior! Ou seja, que tenha sido testado pela construtora, e o perito em acústica tenha medido e atestado o desempenho do piso. Se a construção não se encaixa na recente norma de desempenho NBR 15.575, você pode reivindicar seus direitos a construtora, mas a solução para seus problemas pode ser onerosa e levar tempo.

Embora pareça plausível, a aplicação de forro de gesso acartonado não tem muita influência na redução de ruído de impacto. Isso acontece porque não é só o forro que vibra, mas todas as paredes. Com isso, o som pode vir de todos os lados, mesmo do apartamento de cima, ou de outro apartamento no andar baixo!

Resumindo

Antes de adquirir um apartamento, certifique-se com a construtora de este atende devidamente a Norma de desempenho acústico para edificações Habitacionais ( NBR 15575). Exija o laudo técnico, fornecido por um profissional especializado em acústica, que comprove que a norma esteja sendo atendida. Em caso negativo, pondere para saber se os possíveis e prováveis problemas com ruídos de impacto futuro serão críticos para você antes de comprar esta unidade habitacional.

 

Ingrid Knochenhauer de Souza – Eng. Civil especializada em acústica
Pablo Giordani Serrano – MEng. Mecânico especializado em acústica

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